quinta-feira, 19 de outubro de 2023

Papa publica exortação apostólica dedicada a Santa Teresinha do Menino Jesus

Conheça a graça do Natal que transformou a vida de Santa Teresinha -  Comunidade Olhar Misericordioso

Exortação Apostólica do Papa Francisco sobre Santa Teresinha de Lisieux ressalata a virtude da confiança e da caridade. Santa Teresinha, com sua “pequena via” espiritual, nos ensina a depositar nossa confiança na misericórdia divina e a viver uma caridade constante

Redação (18/10/2023 16:30, Gaudium Press) No último dia 15 de outubro, o Papa Francisco publicou uma Exortação Apostólica dedicada a Santa Teresinha de Lisieux, intitulada “C’est la confiance” (É a confiança). O documento marca o 150º aniversário de nascimento da santa carmelita e o centenário de sua beatificação. Nas 27 páginas do documento, o Papa Francisco explora a espiritualidade da pequena via fundada pela Santa carmelita.

O ponto central da mensagem do Papa Francisco nesta nova exortação é a espiritualidade de Santa Teresinha, baseada na confiança e no amor a Deus. O Papa recorda as palavras de Santa: “Somente a confiança e ‘nada mais’, não há outro caminho para nos conduzir ao Amor que tudo dá”.

Francisco destaca a vocação missionária de Santa Teresinha, que paradoxalmente entrou no convento “para salvar almas”. Com efeito, ela entendia a evangelização como uma necessidade de deixar-se guiar pela ação da graça divina.

No documento, o Papa ressalta o já conhecido contraste entre a visão de santidade baseada nos próprios esforços humanos e a nova atitude de Santa Teresinha, baseada na primazia da ação de Deus e de Sua graça. Ela ensinava que a confiança deve ser depositada na misericórdia infinita de um Deus que ama sem limites.

A confiança entendida por Santa Teresinha não se limita à santificação e à salvação pessoal, mas tem um sentido que engloba toda a vida. É graças à confiança que as pessoas se libertam dos medos e da necessidade de controlar tudo, encorajando-as ao que Santa Teresinha chamava de “santo abandono”, atitude que elimina as preocupações obsessivas e desnecessárias e promove a paz interior.

O documento do Papa aborda igualmente as duras provas interiores que Santa Teresinha enfrentou, especialmente no que diz respeito à virtude da fé. Francisco ressalta o que a santa de Lisieux enfrentou o desespero e as tentações contra a fé, demonstrando uma confiança total nas mãos de Deus.

A caridade é outro ponto-chave do ensinamento de Santa Teresinha. Seu ato de amor constante resumido em sua jaculatória “Jesus, eu te amo”, era a chave para sua interpretação do Evangelho. Ela viveu a virtude da caridade na simplicidade do dia a dia e destacou a importância de se preocupar com os outros.

O Papa Francisco enfatiza a visão de Santa Teresinha sobre o coração da Igreja. Ela via a Igreja como um lugar de amor e misericórdia, não como uma instituição triunfalista. Essa visão relembra de que, apesar das falhas e fraquezas de alguns membros da Igreja, o amor de Deus brilha através da caridade dos fiéis. (FM)

quarta-feira, 4 de outubro de 2023

terça-feira, 26 de setembro de 2023

Aborto: "Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida"

 

 

O aborto não pode ser autorizado porque ofende a Deus, que fez o homem e a mulher à sua imagem semelhança e os abençoou dizendo: "Sede fecundos, multiplicai-vos, enchei a terra e submetei-a" (Gn 1,28). E determinou: "Não matarás" (Êxodo 20, 13), e sim, amarás a Deus sobre todas as coisas e ao "próximo como a si mesmo."

A inviolabilidade do direito à vida é um direito constitucional, e qualquer lei que viole esse direito é uma lei inconstitucional, é uma lei nula, que não pode ser cumprida. O artigo 2º do Códiigo Civil brasileiro diz que "a personalidade civil da pessoa começa do nascimento com vida; mas a lei põe a salvo, desde a concepção, os direitos do nascituro".

É assegurado à gestante, através do Sistema Único de Saúde, o atendimento pré e perinatal. Ou seja, o Estado tem a obrigação de oferecer condições para a gestante ter o fillho sadio e em condições dignas, conforme está previsto no artigo 8º do Estatuto da Criança e do Adolescente. Não tem, pois, o direito de oferecer condições para a morte. O direito à vida, desde o momento da concepção, ganha destaque na Convenção de Direitos Humanos,' no art. 4º.1, que diz· "Toda pessoa tem o direito de que se respeite sua vida. Esse direito deve ser protegido pela lei e, em geral, desde o momento da concepção".

Ninguém pode ser privado da vida e arbitrariamente". Se alguns países liberam o aborto é porque não respeitam o entendimento científico de que a vida humana começa no primeiro instante da fecundação, de que o ser humano é o mesmo em qualquer fase de seu desenvolvimento e possui igual dignidade desde o início de sua concepção. Não é verdade que a vida se inicia somente depois de 10, 12 ou anos de idade ou semanas de gestação. Seria um absurdo, por exemplo, afirmar que a mulher, antes de tal período, não estaria esperando um filho, mas estaria grávida apenas de um amontoado de células. Muitos que defendem o aborto afirmam que o aborto naquele período não é aborto de criança, mas apenas de amontoado de células. Esse entendimento é um grande equívoco.

É inaceitável a alegação de que o aborto é necessário para controlar a natalidade, para combater a pobreza, a fome, o desemprego, para solucionar um problema de infidelidade conjugal, para resolver uma situação de gravidez não desejada.


O aborto não é a solução para nenhum problema pessoal. Na verdade, ele agrava qualquer situação, sobretudo para a mulher, pois é um atentado contra a sua saúde física, mental, emocional e espiritual. 

Também é falsa a ideia de que o mundo progrediu, evoluiu e a mulher, por ser dona de seu corpo, deve ter liberdade para decidir sobre a continuidade ou não da gravidez. A mulher é uma pessoa e o feto é outra. Ela tem o dom sagrado de gerar o filho, mas não tem o direito de matá-lo. Deve-se tomar cuidado com a propaganda que tem sido feita no Brasil em favor da legalização do aborto, pois é perceptível que, por trás, está o interesse de muitos que pretendem arrecadar muito dinheiro com o aborto. Nos Estados Unidos, por exemplo, têm-se noticias de que a indústria do aborto é a quarta economia e estaria nas mãos do crime organizado.

O aborto é uma questão de saúde pública e muitas mulheres brasileiras morrem em razão do aborto clandestino, conforme tem afirmado o ministro da Saúde. Mas isso não justifica a sua liberação. O que o Brasil precisa é de políticas públicas dirigidas ao bem comum, que não violem o direito à vida ou à dignidade humana ou que promovam e incentivem a discriminação e o preconceito daqueles que não são desejados. Salvar a vida humana é salvar o mundo, é preservar o futuro da humanidade, é atender ao compromisso que recebemos de Deus para a multiplicação da vida humana, por isso, não ao aborto!

Desembargador Roberval Casemiro Belinati

sexta-feira, 25 de agosto de 2023

A tradicional arte de se produzir um vitral

As cores banham as paredes brancas durante o dia, fazendo com que o reflexo dos santos e anjos pareça ondular pacificamente com a vida.

A tradicional arte de se produzir um vitral

Foto: Berthold Werner/Domínio público/wikimedia commons.

Redação (03/08/2023 16:55, Gaudium Press) Se uma pessoa tiver que determinar o que poderia ser o mais famoso vitral do mundo, vários nomes viriam à sua mente, mas particularmente uma imagem poderia estar entre as primeiras a aparecer em sua memória: o Espírito Santo do Altar de Bernini, na Basílica de São Pedro do Vaticano.

Localizado sobre um dos mais belos altares, atrás do altar principal na maior das Basílicas papais, goza de uma relevância especial dentro do impressionante patrimônio da Igreja Católica. Esta obra, como outras localizadas na Capela Sistina e a Capela Redemptoris Mater foram produzidas em uma oficina notável do bairro romano de Trastevere, que desde 1900 desenvolve a arte em vidro de maneira artesanal: a oficina Vetrate d’Arte Giuliani.

Spiritus Sanctus

Foto: Dnalor/Domínio público/wikimedia commons.

Dificuldade em encontrar quantidade suficiente de vidro soprado

Há mais de 25 anos, Elsa Giuliani continua a tradição familiar iniciada por Giulio Cesare Giuliani, um químico apaixonado pela pintura que associou seu talento ao seu conhecimento técnico para obter peças de alta qualidade. “Nós trabalhamos de maneira privada e pública, para igrejas, bancos, cantores, atores, para todos”, relatou o proprietário a National Catholic Register. “Muitas pessoas não sabem sobre o campo da arte em vidro”.

Giuliani expressou que uma das dificuldades de seu trabalho é encontrar uma quantidade suficiente de vidro soprado, já que o mercado está saturado de vidro prensado de origem chinesa. As peças da oficina romana são elaboradas com vidro alemão da fábrica de ‘Lamberts’, que produz painéis com matérias-primas como a areia, o calcário ou até mesmo ouro. Os vitrais são elaborados com base em uma paleta de 1.100 cores disponíveis cuidadosamente selecionadas. “Quando você constrói a imagem, você deve ser muito cuidadoso para alcançar a harmonia entre as cores”, explicou Alessia Catallo, licenciada em Belas Artes e Trabalho de Metal que trabalha em Vetrate d’Arte Giuliani há anos. “É preciso muita paciência”.

Cathedral Fribourg vitrail Georg Michael Anna Maria 01

Foto: Józef Mehoffer/Domínio público/wikimedia commons.

Habilidade superior e a alta qualidade das cores

Os artistas devem medir e cortar os pedaços de vidro com precisão e aplicar a cor a cada peça, pintando os diferentes motivos que compõem a imagem. “Este é um processo muito delicado, porque cada erro pode ser revelado devido à transparência do vidro”, expôs Franco Galise, desenhista técnico principal e filho de um dos trabalhadores da oficina que trabalhou diretamente com Giulio Cesare Giuliani.

Um dos trabalhos da oficina foram os vitrais da capela da Universidade do Sagrado Coração, em Fairfield, nos Estados Unidos. “A habilidade superior e a alta qualidade das cores na arte, assim como a eficiência no isolamento do frio não tem comparação”, declarou à National Catholic Register, David Coppola, ex-Vice-Presidente de Planejamento Estratégico e Administração da Universidade. “As cores banham as paredes brancas durante o dia, fazendo com que o reflexo dos santos e anjos pareça ondular pacificamente com a vida. O efeito geral é de boas vindas, reflexão, comunidade e paz”. (EPC)


quarta-feira, 16 de agosto de 2023

O valor da vida humana sob o debate do aborto: uma análise

 


Dentre as propostas que estão em pauta, a descriminalização do aborto em qualquer circunstância tem gerado uma reflexão profunda sobre o valor da vida em nossa sociedade.

O debate em torno da legalização do aborto ganha destaque à medida que o Conselho Nacional da Saúde se aproxima de uma possível aprovação das conclusões discutidas na última Conferência Nacional da Saúde. Dentre as propostas que estão em pauta, a descriminalização do aborto em qualquer circunstância tem gerado uma reflexão profunda sobre o valor da vida em nossa sociedade. No entanto, essa questão transcende meramente aspectos médicos e legais, levantando preocupações éticas e sociais mais amplas.

O cerne desse tema reside na autorização da interrupção da vida de um ser humano em desenvolvimento, com base em argumentos como "direito reprodutivo" e "liberdade do corpo da mulher". Entretanto, essa abordagem suscita uma análise crítica, marcada pela percepção de desumanização do feto e pelo desrespeito a princípios fundamentais consagrados, como a inviolabilidade do direito à vida, garantido pelo artigo 5º da Constituição Federal. Essa discussão se estende também ao Pacto de São José da Costa Rica, que vigora e assegura o direito à vida desde a concepção, bem como ao Estatuto da Criança e do Adolescente, que preconiza a proteção à vida e ao nascimento saudável.

Nesse contexto, surge o questionamento sobre a cultura de morte que aparentemente permeia nossa sociedade, onde a vida indesejada ou inconveniente parece destinada ao descarte. A defesa da legalização muitas vezes argumenta que mulheres em situação de vulnerabilidade, especialmente aquelas de origem negra e de baixa renda, necessitam desse direito para evitar riscos de morte em clínicas clandestinas. No entanto, é necessário ponderar a veracidade das estatísticas que frequentemente inflam esse argumento, bem como considerar se a autorização para tirar a vida de um filho no ventre é realmente a aspiração dessas mulheres.

Nesse contexto, o movimento pró-vida ganha destaque, demonstrando que, ao acolher e apoiar essas mulheres em momentos de desespero, muitas vezes a escolha pelo aborto é deixada de lado. A falta de estruturas adequadas, como creches e atendimento de saúde, contribui para a pressão enfrentada por mulheres grávidas, especialmente aquelas em situação financeira precária. No entanto, a solução não deve ser a legalização do aborto, mas sim o investimento em políticas públicas que verdadeiramente auxiliem as mães e seus filhos, garantindo o direito à vida e ao bem-estar desde o início.

Em paralelo, é inegável a presença de interesses comerciais nas discussões sobre a legalização do aborto. A indústria do aborto, com seus próprios motivos financeiros, busca avançar nesse cenário, apoiando financeiramente organizações em defesa dessa pauta. A ênfase em exemplos de países desenvolvidos, como os Estados Unidos e a Holanda, onde o aborto já é legalizado, não deve obscurecer a análise crítica dessas políticas. Por exemplo, nos EUA, movimentos pró-vida têm crescido a cada ano, questionando essa prática, e denúncias sobre o tráfico de órgãos têm sido levantadas, envolvendo grandes redes de clínicas de aborto.

Em um panorama mais amplo, a discussão sobre a descriminalização do aborto revela complexidades éticas e sociais profundas. Enquanto cidadãos, conscientes do valor inestimável da vida humana, é crucial que não permaneçamos indiferentes a essa discussão. Em vez de encarar o aborto como solução, devemos buscar alternativas que protejam tanto os nascituros quanto as mães, promovendo a coexistência e o respeito mútuo. Em última análise, a mensagem é clara: a vida merece ser defendida, e a solução para nossos desafios sociais não pode residir na interrupção da vida humana.

Padre Lício de Araújo Vale – Diocese de São Miguel Paulista