segunda-feira, 20 de março de 2023

Muitas cegueiras e uma cura

 


Podemos facilmente notar que não havia apenas um cego no Evangelho de hoje, mas muitos: apenas um era cego de corpo, mas muitos eram cegos de alma. Ao primeiro, Jesus curou; aos outros, não. Por quê?

O terceiro domingo do Advento e o quarto domingo da Quaresma são os únicos dias do ano em que o sacerdote pode se revestir de paramentos róseos. A razão é simples: a Igreja deseja que, em nossas almas, algo dos gáudios natalinos e das vindouras alegrias pascais se unam à mortificação e à penitência.

Por isso, este domingo também é conhecido como “domingo lætare”, o “domingo da alegria”.

A cegueira do corpo

O Evangelho de hoje é de tal modo atraente que seríamos tentados a transcrevê-lo todo aqui. Mas infelizmente não é possível, pois ele é tão rico em ensinamentos quanto em palavras: é um Evangelho bem longo, com 41 versículos. Enfim, contentar-nos-emos com um breve resumo.

Era dia de sábado. Enquanto caminhava, Jesus avistou um cego de nascença e teve compaixão dele. Muitos julgavam que tal moléstia era um castigo por seus pecados ou pelas faltas de seus ancestrais. Contudo, Nosso Senhor disse que sua doença serviria para que as obras de Deus se manifestassem nele. “Dito isso, Jesus fez lama com a saliva e colocou-a sobre os olhos do cego” (Jo 9,6). Depois, mandou-o lavar-se na piscina de Siloé: o cego o fez, e voltou enxergando (Cf. Jo 9,7).

Ninguém podia acreditar no que se passara, pois desde seu nascimento, aquele homem nunca enxergara. Os fariseus, porém, cheios de inveja, disseram-lhe que o Divino Mestre não poderia ter operado aquela cura em dia de sábado. Então, começou uma calorosa discussão entre eles e o cego que fora curado. Mas como não tinham argumentos lógicos, apelaram ao recurso da força: expulsaram-no da comunidade! (Cf. Jo 9,8-34)

Por fim, Jesus perguntou ao cego que fora curado, se ele cria no Filho do Homem. Ao que respondeu: “Quem é, Senhor, para que eu creia nele?” Jesus, então, disse: “Tu o estás vendo; é aquele que está falando contigo”. “Eu creio”, disse ele, prostrando-se diante de Jesus (Jo 9,35-38).

Após isso, Nosso Senhor disse que viera “para exercer um julgamento, a fim de que os que não veem vejam e os que veem se tornem cegos” (Jo 9,39). Sentindo-se atingidos, os fariseus perguntaram: “Porventura nós também somos cegos?” Ao que Jesus respondeu: “Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis ‘nós vemos’ o vosso pecado permanece” (Jo 9,41).

A cegueira de alma

Neste Evangelho, pode-se facilmente notar que não havia apenas um cego, mas muitos: um era cego de corpo, os outros o eram de alma. Ao primeiro, Jesus curou; aos outros, não. Por quê? Por uma razão muito simples.

O cego de nascença sabia-se cego – tanto é assim que se colocou no caminho onde Jesus deveria passar. Os fariseus, porém, eram cegos de uma “cegueira espiritual”, como o provam as suas palavras: “porventura nós também somos cegos?”. Ao que respondeu nosso Senhor: “Se fôsseis cegos, não teríeis culpa; mas como dizeis ‘nós vemos’ o vosso pecado permanece” (Jo 9,40-41).

Reconhecer as próprias falhas e os próprios pecados é a primeira condição para ser curado. Seria absurdo, por exemplo, que alguém que sofresse de uma doença mortal, afirmasse gozar de plena saúde e rejeitasse qualquer medicamento. Neste caso, a cura seria impossível.

E qual é o resultado desta cegueira? Em primeiro lugar, a pessoa não tem uma noção exata de si mesmo: ilude-se com qualidades que não tem, não reconhece os seus pecados, e vive numa contínua tensão, pois teme ser descoberta.

Além disso, este gênero de almas está julgado pelo orgulho. Ao deparar-se com uma alma íntegra, ou que lhe sobrepassam em qualidades, são logo dominadas pelo mesmo vício dos fariseus: a inveja.

Este vício é terribilíssimo! É a ele que se devem tantas perseguições injustas, tantas calúnias, tantas rivalidades e, inclusive, tantos homicídios que se deram ao longo da História. Com efeito, o que ganha o invejoso por causar prejuízo aos outros? Mesmo que ele consiga prejudicar o seu “inimigo”, como fizeram os fariseus com Nosso Senhor, terá a tristeza de carregar por toda a vida o remorso de seu próprio pecado.

É dessa tristeza que a Igreja quer nos afastar neste domingo. Ela nos diz, com bondade maternal: “Lætare, alegrai-vos! Reconhecei vossos pecados, pedi a vossa cura. Pois se assim o fizerdes, sereis libertos de vossa cegueira e, com o olhar purificado, podereis contemplar a bondade de Jesus. Não mais sereis dominados pela tristeza do egoísmo e da inveja, e, mesmo que tenhais de passar por muitas tribulações, jamais sereis privados do gáudio virtuoso e santo de quem está em paz com a própria consciência e com Deus”.

Que Nossa Senhora e o Patriarca São José nos auxiliem na obtenção de tais graças.

Por Lucas Rezende

segunda-feira, 6 de março de 2023

Custódio da Terra Santa dá conselhos para fiéis vencerem a tentação

Dentre os conselhos de Frei Francesco Patton estão o de alimentar-se da palavra de Deus e confiar n’Ele.

Primeira vigilia de Quaresma no Santo Sepulcro 1

Foto: Divulgação/Custodia Terrae Sanctae.

Israel – Jerusalém (06/03/2023 12:53, Gaudium Press) Jerusalém celebrou o primeiro sábado da Quaresma com a tradicional entrada solene do Patriarca Latino na Basílica do Santo Sepulcro, Dom Pierbattista Pizzaballa, acompanhado por duas filas de frades franciscanos.

Primeira vigilia de Quaresma no Santo Sepulcro 2

Foto: Divulgação/Custodia Terrae Sanctae.

O ingresso ao local foi realizado através de uma procissão cantada, partindo da Capela da Aparição do Ressuscitado seguindo a tradicional rota que, desde 1336, os franciscanos realizam diariamente no interior da Basílica.

Recitação do Ofício de Leituras e celebração da Santa Missa da Vigília

Na noite entre o sábado e o domingo, os religiosos Franciscanos se reuniram no Santo Sepulcro para recitar o solene Ofício de Leituras e participar da celebração da Santa Missa da Vigília presidida pelo Custódio da Terra Santa, Frei Francesco Patton. Tradição que se repete nos domingos da Quaresma, desde o ano de 1754.

Primeira vigilia de Quaresma no Santo Sepulcro 3

Foto: Divulgação/Custodia Terrae Sanctae.

A celebração eucarística ocorreu na Capela da Crucificação, no Calvário. Em sua homilia, Frei Patton assegurou que “a melhor maneira de vencer a tentação é, por um lado, alimentar-se da palavra de Deus e, por outro, confiar n’Ele em vez de desafiá-lo, forçando-o a realizar milagres”.

Deus deve estar no centro dos nossos pensamentos

Comentando o Evangelho do dia, que relatava o episódio das tentações de Jesus no deserto, o Custódio da Terra Santa ressaltou que “para vencer a tentação, Deus é quem deve ser venerado, quem deve estar no centro dos nossos pensamentos, nossos afetos e nossa pessoa, porque no momento em que deixarmos de adorá-lo nos tornaremos escravos de outras realidades”.

Primeira vigilia de Quaresma no Santo Sepulcro 4

Foto: Divulgação/Custodia Terrae Sanctae.

Por fim, Padre Patton destacou que “a Quaresma nos confronta com uma realidade de fragilidade, mas também nos dá as ferramentas para não sermos vítimas, submissos e escravos dela”. E concluiu exortando aos fiéis para que caminhem “com confiança durante estes quarenta dias rumo à Páscoa, rumo àquele dia em que recordaremos o dom da nova vida que recebemos em nosso Batismo”. (EPC)

segunda-feira, 27 de fevereiro de 2023

Como receber Indulgência Plenária durante a Quaresma?

 

O tempo da Quaresma, que começou com a Quarta-Feira de Cinzas, é tempo de conversão e um chamado a incrementar a prática da oração, o jejum e a esmola; mas também é ocasião propícia para receber a Indulgência Plenária.

A Indulgência pode ser parcial ou plenária, quer dizer, livra em parte ou em todo a pena temporal dos pecados; e se pode aplicar para si mesmo ou para os fiéis defuntos, não para outras pessoas que ainda estão vivas.

A Indulgência plenária pode ser ganha somente uma vez por dia e é necessário que o fiel exclua todo afeto ao pecado, inclusive venial, e o cumprimento de três condições: aproximar-se do Sacramento da Reconciliação, a comunhão eucarística e orar pelas intenções do Santo Padre. Com uma só confissão sacramental se podem ganhar várias indulgências plenárias.

A prática da Via Sacra a cada sexta-feira da Quaresma

Através da Via Sacra se faz presente e se atualizam os sofrimentos que viveu Jesus no caminho desde o pretório de Pilatos, onde foi condenado à morte, até o Monte Calvário, lugar no qual deu a vida pela salvação dos homens.

Para receber a Indulgência é necessário que a oração piedosa da Via Sacra se realize diante das estações legitimamente estabelecidas, quer dizer, se requerem 14 cruzes às quais normalmente se acrescentam imagens que representam as estações de Jerusalém, às quais lhes incluem meditações piedosas e orações vocais.

Se a meditação da Via Sacra é feita de maneira pública, se requer a passagem de uma estação para outra. Ainda que o deslocamento não possa ser feito por todos, somente basta que quem dirige o exercício se translade de estação em estação.

Adoração do Santíssimo Sacramento por meia hora

O fiel cristão também pode ganhar a Indulgência Plenária se faz adoração diante o Santíssimo Sacramento durante ao menos meia hora. A Indulgência é parcial se a visita é menor a esse tempo, e sempre e quando se aproxime a Jesus sacramentado com a intenção de adorá-lo.

Rezar o Rosário em família ou em comunidade

Outra das maneiras de obter Indulgência Plenária durante a Quaresma, e também em outros tempos litúrgicos, é recitando o Santo Rosário. De acordo com o Manual de Indulgências, os fiéis podem ganhar a Indulgência Plenária se recitam o Rosário em uma igreja ou oratório, em família, ou em comunidade religiosa, assim como em uma associação de fiéis. A Indulgência será parcial se a oração mariana se faz fora destas circunstâncias.

Leitura das Sagradas Escrituras por meia hora

Os fiéis, igualmente, podem receber a Indulgência Plenária se lêem e meditam as Sagradas Escrituras pelo menos por espaço de meia hora. A Indulgência será parcial se o fiel cristão lê a Sagrada Escritura com a veneração devida à Palavra de Deus e como fonte de leitura espiritual em menos tempo.

A Adoração da Santa Cruz

Ainda que faça parte da Sexta-Feira Santa, além disso se concede Indulgência Plenária ao fiel cristão que neste dia medite a Paixão e Morte de Nosso Senhor adorando piedosamente a Cruz na solene ação litúrgica.

Orar diante da Cruz: “Olha-me, ó bom e dulcíssimo Jesus”

Além disso há Indulgência Plenária para os fiéis que rezem piedosamente a oração “Olha-me, ó bom e dulcíssimo Jesus” diante da imagem de Jesus Crucificado após a comunhão em qualquer sexta-feira da Quaresma. A Indulgência é parcial se se reza nos demais dias do ano.

“Olha-me, ó bom e dulcíssimo Jesus: em tua presença me coloco de joelhos, e com maior fervor de minha alma te peço e suplico que imprimas em meu coração vivos sentimentos de Fé, esperança e caridade, verdadeira dor de meus pecados e propósito firmíssimo de emendar-me; enquanto com grande afeto e dor considero e contemplo em minha alma tuas cinco chagas, tendo diante dos meus olhos aquele que já o profeta Davi colocava em teus lábios acerca de ti: “Traspassaram minhas mãos e meus pés, poderia contar todos os meus ossos” (Sal 21 (22), 17-18). (EPC)

Gaudium Press

quarta-feira, 15 de fevereiro de 2023

Bento XVI, o Magno


Joseph Ratzinger foi, disso não há dúvidas, um dos grandes teólogos do nosso tempo e uma das mentes mais brilhantes da história da Igreja. Papa, teólogo, intelectual, bom pastor, foi, gosto de pensar, alguém que conseguiu unir harmoniosa e paradoxalmente ortodoxia e vanguarda. Eu o vi de perto algumas abençoadas vezes e me emociono ao lembrar. Seu carisma não era vulgar, marcado pelo sentimentalismo, e, sim, da autoridade de seu saber e do seu zelo pela sã doutrina. Sua morte me deixou bastante comovido e em oração confiante. Firmeza não significa agressividade, nem convicção inabalável quer dizer verborragia belicosa. A humildade de Bento XVI, um dos maiores intelectuais da Igreja de todos os tempos, é um exemplo para todos nós, algo a ser refletido e imitado.

Certa vez, um amigo sacerdote e que trabalhava em Roma foi a Munique para uma atividade religiosa quando, coincidentemente, o então Cardeal Joseph Ratzinger, Prefeito da Congregação para a Doutrina e Fé, visitou sua terra natal para resolver problemas da Igreja na Alemanha. Numa entrevista coletiva para a imprensa alemã e de outros países, um repórter fez uma longa introdução à sua pergunta, capciosa, venenosa, falando muito mal da Igreja. Disse que a Igreja agonizava na Alemanha, que os fiéis já não eram tão fiéis assim, que havia escândalos, e mais uma porção de afirmações infundadas ou pouco verídicas. Todos esperavam que o Cardeal fosse responder algo duro. Ratzinger, com olhar paradoxalmente firme e doce, voz calma, serena e elegante, própria de quem fala com autêntica autoridade, agradeceu a pergunta e se limitou a responder “mas é exatamente para ajudar a resolver esses problemas que estou aqui”. Simples, direto, o Cardeal desarmou o jornalista e o calou de forma absolutamente cristã. Com sabedoria, impediu o alongamento da maldade em curso e a discussão estéril, improdutiva. Espero sempre me lembrar desse gesto de caridade do eterno Papa e, com isso, ser a cada dia um homem melhor.


Sua postura sempre foi a de quem tem conteúdo cultural e muita oração, de quem vive com o livro na mão e o joelho no chão. A sabedoria exige esforço contínuo e um coração aberto à Verdade, como foi, é e será eternamente o do magno Cardeal, o querido Papa Emérito Bento XVI. Sacerdote, autoridade eclesial, teólogo, Papa, um homem justo, quem sabe… santo! Nunca me esquecerei de seu pontificado. Sou-lhe profundamente grato. Em um tempo de liquefação de valores, de esvaziamento cultural, de incensamento da emotividade excessiva, de vulgarização da fé e da razão, de desprezo por protocolos e tradições, ele foi a doce contradição, aquele que dava esperança de ser possível não se deixar arrastar pelos gostos muito duvidosos do mundo.


Grande estudioso da fé, homem justo, cooperador da Verdade, defensor da ortodoxia e um fiel trabalhador da vinha do Senhor. Sua envergadura intelectual era (e é) tanta, que certa vez ouvi de um professor de teologia, simpatizante de corrente doutrinária não exatamente admiradora do Papa Emérito, que o “problema de Bento XVI é que ele escreve bem demais, inegavelmente profundo”. Evidentemente que coloco muito entre aspas a palavra “problema” e ressalto com entusiasmo a afirmação “inegavelmente profundo”. Ele foi e sempre será o Papa da minha vida.


Reverenciar a memória do Papa Emérito é abraçar a catolicidade e se sentir seguro de pertencer à Igreja que o Senhor fundou e que sempre presenteou com pastores zelosos, dedicados, enamorados da Verdade e, não poucos, com reluzente brilho intelectual. Descanse em paz, Sumo Pontífice. Seu nome para sempre será anelado ao da Eterna Roma. Que Nosso Senhor o receba de braços abertos na Jerusalém Celeste e lhe dê o descanso eterno e a luz que não se apaga. 

Paulo Henrique Cremoneze 

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2023

O muro poroso

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É nas fronteiras porosas que acontecem as guerras mais sangrentas.

Uma peculiar parábola, decerto conhecida por alguns de nossos leitores, nos esclarece a respeito do momento presente para os católicos que desejam verdadeiramente abraçar o caminho do bem.

Certa vez, um jovem passeava sobre um muro. Do lado direito, encontravam-se Deus e seus filhos; do esquerdo, Satanás e seus asseclas. O rapaz, formado em lar católico, hesitava entre seguir o partido do Senhor ou o do demônio e suas atrações, isto é, o mundo e a carne.

Mais tarde, ainda indeciso, percebeu uma diferença essencial entre os dois grupos. Enquanto os amigos do Altíssimo bradavam com insistência “Desça logo para cá!”, os sequazes do diabo permaneciam calados. Então, o jovem indagou a Satanás: “Por que os seguidores de Deus me chamam, enquanto o seu bando não diz nada?” Para sua surpresa, o anjo maldito respondeu: “Porque o muro é meu!” De fato, não há meio-termo: o muro já tem dono…

Essa história ilustra a eterna irreconciliabilidade entre a luz e as trevas (cf. II Cor 6, 14), entre os filhos de Deus e os servos de Satanás, enfim, entre a raça da Virgem e a raça da Serpente (cf. Gn 3, 15).

Tal inconformidade foi ressaltada por Jesus por meio de metáforas tiradas do reino animal. Os filhos da luz são como ovelhas que seguem a voz do Bom Pastor (cf. Jo 10, 27). Este as envia no meio dos lobos (cf. Mt 10, 16), ou seja, para o outro lado do “muro”; porém, com a recomendação de nunca a ele se amoldar: “Seja o vosso ‘sim’, ‘sim’, e o vosso ‘não’, ‘não’. O que passa disso vem do maligno” (Mt 5, 37).

Já nos primórdios do Cristianismo, os discípulos de Jesus eram reconhecidos por suas boas ações, em oposição aos costumes depravados dos gentios que os cercavam. Assim testemunha a Carta a Diogneto a respeito deles: “São de carne, porém, não vivem segundo a carne. Moram na terra, mas sua cidade é no Céu. Obedecem às leis estabelecidas, mas com seu gênero de vida superam as leis. […] Numa palavra: os cristãos são no mundo o que a alma é no corpo. A alma está em todos os membros do corpo; e os cristãos em todas as cidades do mundo. A alma habita no corpo, mas não provém do corpo; os cristãos estão no mundo, mas não são do mundo”.

Retornemos ao exemplo inicial. Como na metáfora inaciana dos Exercícios Espirituaisde um lado se encontram os seguidores do estandarte de Cristo; de outro, os de Lúcifer. O jovem, lá no alto do muro, julga que está imune às investidas de ambos. Todavia, é nas fronteiras porosas que acontecem as guerras mais sangrentas. Por isso, quem não seguiu nenhum lado nesta vida será destinado a perseguir, por toda a eternidade, um estandarte em branco: o daqueles que, negando os altos ideais da Fé, abraçaram o consenso do mundo. Neles não estará o amor do Pai (cf. I Jo 2, 15).

Gaudium Press