terça-feira, 13 de junho de 2017

Longanimidade, fruto do Espírito


Longanimidade é um substantivo feminino da língua portuguesa e define alguém que possui a característica ou qualidade de grandeza de ânimo, uma pessoa que encara com coragem as adversidades a favor de alguém

A paciência extrema para suportar ofensas, injúrias ou os próprios sofrimentos também pode ser um exemplo de longanimidade. O significado livre da palavra de origem hebraica é "vagaroso em irar-se", ou seja, alguém que demora para entrar em estado de ira, raiva ou rancor. Na versão grega da expressão (makrothymía), o significa literal seria "longura de espírito". 

A longanimidade é uma característica muito defendida na doutrina cristã, através da Bíblia, estando presente em diversos versículos e textos religiosos. É uma virtude de quem é bondoso e generoso, de quem acredita e tem fé em Deus para ajudar a solucionar os seus problemas.

De acordo com os ensinamentos de Deus, registrados na Bíblia, o longânime (pessoa que pratica a "longanimidade de Deus") pode parecer aos olhos dos que não creem um fraco, mas na verdade usa-se do discernimento e sensatez para resolver as adversidades sem usar a força física ou de maneira irracional. Na realidade, para a doutrina cristã, a falta de longanimidade é uma das grandes responsáveis pela intolerância e violência na humanidade. 

Sem tempo a perder, o homem moderno acabou abandonando o bom senso que pede a reflexão e o discernimento como ferramentas fundamentais nas tomadas de decisão, e mesmo nas relações interpessoais. Fruto de uma sociedade tecnológica, que têm à disposição informações precisas em segundos, e da globalização que encurta distâncias antes inimagináveis, o ser humano quer também que esta rapidez aconteça quando precisa de respostas que o "Google" não pode dar. 

Há situações na vida que nos obrigam a parar, quer queiramos ou não. Uma enfermidade, um acidente que incapacita, uma depressão, a perda de um emprego, a morte de alguém muito próximo, uma guerra, uma catástrofe natural, enfim, acontecimentos que mudam nosso padrão de resposta aos fatos. Aí entra esse fruto do Espírito Santo para ajudar a olharmos para o futuro com paciência, e com a capacidade de aguardar por dias melhores.

Podemos contudo cultivá-lo desde já. Sabendo que não temos controle sobre nada, a longanimidade é um respiro longo e restaurador que dá ao nosso espírito a esperança de que o melhor acontecerá, segundo a ótica de Deus, no tempo em que Lhe aprouver. É libertador poder deixar-se conduzir por esta paciência esperançosa que abranda a ansiedade de ter que dar conta de tudo, de reagir a tudo, de pensar-se tudo. Somos criaturas, não deuses...

Como longanimidade não se compra em cápsulas, precisamos pedir ao Espírito Santo que nos dê essa virtude, para podermos respirar mais tranquilos, fazendo nossa parte, mas sabendo que "tudo posso naquele que me fortalece"! (Fil 4,13)

Malu e Eduardo Burin

quarta-feira, 7 de junho de 2017

quinta-feira, 1 de junho de 2017

O protagonista invisível


Pentecostes conclui o ciclo da Páscoa. Nesta solenidade de Pentecostes recordamos: a descida do Espírito Santo sobre a Virgem Maria e os Apóstolos no Cenáculo; a primeira pregação do Evangelho em Jerusalém; a formação da primeira comunidade cristã; o nascimento da Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo. O protagonista invisível de todos esses acontecimentos foi e é o Espírito Santo. Ele operava então e opera também hoje na sua Igreja. E se dermos espaço em nossa vida, opera também em nós.

Festa do Espírito Santo, o protagonista daquele dia, misterioso, que trabalha invisivelmente. Hoje, quase nos esquecemos deste hóspede misterioso e discreto, que também está presente em nós. É espírito, por isso não é percebido pelos sentidos. Estamos no mistério de Deus, e sentimos que as nossas palavras são como velas no escuro: acendemos uma pequenina, que dura pouco e depois se apaga. Mas nos encorajamos.

A Bíblia o apresenta como poder de Deus que opera no universo. Poder muitas vezes imperceptível, silencioso, discreto, sempre respeitoso da liberdade humana. Ao mesmo tempo, porém, irresistível ao realizar os desígnios de Deus.

A Bíblia se expressa recorrendo a imagens sugestivas: o vento, o sopro, o gosto, o respiro. Uma imagem muito conhecida, a da pomba, representada em tantos quadros. Imagens como terremoto, trovão, línguas de fogo.

O Espírito aparece como protagonista junto a Jesus na sua vida terrena. Já no seu nascimento, Maria perturbada pela palavra do Anjo pediu explicações, foi dito: “O Espírito do Senhor descerá sobre ti, e estenderá a sua sombra, o poder do Altíssimo”. Depois o Espírito se faz presente no batismo de Jesus.

Nos milagres que Jesus operava: “Dele saia uma força”, diz o evangelho. As multidões diante dos prodígios exclamavam: “Aqui tem o dedo de Deus”, outra imagem curiosa, mas expressiva.
Também o Espírito foi a grande promessa feita por Jesus aos discípulos. Os apóstolos, sabendo que Jesus estava para deixá-los, ficaram tristes. Jesus promete o envio do Espírito Santo, consolador e defensor.

O Espírito Santo também hoje é protagonista no meio de nós para que os cristãos fiéis possam testemunhar Cristo ao mundo. E o Espírito assiste o Papa em modo especial, os bispos, os sacerdotes e cada cristão. Está presente e operante em nossos encontros, ilumina nossas mentes, fortalece a nossa boa vontade, sugere os propósitos do bem.


 Trechos da reflexão do Cardeal Geraldo Majella Agnelo

domingo, 28 de maio de 2017

"Ide por todo o mundo..."



Hoje comemora-se o Dia Mundial das Comunicações. Este dia foi comemorado pela primeira vez em 12 de maio de 1967, atendendo a uma proposta do Concílio Vaticano II. Na ocasião, o papa Paulo VI publicou uma mensagem com o tema "Os meios de Comunicação Social".

O Dia Mundial das Comunicações é sempre comemorado junto à Solenidade da Ascensão do Senhor, e suscita uma reflexão aos cristãos, justamente porque no Evangelho da Solenidade da Ascensão, Jesus coloca um imperativo aos seus discípulos: "Ide por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho". (Mc 16,16)

A comunicação é uma necessidade do ser humano. Não fomos criados para sermos ilhas, mas para formarmos família, comunidade, sociedade, nação... Há um desejo intrínseco no ser humano de entrar em contato com o outro. E as formas de comunicação são extensas: gestos, palavras, olhares, atitudes, meios de comunicação, mídias sociais, até o silêncio pode conter em si uma mensagem.

Nossa era prima pela abundância da comunicação. Todos querem expressar sua opinião sobre tudo e todos. As redes sociais cristalizaram este comportamento... Mas a pergunta é: estamos nos tornando pessoas melhores por estas ferramentas de comunicação? Elas agregam valor à vida, espalham o perfume da fraternidade, da tolerância, da compreensão, ou são instrumentos que maquiam a verdade, manipulam o comportamento coletivo e geram expectativas negativas com relação ao futuro?

A resposta a esta pergunta está ao alcance de nossas mãos, ou melhor, de nossas escolhas. A comunicação é uma arma poderosa que tem duas finalidades, gerar encontro ou separação, a paz ou a guerra. É necessário sempre atualizar o mandato de Jesus: "Ide por todo o mundo...". Para gerar comunhão, encontro, amizade, relações fraternas, precisamos ser pessoas que promovem a evangelização. E evangelizar é querer bem, é desejar que todos possamos conhecer a verdade, e a verdade é Jesus!

São Francisco Assis dizia: "Evangelizem, e se necessário, usem as palavras". Que sabedoria nesta frase. Podemos ser pessoas que pregam apenas pelas atitudes, e estas são também comunicação. 

Vamos evitar a verborragia (uso excessivo de palavras sem importância), e comunicar aquilo que faz bem, aquilo que constrói pontes, como diz o Papa Francisco. Só temos hoje para falar do bem e do amor, e para sermos o bem e o amor. "Ide"!

Malu e Eduardo Burin - ISF

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O Centenário de Fátima



No dia 13 de maio de 1917, Nossa Senhora apareceu pela primeira vez aos pastorinhos, Jacinta Marto (7anos), Francisco Marto (9 anos) e Lúcia de Jesus (10 anos), em Fátima, Portugal. Quem não conhece a história?

Vamos relembrar aqui as cinco frases marcantes de Nossa Senhora de Fátima:

1. “Rezai o Terço todos os dias. Rezai, rezai muito! E fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o Inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas. Quando rezardes o Terço, dizei depois de cada mistério: Ó meu bom Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno. Levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem”.

2. “Jesus quer servir-Se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. A quem a aceita, prometer-lhe-ei a salvação e estas almas serão amadas de Deus, como flores colocadas por Mim para enfeitar o Seu Trono”.

3. “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”.

4. “O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.”

5. “O Meu coração é cercado de espinhos que os homens ingratos me cravam, com blasfêmias e ingratidões”.


Neste ano as aparições completam 100 anos. Será que o mundo acolheu as mensagens de Nossa Senhora?

Numa época em que a palavra "sacrifício" assusta, e é sistematicamente banida do vocabulário das pessoas, inclusive dos cristãos, como a mensagem de Fátima pode se perpetuar como um apelo atual e urgente à humanidade?

Vivemos dias sangrentos e instáveis: seja pela violência cotidiana, pelas guerras fratricidas, pelo terrorismo, pelas disputas comerciais e políticas das grandes nações, que colocam em risco toda a vida e a paz do mundo, pela falência dos recursos naturais do planeta que vão se cristalizando dia a dia, pela corrupção daqueles que dirigem as nações e penalizam os mais pobres, e por tantas outras razões...

As Aparições de Fátima são um alerta para todos. O mundo não se tornou um lugar melhor, ao contrário, estamos em grande risco. Portanto, com humildade, imitemos as crianças que viram a Mãe de Deus aparecer na Cova da Iria, e atendamos aos apelos de Maria que quer que todos colaborem para o maior número de almas salvas. Vamos fazer sacrifícios para que a paz triunfe sobre a guerra, a fraternidade sobre o egoísmo, o amor sobre a indiferença generalizada. Vamos usar a potente arma do terço contra todo o mal e contra toda descrença, porque Nossa Senhora afirma:

"Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará"!

Nós não vamos ficar de fora desta missão, certo?


ISF