sexta-feira, 5 de abril de 2019

A família não é mais atrativa para os jovens?


O arcebispo da diocese italiana de Campobasso-Bojano, dom Giancarlo Bregantini, é um dos grandes nomes da Igreja no debate sobre as rápidas mudanças antropológicas que afetam o mundo, em especial nos países do Ocidente. Entre os assuntos sob atenta observação do arcebispo os ligados à desagregação da família e suas consequências culturais, sociais, políticas e econômicas.
Algumas das suas considerações para reflexão e debate:
  1. A família hoje não é mais vista como “atrativa” pelas gerações mais jovens. O próprio conceito de família se torna cada vez mais diluído, relativista e distante da noção de comprometimento recíproco entre um homem e uma mulher que se amam, se complementam e, cheios de esperança e entusiasmo, geram vida nova. Dá-se preferência, nessa atual visão descompromissada de “família”, à satisfação das próprias carências, projeções egocêntricas, devaneios sentimentais e instintos hedonistas. A natureza da união matrimonial também é cada vez mais atrelada aos interesses de ideologias políticas do que ao entendimento objetivo da essência da pessoa humana e da sua dimensão relacional.
  2. A queda nos índices de natalidade, que é cada vez mais grave em vários países desenvolvidos, está ligada a uma crise de valores relativos à visão de “sucesso pessoal”, que prioriza as aparências externas de “êxito” e acaba “afetando o olhar para o futuro”: antes de ter filhos, os casais se veem mais forçados a avaliar “riscos e vantagens” do que incentivados a participar, por presente de Deus, na criação e no cuidado da vida humana por amor.
  3. O materialismo, a ganância e a aplicação “selvagem” do capitalismo torna precárias as relações afetivas: o horizonte dos anseios e propósitos individuais é imediatista e carece de confiança na vida, nas instituições e no futuro.
  4. Existe uma grande confusão educacional no coração dos jovens no tocante ao que é a família: quando quaisquer uniões civis são equiparadas, perde o sentido investir em uma família, com todas as dificuldades atuais e futuras envolvidas nesse empreendimento de uma vida inteira. A família deixa de ser vista como atrativa e não é mais mostrada como bela.
  5. Junto com o enfraquecimento do conceito de família, a crise demográfica ameaça ainda mais a sensação de segurança das pessoas, fazendo-as sentir a “precariedade da própria existência”: enquanto diminui o número (e o vigor existencial) dos jovens, aumenta o número (e a angústia) de idosos mais sujeitos à solidão e ao abandono.
  6. Para que haja condições de renascimento da família, são necessárias também medidas concretas de ajuda institucional e política, particularmente em defesa do valor da maternidade, que é um “baluarte contra as crises do nosso tempo”. Conclui o arcebispo: “A vida é como a música dormente entre os muitos barulhos de um mundo indiferente, mas ressoa assim que lhe prestamos a nossa mais íntima escuta”. 
Aleteia
                                                                                                    

sexta-feira, 29 de março de 2019

sexta-feira, 22 de março de 2019

Porque é tão essencial ler a Bíblia todo dia?

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A palavra de Deus está viva. É criadora e toda poderosa! Fechada num livro ela se encontra como um prisioneiro dentro de uma prisão: isolada, abandonada. O dever da palavra de Deus é estar com o homem e na vida de todo homem, no tabernáculo do coração do humano. Ela cria o homem. Ela o educa, abençoa, enche de paz.

O leitor deve estar no estado de espírito de Samuel, aconselhado por Elias:" Volta a deitar-te, e, se alguém te chamar, responderás: Fala Senhor, teu servo escuta"(1 Samuel 3,9). Devemos encontrar tempo para Deus em nossa vida cotidiana, dar uma chance para que o Senhor fale conosco.

A Palavra de Deus é uma imensa dádiva, uma grande graça. Ela é ungida pelo Espírito Santo e continua a trabalhar dentro de nós, a viver dentro de nós e a dar frutos incomensuráveis. Infatigavelmente a palavra de Deus pede nossa atenção. Ela bate à porta do nosso coração para que seja aceita e encarnada em nós, para que a tornemos visível.

Quando o homem lê as Sagradas Escrituras, antes de rezar, ele cria um clima de abertura para o Espirito Santo, que vem então rezar dentro dele, e permitir-lhe render graças, glorificar e bendizer ao Senhor.

Quando o homem lê as Sagradas Escrituras, a Palavra de Deus cai profundamernte no seu coração, na sua alma. Essa palavra germina, cresce e dá frutos misericordiosos.

Quando pegamos a Bíblia, somos como o velho Simeão no templo, nas mãos de quem a Mãe entrega o Menino Jesus, para que seja apresentado ao Senhor. A Bíblia é o livro no qual se encontra nosso Deus vivo. Deus tem um coração, ele respira, ele está vivo. 

Pe Jozo Zovko

sexta-feira, 15 de março de 2019

sexta-feira, 8 de março de 2019

Quaresma: tempo de reflexão

Iniciamos na Igreja o tempo da Quaresma dedicado à oração, ao jejum e à penitência: um tempo de reflexão que nos leva à conversão. Pois a grande experiência que podemos fazer neste tempo que a Igreja nos oferece é a experiência de uma verdadeira conversão. “Mas como assim? – você deve estar se perguntando – “já sou convertido e sigo o Senhor piedosamente…”
 
Querido (a) irmão (ã,) nos enganamos ao pensar que a nossa conversão acontece uma única vez, em um momento especial de encontro com o Senhor. Ela se dá ao longo de nossa caminhada rumo ao céu, em diferentes momentos de nossa vida… assim como a natureza que vive diferentes estações todos os anos, a Igreja nos convida a viver diferentes estações em nossa vida espiritual a fim de mantermos sempre viva e firme a nossa fé.

Poderíamos dizer até que a Quaresma é o nosso outono espiritual… tempo de perder as folhas, de perder um pouco das cores para ficarmos apenas com o essencial. É por isso que neste tempo a Igreja se reveste de roxo, deixa de cantar o Glória nas celebrações litúrgicas e em todos os domingos nos convida a relembrarmos a história da nossa Salvação através das leituras bíblicas.

É também neste tempo que a Igreja nos convida a intensificarmos as nossas orações diárias, a buscarmos exercitar a nossa vontade, treinando a nossa temperança e perseverança através da penitência e do jejum. Além disso, o tempo da Quaresma nos convida a olharmos para o nosso próximo e para aqueles que não são tão próximos assim, estendendo a eles a nossa mão, através das práticas de caridade.

Mas todas estas práticas e estes símbolos próprios da Quaresma são os meios através dos quais a Igreja sabiamente nos leva a refletir sobre a nossa vida e a fazermos um verdadeiro e profundo exame de consciência para que ao fim deste tempo possamos subir verdadeiramente com o Senhor ao Calvário, crucificarmos com Ele nosso homem e mulher velhos e ressurgirmos com Ele no domingo de Páscoa melhores do que entramos na quaresma: mais convertidos, mais santos, mais firmes na fé que abraçamos!

Com o desejo de que você viva bem a sua Quaresma queremos pedir ao Espírito Santo que lhe conduza nestes próximos 40 dias a uma autêntica experiência de conversão, como nos exorta o apóstolo São Tiago: “Lavai as mãos, pecadores, e purificai os vossos corações…”

Rafaela Rocha