segunda-feira, 24 de março de 2025

Papa mostra que a vida também é marcada pela fragilidade, diz cardeal Paglia

Dom Vincenzo Paglia na Sala de Imprensa da Santa Sé, no Vaticano, em 4 de fevereiro de 2015 ??

"O Santo Padre nos mostrou que a vida também é marcada pela fragilidade, e que a fragilidade não deve ser rejeitada, não deve ser descartada", disse o presidente da Pontifícia Academia para a Vida (PAV), dom Vincenzo Paglia, na apresentação da conferência internacional sobre longevidade promovida pela Santa Sé.

O papa esteve internado de 14 de fevereiro até ontem (23) no Hospital Policlínico Agostino Gemelli.

A conferência Cúpula de Longevidade do Vaticano: desafiando o relógio do tempo, organizada pela Pontifícia Academia para a Vida, discute o envelhecimento a partir de uma perspectiva ética, científica e social.

Na apresentação do evento, o arcebispo italiano destacou que o papa Francisco, de 88 anos, propôs em sua convalescença no Hospital Policlínico Agostino Gemelli, que agora continuará pelos próximos dois meses no Vaticano, "um magistério extraordinário não com palavras, mas com o corpo, e nos diz a todos que somos todos irmãos e irmãs, que devemos cuidar uns dos outros".

"Alguém disse que o papa não fala; Ele não fala com a boca, porém o ensinamento que ele nos deu nesses dias no hospital com o uso do corpo é uma grande demonstração da importância dos idosos que não conseguem sair da doença", disse dom Paglia.

Para o presidente da Pontifícia Academia para a Vida, o papa Francisco "nos lembra que a voz dos frágeis é uma voz que deve nos ensurdecer, porque nos lembra que não somos órfãos".

O arcebispo disse que o papa Francisco, "com sua atual fraqueza física, está mostrando que as pessoas mais velhas e mais fracas ainda podem dar muito à sociedade e não devem ser marginalizadas".

Dom Paglia disse também que o papa Francisco é "o primeiro papa na história que está comprometido com uma espiritualidade dos idosos".

"Com suas poucas palavras na oração do meio-dia de domingo, Francisco mostrou que está comprometido com a proximidade com o próximo", disse também o presidente da PAV.

Respondendo a um jornalista sobre a conveniência de estabelecer um limite de idade para o cargo de papa, dom Paglia ressaltou que, ao longo da história da Igreja, sempre houve papas que tiveram que lutar contra doenças.

Assim, o arcebispo convidou os fiéis a não ver o papado só no "nível funcional".

"A Igreja não se guia pelos pés, mas pela cabeça e, sobretudo, pelo coração", disse também o presidente da PAV.

"Acho que o papa Francisco realmente representa o que achamos que deve acontecer com todos os idosos", disse o arcebispo italiano que liderou um movimento na Itália para considerar o envelhecimento não só como um fenômeno biológico, mas como uma oportunidade para valorizar os idosos na sociedade.

Victoria Cardiel 

sexta-feira, 14 de março de 2025

Jesus quis ser tentado

Tentação de Cristo – Wikipédia, a enciclopédia livre

Após ter sido batizado por São João Batista, Nosso Senhor foi conduzido pelo Espírito Santo ao deserto, situado entre o Rio Jordão e a cidade de Jericó, a fim de ser tentado pelo demônio.

Três tentações

Lá chegando, Jesus se pôs em oração e fez um jejum total, ficando durante 40 dias e 40 noites sem comer nem beber. No final desse período, o demônio apareceu e Lhe disse:

“Se és Filho de Deus, manda que estas pedras se transformem em pães! Mas Jesus respondeu: ‘Está escrito: Não só de pão vive o homem, mas de toda palavra que sai da boca de Deus'” (Mt 4, 3-4).

Então, o demônio levou-O a Jerusalém, colocou-O no pináculo do Templo e afirmou:

“Se és Filho de Deus, lança-Te daqui abaixo! Porque está escrito: ‘Deus dará ordens aos seus Anjos a teu respeito, eles Te levarão nas mãos, para que não tropeces em alguma pedra’. Jesus lhe respondeu: ‘Também está escrito: Não tentarás o Senhor teu Deus!'” (Mt 4, 6-7).

Por fim, o diabo conduziu Jesus ao topo de um monte muito alto, mostrou-Lhe todos os reinos do mundo e sua glória, e declarou:

"Eu Te darei tudo isso, se Te ajoelhares diante de mim, para me adorar.’ Jesus lhe disse: ‘Vai-te embora, satanás, porque está escrito: Adorarás ao Senhor teu Deus e somente a Ele prestarás culto’. Então o diabo O deixou. E os Anjos se aproximaram e serviram a Jesus” (Mt 4, 9-11).

Afirma São Tomás de Aquino que Cristo retirou-Se para o deserto, “como a um campo de batalha, com o fim de ser ali tentado pelo diabo”.

Esse acontecimento foi prefigurado por Moisés, que ficou em total jejum por 40 dias e 40 noites, antes de receber de Deus as tábuas da Lei (cf. Ex 34, 28). E também pelo Profeta Elias, o qual caminhou pelo deserto durante o mesmo período até chegar ao Monte Sinai (cf. I Rs 19, 8).

Contraste entre Adão e Jesus Cristo

Ao contrário de Nosso Senhor Jesus Cristo, que rechaçou o demônio, Adão cedeu ao maligno quando cometeu o pecado original. Ele perdeu aquilo que o demônio prometera: “sereis como Deus” (Gn 3, 5).

“Pois com o pecado a vida divina se extinguiu em sua alma, enquanto se tivesse correspondido ao mandado do Senhor receberia um acréscimo de felicidade, manteria o estado de graça e teria feito notável progresso na vida espiritual. Portanto, aquilo que o tentador fingia querer dar foi justamente o que lhe roubou.

“A Nosso Senhor ele ofereceu o serviço dos Anjos e todos os tesouros da Terra, coisas que era incapaz de conceder, mas que foram entregues a Jesus-Homem junto com a realeza sobre toda a humanidade e sobre a ordem da criação, por ter vencido satanás e ter abraçado os tormentos do Calvário.

“Eis um princípio que deve nortear constantemente a nossa vida, até a hora da morte: nunca podemos dialogar com o demônio, criatura maldita que sempre tira aquilo que promete. Devemos encerrar qualquer conversa com ele logo no início, com o apoio da Palavra de Deus, à imitação de Nosso Senhor Jesus Cristo.”

Comenta o grande exegeta Fillion: “Adão, vencido pela serpente e expulso do Paraíso terrestre, tinha visto os Anjos fecharem a porta de entrada dele. O Filho do homem vitorioso vê o deserto se transformar em Éden, e os espíritos bem-aventurados se aproximarem d’Ele para servi-Lo.”

A tentação é um benefício

O que vem a ser a tentação? “Chama-se propriamente tentação tudo aquilo que instiga o homem ao pecado.”
Deus permite que o demônio nos tente, “com vistas ao nosso benefício, para nos dar oportunidade de adquirir força, experiência e sagacidade na luta contra ele, e, derrotado este, outorgar-nos o prêmio de não ter cedido […]

“As tentações nos obtêm, sobretudo, méritos para a eternidade. Tanto o santo quanto o pecador são tentados, e às vezes o primeiro mais que o segundo, a julgar pelo modo atroz com que satanás investiu contra Nosso Senhor.

“A grande diferença entre ambos é que um recusa as solicitações e o outro se rende. Logo, ser tentado não é um desastre, pelo contrário, pode ser até um bom sinal.

“De nossa parte é preciso não consentir e, para isso, apoiemo-nos no auxílio divino, pois seria uma insensatez concebermos nossas qualidades como o fator essencial na luta contra o demônio, o mundo e a carne.”

Quando uma pessoa em estado de graça cede à tentação e comete um pecado mortal, ela expulsa Deus de sua alma e se joga nas garras do demônio; se não se arrepender e continuar nessa via, ela pode chegar até mesmo a adorar o príncipe das trevas.

Eis o que ensina São João Bosco:

“Se alguém quiser dar-nos o mundo inteiro para levar-nos a adorar satanás, isto é, a cometer um só pecado, recusemos com horror qualquer oferecimento.”

Peçamos a Nossa Senhor, terror dos demônios, que nos proteja continuamente contra as insídias do maligno, compenetrados de que é preferível morrer a cometer um pecado grave.

Por Paulo Francisco Martos

domingo, 9 de março de 2025

sexta-feira, 21 de fevereiro de 2025

O valor de nossos atos

 Comunidade Católica Pequeno Rebanho: Confiar e sondar

Como saber se nossos atos atraem ou repelem a Deus?

A resposta nos vem do livro do profeta Jeremias, o qual, na primeira leitura, adverte sobre um importante aspecto a ser considerado, a saber: em quem depositamos a nossa confiança?

Maldito o homem que confia no homem

Com efeito, lê-se logo no início do trecho: “Maldito o homem que confia no homem”; ora, a afirmação pronunciada pelo próprio Deus causa certo sobressalto, pois sendo o homem um ser sociável, que necessita ajudar e ser ajudado, a confiança em seus semelhantes é indispensável para o bom andamento da sociedade, sob pena de a vida tornar-se insustentável.

Por um lado, todos sabemos que o ser humano é frágil e volúvel, suas decisões cambaleiam e, por vezes, vemos verdadeiros “astros” que cintilavam no céu despencarem do firmamento e precipitarem-se nos abismos, levando consigo sonhos falsos e ilusões…

Mas há uma realidade mais profunda que toca no âmago da alma de qualquer pessoa e que deita luz ao problema: confiamos no homem ou em Deus? Ou seja, confiamos em nós mesmos ou em Deus?

O desejo da autorrealização

É muito fácil dizer “eu confio em Deus”, o difícil é viver. Na alma humana, há uma tendência natural de buscar estabilidade e segurança. Porém, não raras vezes, a solução deste anseio está em querer sentir-se “dono da situação”, dono de si mesmo e dono dos outros. Entenda-se bem que isso não significa ser inadimplente no cumprimento de nossos deveres, deixando de lado a dedicação que nos cabe, mas, pelo contrário, as verdadeiras realizações na vida se dão quando colocamos a Deus como início e fim de nossos atos.

Ele é a medida de tudo o que devemos fazer; qualquer desejo ou ato que não esteja de acordo com Deus e seus mandamentos deve ser banido em nosso proceder.

Ninguém é dono de si, todos nós pertencemos a Deus. Entretanto, o homem, corrompido pelos efeitos do pecado original, deseja muitas vezes realizar-se por suas próprias forças, prescindindo do auxílio alheio, seja dos homens ou do próprio Deus. Ora, quem assim age atrai sobre si a censura divina: “Maldito o homem que confia no homem”.

É feliz quem a Deus se confia!

Se, por um lado, a vida dos que confiam em sua própria natureza é como um cardo no deserto que vegeta infrutífero na secura do ermo, por outro, aqueles que põem sua esperança no Senhor são como árvores plantadas junto às águas que não temem a chegada do calor. São dotados de uma força sobrenatural, pois puseram sua confiança em Deus. Por isso diz o Salmo: “É feliz quem a Deus se confia!”

No Evangelho, Nosso Senhor Jesus Cristo sintetiza os dois modos de viver, apresentando como cada qual será tratado pelo mundo: os que se fiam na carne – assim como os falsos profetas – gozarão de fartura e estima. No entanto, a promessa da Bem-Aventurança paira sobre aqueles que confiam em Deus: poderão ser incompreendidos pelo mundo, mas grande será a recompensa deles nos Céus.

Peçamos, pois, à Santíssima Virgem – Ela, que nunca confiou em suas próprias qualidades – a graça de vivermos de modo virtuoso, para que o Pai, o Filho e o Espírito Santo possam habitar em nós.

Entreguemos, portanto, nossas vidas nas mãos de Maria, pois aqueles que n’Ela põem sua esperança são como uma árvore plantada junto às águas, não temerão a chegada do calor, não sofrerão míngua em tempo de seca e jamais deixarão de dar frutos!

 Por Rodrigo Siqueira

quarta-feira, 5 de fevereiro de 2025

Pensadores católicos defendem agenda moral para o futuro da tecnologia