“Paulo foi derrubado para
ser cegado;
foi cegado para ser mudado;
foi mudado para ser
enviado;
foi enviado para que a
verdade aparecesse”
(Santo Agostinho)
Saulo era o seu
nome até o momento de sua conversão ao cristianismo. Sendo filho de pai judeu,
Paulo recebeu rigorosa formação religiosa, tornando-se desde a mocidade num
ferrenho fariseu (At 26,5) perseguidor dos cristãos, que “devastava a Igreja:
entrando pelas casas, arrancava homens e mulheres e metia-os na prisão” (At
8,3). Ainda como jovem, Paulo presenciou e aprovou o apedrejamento de Santo
Estevão (At 8, 1).
Como entender,
então, a conversão de um homem de coração tão duro, tão cheio de culpa e tão
grande perseguidor dos cristãos e contestador da fé em Cristo? Mistério
insondável da misericórdia e amor de Deus que em não poucas vezes converteu
pecadores, transformando-os em arautos do Evangelho e exemplos de santidade.
Deus é verdadeiramente surpreendente e, de fato, como lemos na Bíblia, seus
pensamentos e caminhos não são nem os nossos nem como os nossos. Saulo, o
bárbaro perseguidor da Igreja, se transformou em Paulo, o “Apóstolo” por
excelência, o maior pregador do Evangelho aos pagãos, o chamado “doutor das
nações”, que, juntamente com Pedro, compõe as duas principais colunas da Igreja
Católica.
É o próprio Paulo
quem explica, na doutrina que expõe em suas Epístolas, que sua conversão se deu
pelo poder da graça de Deus, somente ela capaz de operar o milagre nele
manifestado e outros iguais ou maiores do que este.
Conforme se pode
ler especialmente em At 22, 3-16, a conversão de Paulo foi realmente milagrosa:
- porque Jesus mesmo foi quem a fez: “Saulo, Saulo, por que me persegues?... Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem persegues... Levanta-te. Vai a Damasco. Lá te será dito tudo o que te importa fazer”.
- pela maneira como se deu a conversão: Enquanto estava a caminho de Damasco, ao meio dia, uma grande luz vinda do céu envolveu Paulo tão fortemente que o derrubou do cavalo, deixando-o cego.
- pelo comportamento do próprio convertido:
- porque Jesus mesmo foi quem a fez: “Saulo, Saulo, por que me persegues?... Eu sou Jesus, o Nazareno, a quem persegues... Levanta-te. Vai a Damasco. Lá te será dito tudo o que te importa fazer”.
- pela maneira como se deu a conversão: Enquanto estava a caminho de Damasco, ao meio dia, uma grande luz vinda do céu envolveu Paulo tão fortemente que o derrubou do cavalo, deixando-o cego.
- pelo comportamento do próprio convertido:
Paulo, tendo caído por terra
e ouvido aquela voz de Cristo, só pôde exclamar: “Quem és Tu, senhor?... Que
devo fazer, Senhor?” Deixar-se seduzir pelo Senhor é também uma graça, da qual
Paulo foi acolhedor.
Como se lê no profeta: “Seduziste-me, Senhor, e eu me deixei seduzir por ti; tu te tornaste forte demais para mim, tu me dominaste” (Jr 20, 7). A conversão é sempre uma comunicação primeira de Deus, uma iniciativa do Senhor que não depende de nossos esforços, nem podemos retê-la por mais tempo. É puro dom de Deus, que dá quando e como quer. É claro que é possível rejeitá-la e dizer não, pois Deus respeita a nossa liberdade. Eis o que diz o Espírito de Deus: “Quanto a mim, repreendo e educo todos os que amo. Recobra, pois, o fervor e converte-te! Eis que estou à porta e bato: se alguém ouvir minha voz e abrir a porta, entrarei em sua casa e cearei com ele, e ele comigo” (Ap 3, 18-20). Abrir a porta é a iniciativa que cabe a nós tomar, na liberdade, como uma resposta consciente e pessoal.
Essa experiência
forte de Deus definiu a vida de tantos santos e santas. Basta lembrar a
conversão de Santo Agostinho, depois de um processo duro e longo de lutas
interiores e reflexões intelectuais. Até que um dia pode exclamar: “Tarde te
amei! Beleza tão nova e tão antiga! Estavas comigo e eu não estava contigo.
Chamaste, gritaste, feriste a minha surdez. Brilhaste com fulgores, varreste
minha cegueira, exalaste teu perfume, e eu respirei e fui a teu encalço.
Saboreei-te: tenho fome e sede. Tocaste-me: inflamei-me pela paz que me deste.
Minha vida se encherá de ti, ó Vida!” (Confissões de Santo Agostinho).
Como não se
lembrar também da conversão de São Francisco operada pelo Senhor quando da
experiência do abraço ao leproso e da escuta da voz do Crucificado, na Capela
de São Damião, que lhe disse: “Francisco, restaura a minha Igreja, que como vês
está em ruínas”. Em seu Testamento, Francisco confessou que foi a partir dessa
experiência do encontro com Cristo e o pobre que a sua vida mudou: “Desde então
tudo o que antes era para mim amargo tornou-se doce e, não demorou muito, eu
deixei as seduções do mundo para somente seguir os passos de Nosso Senhor Jesus
Cristo”.
Não terá sido
diferente para nós a experiência da conversão, da comunicação de Deus em nossa
vida, na nossa história pessoal. O Senhor está sempre muito perto de nós, à
nossa porta e quer entrar. Importa, como nos diz o profeta Isaías: “buscar o
Senhor, enquanto se deixa encontrar; invocá-lo enquanto está perto” (Is 55, 6).
Se assim agirmos, então, tudo pode acontecer de novo, e tudo se renovar: “Se
alguém me ama e guarda minha palavra, o Pai o amará e viremos e nele faremos
morada (a Trindade Santa)” (Jo 14, 23).
São Paulo se
transformou em exemplo vivo, para as horas difíceis e decisivas de nossa
existência. Comemoramos pois, hoje, com solenidade, a sua conversão. Ele
próprio confessa, por diversas vezes, que foi perseguidor implacável das
primeiras comunidades cristãs. Por causa disso atribuiu a si mesmo o título de
"o menor entre os Apóstolos" e, ainda, de "indigno de ser
chamado Apóstolo". A visão de Estevão apontando para os céus abertos e Filho
do Homem, o Cristo, aí reinando, domina a vida toda do Apóstolo dos gentios,
Paulo de Tarso.
Além das grandes e
contínuas viagens apostólicas e das prisões e sofrimentos por que passou,
devemos a este Santo, que se auto denomina "servo de Cristo", a
revelação da mensagem do Salvador, ou seja, as 14 Epístolas ou Cartas. Elas
formam como que a Teologia do Novo Testamento, exposta por um Apóstolo. Jamais
apareceu outro homem sobre a terra que fundamentasse tão bem a nossa fé em
Cristo, presente na História, como também, presente em nossa própria
existência. Foi São Paulo quem o fez de maneira insuperável.
Toda pessoa é
orientada pela Providência de Deus. Mas, também, toda cidade recebe um destino
e uma missão que deve cumprir, com o auxílio da graça e com a intercessão dos
santos. Na contemplação dos heróis do cristianismo, os Santos, comemoramos hoje
solenemente àquele que deu o nome à maior metrópole da América Latina. Parabéns
a cidade de São Paulo.
São Paulo de
Tarso, apóstolo dos gentios, Doutor das nações, rogai por nós!
Fábio Christiano
Oração ao Apóstolo São Paulo
Ó São Paulo, Patrono de nossa Arquidiocese,
discípulo e missionário de Jesus Cristo: ensina-nos a acolher a Palavra de Deus
e abre nossos olhos à verdade do Evangelho. Conduze-nos ao encontro com Jesus, contagia-nos
com a fé que te animou e infunde em nós coragem e ardor missionário, para
testemunharmos a todos que Deus habita esta Cidade imensa e tem amor pelo seu
povo! Intercede por nós e pela Igreja de São Paulo, ó santo apóstolo de Jesus
Cristo! Amém.