terça-feira, 7 de agosto de 2018

Sim, telas viciam

Resultado de imagem para o vício das telas
Este é um bom momento para falar abertamente de um assunto delicado. Eu sou viciado. Aliás, você provavelmente também o é, prezado leitor. Somos viciados em nossas telas. E o problema é grave. Uma média de todos os usuários do app Moment, que calcula o uso diário do celular nos iPhones em que está rodando, informa que passamos entre três e quatro horas interagindo com o aparelho.

Um sexto do dia ligados em apenas uma das telas. Este vício é o tema de um livro que acaba de sair nos EUA: Irresistible: The Rise of Addictive Technology, do psicólogo social Adam Alter. Ou, em português, Irresistível, a ascensão da tecnologia que vicia.

Um vício, como Alter definiu para The New York Times, é algo que fazemos e causa satisfação no momento imediato, é nocivo a longo prazo, e, no entanto, continuamos a fazer de forma compulsiva. Como sacar o celular à toa, toda hora. Ou disparar o primeiro episódio de uma série, emendar no segundo, no terceiro. Uma das pesquisas consultadas para o livro mostra que, em média, 70% dos espectadores que assistem o segundo episódio de uma temporada até o fim não largam a série antes do último episódio.

Steve Jobs, em uma de suas últimas entrevistas, disse que não deixava os filhos usar iPhones ou iPads. Chris Anderson, ex-editor da “Wired” e autor de clássicos do estudo da tecnologia como “A Cauda Longa”, também é extremamente rigoroso com as crianças da casa.

Não é que tecnologia digital seja construída para viciar. Mas o modelo de negócio que a sustenta é, quase sempre, diretamente relacionado à quantidade de tempo que gastamos interagindo. Apps, redes sociais, séries, tudo depende de muitas horas de uso num ambiente de muita competição. Então se sofisticam, e sofisticam. Ganha quem consegue o produto capaz de nos manter grudados nas telas. E grudamos. Alter cita características que produzem, em nossos cérebros, esse desejo de mais.

A primeira é o feedback. Basta pensar em como botões de elevador são irresistíveis para crianças. Um clique e a luz acende. Você faz algo, há uma resposta. É um lado primitivo do cérebro este que tem o prazer secreto de ver um resultado para cada ação. E, quando o resultado da ação é aleatório, o impulso de buscar pela resposta bate mais forte. Como máquinas caça-níqueis em que puxamos a alavanca mais e mais na esperança da consequência ideal. Apps e games são cuidadosamente desenhados para ter estas pequenas consequências para cada ação para a qual respondemos sem controle.

Metas claras são igualmente importantes. O número de pessoas que termina maratonas na marca de 3 horas e 58 ou 59 minutos é muito maior do que aqueles que chegam em 4 horas ou quatro e um. Porque a gana de cumprir uma meta – fazer em menos de quatro horas os 42 quilômetros – provoca algo em nós. Apps que impõem metas por completar são apps aos quais costumamos voltar.

Assim, como, claro, sociabilidade. Do botão curtir à existência de comentários, retornamos ao lugar que postamos a foto para ver quem gostou, quem falou, queremos este retorno dos outros. Ansiamos por ele. Para não falar da gameficação: distintivos, pontos, rankings de usuários. Quanto mais aparecemos num ambiente, maior o reconhecimento que temos, quanto mais jogamos, mais recordes batemos. É o truque das companhias aéreas que fazem uma fila especial para clientes que voam muito. É uma conveniência, mas também um status.

Do Facebook ao app de corrida, da organização do Netflix à do Linkedin, todos os ambientes digitais em nossas telas são construídos para que a gente volte. Funciona.

Pedro Doria

quarta-feira, 1 de agosto de 2018

Como vivenciar o dia a dia


quarta-feira, 25 de julho de 2018

Investir na estima


"Cada qual tenha em vista não seus próprios interesses, e sim os dos outros. Dedicai-vos mutuamente à estima que se deve em Cristo Jesus". (Fl 2,4-5)

Estamos diante de uma exigência quase heróica: desojarmo-nos de nós mesmos, de nossos interesses, para iniciarmos uma viagem rumo à edificação da vida das outras pessoas, contemplando em cada uma, a manifestação do amor de Deus por nós.

Vivemos em um tempo fortemente individualista, cuja regra é cada um buscar de todas as formas seus interesses. Nesse ambiente, o outro passa a ser alguém tolerado, até o momento em que não incomode, ou de alguma maneira, interfira nos interesses egoisticamente pessoais, que são alimentados pela indiferença que se instala de modo avassalador na sociedade.

Enquanto o outro é visto como concorrente, o inimigo que precisa ser eliminado, a palavra de Deus nos propõe um olhar diferente, segundo o qual o outro deve ser visto como semelhante, tão igual que merece ter como resultado do nosso agir o seu bem, a sua felicidade.

Contra as rivalidades, as vinganças e ameaças, Deus nos propõe a estima. Mas a estima como fruto de uma dedicação pessoal, um esforço de cada um para mudar seus referenciais de mundo e de vida. Recordemo-nos de que tudo o que temos por estimação, guardamos em lugar especial. Assim, ao nos propor a estima mútua, o Senhor nos ensina a guardar as outras pessoas no mais singular dos lugares: na nossa vida.

Pe. Fábio Gleiser Vieira Silva
 

sexta-feira, 13 de julho de 2018

quinta-feira, 5 de julho de 2018

O sacramento da conversão

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Cada vez que você se aproxima com sincero arrependimento do Sacramento da Reconciliação, ao qual podemos chamar também de "Sacramento da Conversão", é oferecida uma grande oportunidade para que sua fé aumente. Acontece com frequência na nossa vida que o Sacramento da Reconciliação não desempenhe o papel que deveria ter, devido à rotina, ao hábito e à falta de preparação e disposição interior. Talvez você não se dê conta de que, tal como a Eucaristia, esse sacramento é também um canal particular de graça e de encontro com Jesus Cristo. É possível também, que você nem sequer se lembre de rezar pelo seu confessor ou diretor espiritual, para que ele possa ser para você um instrumento de Deus, cada vez mais perfeito e como auxílio eficaz no desenrolar de sua conversão.

O exame de consciência deve constituir um profundo olhar dirigido ao seu interior, a fim de observar para onde se orienta a sua vida, o que é que para você tem maior valor e quem é para você Jesus Cristo. É sobretudo disto que devemos confessar a nós mesmos: Quem é Jesus Cristo para você? Qual é a sua principal opção? Você está certo de que, verdadeiramente, O escolheu com radicalidade? É por aqui que deve começar a confissão dos nossos pecados, porque é isto o mais importante. Se você não fez ainda a sua opção por Jesus Cristo, pode ter a certeza de que todos os outros pecados não são mais do que a consequência e o resultado do seu pecado fundamental.

A conversão vem determinada pelo arrependimento. No Sacramento da Reconciliação encontramo-nos com Cristo desejoso de nos perdoar de nos curar as feridas produzidas pelo nosso pecado. Mas, se não lhe expõe as suas feridas, Ele não pode curá-las. O arrependimento é um ato de humildade. A humildade deve aumentar continuamente em você e, por essa razão, o seu arrependimento não deve também parar de crescer. Mas o arrependimento e a contrição nunca serão suficientes. Quanto mais pecador e pior que os outros você se sinta, tanto maior abertura terá para as graças e a fé.

O sacramento da Reconciliação deve ser um sacramento esperado porque é um particular momento de nosso encontro com Cristo. O Amor quer ser esperado, e quando não o é, fica ferido.

Podemos compreender que não basta cumprir os mandamentos da lei de Deus, mas que também nós nos empenhemos em responder a Cristo que nos chama à loucura de fé, isto é à radicalidade bíblica. Por isso requere-se uma conversão contínua a uma tal radicalidade. A loucura bíblica consiste em darmos a Deus tudo o que nos pertence e Ele dá-nos em troca tudo o que é Seu. Nós damos o nosso miserável todo, enquanto ele nos dá o Seu maravilhoso todo, o Seu divino todo.

Pe.Tadeuz Dajzer