sexta-feira, 29 de janeiro de 2016

Começa em Roma o Encontro Internacional “Vida Consagrada em comunhão”


Acontece em Roma do 28 ao 2 de fevereiro, o Encontro Internacional “Vida Consagrada em Comunhão”,  e com o qual se encerrará o Ano da Vida Consagrada. Espera-se a participação de uns quatro mil religiosos.

O encontro foi convocado pelo Papa Francisco e organizado pela Congregação para os Institutos de Vida Consagrada e as Sociedades de Vida Apostólica (CIVCSVA), em colaboração com a Conferência Mundial dos Institutos Seculares (CMIS).

Com o tema “Vida Consagrada em comunhão. O fundamento comum na variedade das formas”, haverá jornadas de encontro, vigílias de oração, momentos para aprofundar a especificidade de cada forma “com um olhar dirigido ao futuro”, segundo informou a CIVCSVA em um comunicado.

Os objetivos da reunião são “conhecer e dar a conhecer melhor o grande mosaico da vida consagrada, viver a comunhão redescobrindo o único chamado na diversidade das formas (Ordo Virginum, vida monástica, Institutos apostólicos, Institutos seculares, novos Institutos e novas formas de Vida Consagrada), começar juntos o caminho no grande Jubileu da Misericórdia que entrega mais uma vez a todos os consagrados o mandato específico da sua vocação: ser o rosto da misericórdia do Pai, testemunhas e construtores de uma fraternidade vivida autenticamente”, lê-se na nota.

O programa prevê que no dia 29 de janeiro, todos os consagrados e consagradas reúnam-se na Sala Paulo VI da Cidade do Vaticano. Além do mais, nos dias 30 e 31, cada forma de vida consagrada terá uma reunião em cinco lugares diferentes de Roma, para aprofundar sobre alguns aspectos específicos da sua vocação.

No dia 1º de fevereiro, de novo na sala Paulo VI, o Santo Padre receberá os participantes em uma audiência, e estes também participarão pela tarde no Oratório “Nos passos da beleza”, dirigido por Monsenhor Marco Frisina.

O encontro terminará no dia 2 de fevereiro com a peregrinação jubilar matutina e com a celebração eucarística vespertina para a XX Jornada Mundial da Vida Consagrada, que será presidida pelo Pontífice.

O Ano da Vida Consagrada foi convocado pelo Papa Francisco, em novembro de 2014, no final de uma reunião com 120 superiores gerais dos Institutos masculinos e acolhendo a sugestão dos responsáveis da CIVCSVA, depois de ouvir muitos religiosos.

A iniciativa foi concebida no contexto da comemoração do 50º aniversário do Concílio Vaticano II e, em particular, no aniversário da publicação do decreto conciliar Perfectae caritatis.

Por Zenit

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

quinta-feira, 14 de janeiro de 2016

O fundamentalismo ateu



Voltávamos,Francisco Rezeke eu, de uma posse acadêmica em Belo Horizonte, quando ele utilizou a expressão “fundamentalismo ateu” para referir-se ao ataque orquestrado aos valores das grandes religiões que vivemos na atualidade.

Lembro-me de conversa telefônica que tive com o meu saudoso e querido amigo Octávio Frias, quando discutíamos um editorial que estava para ser publicado, sobre Encíclica do Papa João Paulo II, do qual discordava quanto a alguns temas. Argumentei que a Encíclica era destinada aos católicos e que quem não o era, não deveria se preocupar. Com sua inteligência, perspicácia e bom senso Frias manteve o editorial, mas acrescentou a observação de que o Papa, embora cuidando de temas universais, dirigia-se, fundamentalmente, aos que tinham a fé cristã.

Quando fui sustentar, pela CNBB, perante a Suprema Corte, a inconstitucionalidade da destruição de embriões para fins de pesquisa científica - pois são seres humanos, já que a vida começa na concepção -, antes da sustentação fui hostilizado, a pretexto de que a Igreja Católica seria contrária a Ciência e que iria falar de religião e não de Ciência e de Direito. Fui obrigado a começar a sustentação informando que a Academia de Ciências do Vaticano tinha, na ocasião, 29 Prêmios Nobel, enquanto o Brasil até hoje não tem nenhum, razão pela qual só falaria de Ciência e de Direito. Mostrei todo o apoio emprestado pela Academia às experiências com células tronco adultas, que estavam sendo bem sucedidas, enquanto havia um fracasso absoluto nas experiências com células tronco embrionárias. E, de lá para cá, o sucesso com as experiências, utilizando células tronco adultas, continua cada vez mais espetacular. Já as pesquisas com células embrionárias permanecem no seu estágio “embrionário”.

Trago estas reminiscências, de velho advogado provinciano, para demonstrar minha permanente surpresa com todos aqueles que, sem acreditarem em Deus, sentem necessidade de atacar permanentemente os que acreditam nos valores próprios das grandes religiões, que como diz Toynbee,em seu “Estudoda História”, terminaram por conformar as grandes civilizações. Por outro lado, Thomas E. Woods Jr., em seu livro “Como a Igreja Católica construiu a civilização Ocidental” demonstra que, além dos fantásticos avanços na Ciência realizados por sacerdotes cientistas, a Igreja ofereceu ao mundo moderno o seu maior instrumento de cultura e educação, ou seja, a Universidade.

Aos que direcionam esta guerra atéia contra aqueles que vivenciam a fé cristã e cumprem seu papel, nas mais variadas atividades, buscando a construção de um mundo melhor, creio que a expressão do ex-juiz da Corte de Haia é adequada. Só não se assemelham aos “fundamentalistas” do Próximo Oriente, porque não há terroristas entre eles.

Num Estado, o respeito às crenças e aos valores de todos os segmentos da sociedade é a prova de maturidade democrática, como, aliás, o constituinte colocou, no artigo 3º, inciso IV, da C.F, ao proibir qualquer espécie de discriminação.

*IVES GANDRA DA SILVA MARTINS, é advogado tributarista, professor e prestigiado jurista brasileiro; acadêmico das: Academia Internacional de Cultura Portuguesa, Academia Cristã de Letras e Academia de Letras da Faculdade de Direito da USP; Professor Emérito das universidades Mackenzie, CIEE/O, ECEME e Superior de Guerra - ESG; Professor Honorário das Universidades Austral (Argentina), San Martin de Porres (Peru) e Vasili Goldis (Romênia); Doutor Honoris Causa da Universidade de Craiova (Romênia) e Catedrático da Universidade do Minho (Portugal). 
Por Zenit

quinta-feira, 7 de janeiro de 2016

Como adminstrar o tempo que nos é dado



O ritmo da vida é fonte de vitalidade para todos. Somos humanos e necessitamos diversificar as atividades, alternando trabalho e descanso, tempo para estar com os outros e tempo para refletir e aprofundar pessoalmente os valores que norteiam nossas escolhas. No entanto, é cada vez mais comum encontrar pessoas agitadas, por não saberem administrar bem o tempo que lhes é dado. Podemos também ficar de tal forma absorvidos pelas eventuais expectativas geradas pela maciça comunicação que nos envolve, a ponto de perdermos a visão do conjunto e do sentido profundo da vida.
 
Para muitos, o tempo agora é de férias. Outros tantos continuam o trabalho diário que não foi interrompido. Para todos, é tempo de viver o momento presente, aprendendo com as eventuais demoras de Deus, que muitas vezes nos deixam agitados. A Palavra de Deus dá indicações precisas: “Tudo tem seu tempo. Há um momento oportuno para cada coisa debaixo do céu: tempo de nascer e tempo de morrer; tempo de plantar e tempo de arrancar o que se plantou; tempo de matar e tempo de curar; tempo de destruir e tempo de construir; tempo de chorar e tempo de rir; tempo de lamentar e tempo de dançar; tempo de espalhar pedras e tempo de ajuntá-las; tempo de abraçar e tempo de se afastar dos abraços; tempo de procurar e tempo de perder; tempo de guardar e tempo de jogar fora; tempo de rasgar e tempo de costurar; tempo de calar e tempo de falar; tempo do amor e tempo do ódio; tempo da guerra e tempo da paz” (Ecl 3, 1-8). Infelizmente, em tantas partes do mundo e em nossas cidades, parece prolongar-se o tempo da violência e da guerra, depredações, conflitos alimentados, agressões aos mais pobres. Entretanto, a prudência e a atenção para viver bem cada momento presente, dedicando-o a amar a Deus e ao próximo, oferecem os elementos necessários ao discernimento do que fazer diante da vida.

Os acontecimentos trazem em seu bojo a desafiadora presença do bem e do mal, exigindo justamente o discernimento em vista de opções corretas. Seria simplista e injusto olhar ao redor, identificando a presença da maldade e do pecado em quem pensa ou age diferente de nós. A linha divisória não passa perto de mim, mas dentro do meu coração, que é capaz do melhor e do pior. Nossa pressa em arrancar o mal não corresponde ao modo de agir de Deus, com sua incrível paciência diante das falhas das pessoas. É até fácil desejar que Deus mande um fogo do Céu para assustar os ímpios e malvados, ou, quem sabe, utilizar palavras da Bíblia para ameaçar os que não aderem ao nosso modo de ver as coisas. Até a promessa da volta do Senhor, por vezes é utilizada para ameaçar, enquanto a proposta da salvação, à qual todos são destinados, passa pela magnífica e desafiadora realidade da liberdade humana. Ninguém seja constrangido a aderir a Deus por medo do tempo que se completa, mas acolha de coração aberto o que Ele oferece, justamente porque é o melhor que possa existir.
  
Atitude madura pode ser o reconhecimento de nossos defeitos, aliado ao trabalho diário de conversão. Um bom exame de consciência proporciona a mudança progressiva, feita de propósitos simples, adequados à capacidade de cada pessoa. O diálogo com pessoas respeitosas e seguras contribui para uma visão mais crítica a respeito do próprio comportamento, com a coragem para dar nome àquilo que é certo ou errado, sem agressividade e violência. Depois, levar nossos pecados ao tribunal da penitência, cuja sentença é sempre o perdão, antecipa o juízo de Deus, pois o Senhor sempre aproveita a oportunidade para proclamar sua misericórdia. Afinal de contas, Deus só sabe amar e perdoar!
  
E diante da avassaladora presença do mal em nossa sociedade? Denunciá-lo com segurança, ter a coragem de dizer onde se encontra a corrupção e a mentira. Mais exigente ainda do que a coragem é a conquista do pecador, a forma prudente e sábia com a qual se enfrentam os problemas. Não faltam as denúncias e protestos em nosso mundo, mas a seriedade dos que acusam e a dignidade dos que podem mudar algo. Certamente os atos de cidadania e serviço podem contribuir para que o ambiente social melhore, edificando pouco a pouco uma vida diferente, chamada paz, tarefa que o Papa Francisco considera “artesanal”, pois é construída com a fidelidade do cotidiano!

Dom Alberto Taveira Côrrea, Arcebispo Metropolitano de Belém do Pará