domingo, 29 de março de 2026

Reflexão para o Domingo de Ramos

 Por que Jesus chegou montado em um jumentinho na sua entrada triunfal?

Jesus entra em Jerusalém, montado em um jumentinho. Isso significa que entra na cidade que é sua para fazer com toda a Humanidade, uma missão de paz, ainda que essa paz tenha como preço sua própria vida.  

O Senhor é aclamado como se faz a um general romano ou a um herói egípcio quando de sua chegada a sua cidade, à sua terra, após uma gloriosa vitória. 

Apenas algumas diferenças: o Senhor ainda vai consumar sua luta e, enquanto os vencedores trazem consigo o espólio dos vencidos e os próprios vencidos como troféus,  será o Senhor o próprio espólio, o grande serviçal, o escravo de todos nós.

Esse gesto nos recorda um trecho da segunda leitura de hoje, da Carta de São Paulo aos Filipenses, que diz: “Não deveis fazer nada por egoísmo, ou para sentir-vos superiores aos outros, mas cada um de vós, com toda a humildade, considere os outros superiores a si mesmo, ninguém procure o próprio interesse, mas antes o dos outros.” O Senhor buscou apenas o nosso interesse, ou melhor, o interesse do Senhor é a nossa salvação.

Jesus entra em Jerusalém, montado em um jumentinho. Isso significa que entra na cidade que é sua para fazer com toda a Humanidade, uma missão de paz, ainda que essa paz tenha como preço sua própria vida.

Cristo entra em Jerusalém para entregar-se como oferta ao Pai, em nome de cada um de nós. Ele se coloca em nosso lugar e sofre as consequências que nosso egoísmo, nossa falta de amor e de perdão ocasionaram. Ele é o verdadeiro cordeiro pascal, a verdadeira vítima. Seu corpo é o pão e seu sangue é o vinho. Somos redimidos, para sempre, por seu sangue derramado de fato, Jesus Cristo é o cordeiro de Deus que tira os pecados do mundo.

Outro ensinamento, agora colhido da leitura da Paixão, este ano, a de São Mateus, é sobre a retaliação e a paz . Jesus impede que Pedro continue sua ação de punir o soldado que o ofendera e diz a ele: “Guarde a espada na bainha!” e cura Malcolm. Somos filhos da paz! Nosso Rei é o Principe da Paz, o Pacificador.

Que este início da Semana Santa nos comprometa com o projeto de Jesus para nós. Sejamos irmãos, sejamos filhos do mesmo Pai de nosso Senhor.

Que a humildade e a paz sejam nossos tesouros, recebidos através do sacrifício redentor do Filho de Deus!

Nossa libertação do egoísmo e da ira, da raiva, custou o sangue inocente de Jesus.

Valorizemos, com gratidão e amor, o sacrifíco do Senhor por nós.

Vatican News 

sexta-feira, 20 de março de 2026

Pasolini: o Evangelho não se anuncia para vencer, mas para encontrar

Na Sala Paulo VI, o pregador da Casa Pontifícia reflete sobre São Francisco e lembra que anunciar Cristo com humildade, e não com superioridade, é a verdadeira autoridade na evangelização.

A nossa autoridade não nasce do nosso cargo, mas de uma vida que aceita entrar nesse dinamismo de amor. Foi o que Francisco intuiu ao chamar seus frades de “menores”: atribuindo-lhes não um título, mas um modo concreto de estar no mundo. É justamente essa pequenez, essa humildade vivida, que torna fecundo o anúncio do Evangelho.  

A missão, cumprimento da conversão e da fraternidade, nasce “do desejo de compartilhar com os outros a experiência e o anúncio do Evangelho”, mas tudo provém da Palavra. “Não se pode falar verdadeiramente, afirma padre Pasolini, daquilo que ainda não criou raízes na própria vida”.

Papa Leão XIV acompanhou a meditação da quaresma
Papa Leão XIV acompanhou a meditação da quaresma   (@Vatican Media)

Não se pode permanecer “abrigado”, mas “é preciso paciência: guardar aquilo que vimos e ouvimos, deixá-lo amadurecer na oração, até que, sublinha, se torne vida antes mesmo de se tornar palavra”. Atenção à tentação de “usar as coisas de Deus para buscar aprovação ou reconhecimento”: é preciso proteger o que é precioso, deixá-lo amadurecer e depois transformá-lo em testemunho.

“Cristo não é uma informação a ser transmitida, mas um mistério que habita a humanidade e pede para ser reconhecido, para que possa emergir na vida. O Evangelho não se comunica como uma simples notícia; oferece-se como uma vida que lentamente toma forma.”

Padre Pasolini recorre a um exemplo eficaz para explicar como a presença de Deus no coração humano transforma a vida e a relação com os outros: “É a experiência de uma mãe: primeiro ela traz o filho dentro de si, dá-lhe tempo para crescer, e só depois o dá à luz. Assim também é a fé. Primeiro Cristo ocupa espaço dentro de nós, em silêncio, na oração, nas escolhas cotidianas. E só depois pode aparecer exteriormente, nos gestos e na forma como nos relacionamos com os outros”.

Partir sem seguranças, preparando um encontro que o próprio Jesus deseja realizar. “Não somos nós o centro do anúncio, explica o capuchinho, mas o rosto de Deus que podemos, com simplicidade, tornar transparente e acessível”. É um movimento claro: deixar-se acolher e depois anunciar, reconhecendo o valor do outro. “Significa levar a sério a sua humanidade, a sua capacidade para o bem, a sua disponibilidade”.  

Para isso é necessária “uma pobreza real”, ressalta o pregador: “apresentar-se sem ter tudo e sem controlar tudo, aceitar depender também da bondade e da sensibilidade dos outros, e perceber que o Reino de Deus já está presente, de maneira oculta, também na vida de quem ainda não o conhece”. 

Evangelizar, nessa perspectiva, significa dizer aos outros, mesmo sem dizer nada, que é bom que existam, que a sua vida tem valor. Não para confirmá-los simplesmente no que já são, mas para acompanhá-los a reconhecer, pouco a pouco, a verdade e a beleza que carregam dentro de si, sem pressa de conduzi-los às nossas ideias.

Reconhecer no outro a presença de Deus e aproximar-se com respeito: estas são as condições essenciais para o diálogo. “Não se trata apenas de saber falar, mas antes de tudo de saber escutar. E, quando chegar o momento, saber comunicar as palavras de esperança que vêm de Deus”. Não dar respostas imediatas, mas saber esperar pelas perguntas, porque é Deus quem “completa o nosso pobre testemunho”. 

Benedetta Capepelli - Vatican News

 

segunda-feira, 2 de março de 2026

Bullying

 

O bullying, uma das mais graves formas de violência no convívio humano, afeta especialmente crianças e adolescentes em idade escolar. Esse assédio contínuo ganhou proporções alarmantes com a expansão das redes sociais nos últimos anos. Antigamente, o fim das aulas representava um alívio psicológico para as vítimas, um momento de pausa no sofrimento. Hoje, o assédio se estende pelas 24 horas do dia, todos os dias da semana, eliminando qualquer refúgio. Ele se estabeleceu na sociedade e na mídia de maneira definitiva.

As consequências psicológicas são devastadoras: baixa autoestima, depressão, ansiedade, autolesões e, em casos extremos, tentativas de suicídio. Além disso, há impactos diretos no desempenho escolar. O aluno começa a faltar às aulas com frequência, o que, na maioria das vezes, evolui para o abandono definitivo dos estudos. A criança ou adolescente que antes demonstrava entusiasmo e disposição para frequentar a escola passa a rejeitar completamente esse ambiente. Ele evita sair de casa, isola-se cada vez mais e adota uma postura retraída, fechada e distante.

A reconhecida organização Libres de Bullying, fundada pela psicopedagoga argentina María Zysman com o propósito de prevenir, detectar e intervir em casos de bullying no ambiente escolar, alerta que essa forma de violência pode ocorrer em qualquer espaço de convívio entre crianças e jovens: na escola, no clube esportivo, em centros de educação não formal ou mesmo online. “Crianças ou adolescentes decidem, de forma mais ou menos explícita, isolar um colega. Para alcançar esse objetivo, buscam, e conseguem, humilhá-lo por meios emocionais, verbais, simbólicos ou físicos”.

Os agressores excluem ou isolam a vítima do grupo, impedindo-a de participar de atividades coletivas; utilizam apelidos pejorativos, insultos, zombaria, agressões verbais, emocionais, simbólicas ou físicas, inclusive danificam objetos pessoais da vítima.

Cyberbullying

Com o avanço da tecnologia, surge o cyberbullying, que amplifica o problema: por meio de chats, e-mails, redes sociais ou sites, os agressores espalham rumores falsos, fotos ou vídeos humilhantes. Diferentemente do bullying presencial, o cyberbullying deixa marcas permanentes — o conteúdo fica registrado na internet, acessível a qualquer momento, prolongando o sofrimento da vítima indefinidamente e intensificando o dano psicológico.

Essa violência, exercida de maneira intencional, gera profundos danos emocionais, psicológicos e até físicos. A intimidação constante do agressor, somada à passividade ou cumplicidade silenciosa dos espectadores (que, por omissão ou aprovação indireta, reforçam o ciclo destrutivo), agrava a situação. As vítimas perdem sua vitalidade, andam deprimidas, de cabeça baixa, com depressão, dores de cabeça ou estômago decorrentes do estresse psicológico, e escondem o problema por medo ou vergonha. Sem deixar de considerar a perda de amigos…

Meninos tendem a sofrer mais bullying físico, enquanto meninas enfrentam com maior frequência o psicológico. Os motivos variam: aparência física, nacionalidade, gênero, deficiência, religião ou qualquer característica que os agressores usem para justificar a perseguição. Trata-se de uma conduta repetida e intencional de um ou mais alunos contra outro, que não consegue se defender sozinho, gerando os efeitos negativos já mencionados.

O bullying é muito mais comum do que se imagina e representa, no âmbito educacional, um dos maiores desafios da atualidade. Focar apenas no rendimento acadêmico, sem priorizar a formação em valores como respeito, solidariedade e caridade fraterna, resulta em uma visão limitada da situação atual da educação e do convívio entre crianças e adolescentes.

De acordo com dados recentes da UNICEF e da Organização Pan-Americana da Saúde, um em cada quatro adolescentes na América Latina sofre bullying escolar, tornando a região uma das mais afetadas pelo problema. Estudos anteriores, como os da ONG Plan International, já apontavam a América Latina como a área com maior prevalência média de casos de bullying. Especializada em direitos da criança, ela estima que 70% das crianças sofreram, direta ou indiretamente, com bullying nos últimos anos. Muitas vítimas tentam esconder a situação, sentindo-se impotentes, envergonhadas, e não querem tornar seu sofrimento público porque temem ser ridicularizadas ou sofrer algo pior.

A UNICEF lista alguns sinais de alerta que podem indicar que uma criança ou adolescente está sendo vítima de bullying:

– Marcas físicas inexplicáveis;

– Medo de ir à escola ou participar de eventos escolares;

– Ansiedade frequente;

– Poucos amigos ou isolamento social;

– Queda no rendimento escolar;

– Busca constante pela proximidade de adultos;

– Dificuldades para dormir;

– Queixas frequentes de dores físicas sem causa aparente;

– Uso excessivo do celular ou internet, com comportamento reservado sobre o que vê;

– Irritabilidade, agressividade ou explosões de raiva.

Apoio familiar e aproximar-se de Deus

María Zysman, fundadora da Libres de Bullying, destaca com preocupação o aumento de casos de suicídio entre crianças e adolescentes, um tema ainda tratado como tabu. Especialistas em saúde mental observam, há anos, um crescimento alarmante de tentativas de suicídio nessa faixa etária. “Muitas vezes pensa-se que o suicídio de uma criança não é possível, mas está aumentando de forma alarmante. Existem várias causas. O bullying pode ser um fator desencadeante, tal como outros, para trazer à tona algo que já estava latente”, afirma María Zysman. Ela também alerta para o cuidado ao divulgar esses tristes casos, “considerando o impacto na vida dos colegas dessas crianças”.

Diante dessa realidade que pode surgir em nosso próprio entorno, o primeiro passo é o apoio familiar: fazer com que a criança ou jovem sinta que não está sozinho. Incentive-o a seguir em frente. Ouvir, conversar e confiar um no outro gera um espaço para o diálogo.

Em muitos casos, é essencial buscar ajuda profissional: acompanhamento psicológico e, se necessário, médico. Quando confirmado o bullying, deve-se informar imediatamente à direção da escola para que medidas sejam tomadas.

Quando os homens se afastam de Deus, pior ainda, quando viram as costas a Deus, as consequências são o desastre que vivemos, e o bullying é uma delas. A humanidade entrou num precipício que, sem a graça de Deus, sem santidade, parece que ninguém poderá deter o seu caminho fatídico.

Que a Virgem Santíssima, Mãe da Misericórdia, proteja todas as crianças, adolescentes e jovens dessa triste “epidemia” do bullying.

Por Pe. Fernando Gioia, EP.