domingo, 1 de setembro de 2013

O Deus da Aliança nos abraça na Palavra



Estamos iniciando, como Igreja, o Mês da Bíblia.
E como Igreja, somos comunidade que escuta e anuncia a Palavra de Deus, nutrindo-nos dela, buscando em seu conteúdo a orientação para o nosso caminho. Só quem se coloca à escuta da Palavra, pode tornar-se depois anunciador dela, segundo o Papa Emérito Bento XVI (em discurso de 16/09/2005).
"Só podemos conhecer a Deus, quando Ele decide fazer-se conhecer. E Ele o fez concretamente por meio da história humana de Abraão, de Isaac, de Jacó e de seu Filho."( Dom Geraldo M. Agnelo, Arcebispo Emérito de Salvador)
Na Bíblia nos encontramos com o Deus misericordioso que atesta seu amor e a fidelidade de sua Aliança até as últimas consequências, até dar seu Filho único em resgate por nossos pecados. É ali que está a história do abraço de Deus ao homem, abraço este que nos alcança em cada lugar ou situação em que estejamos.
Que neste mês, possamos sentir mais este encontro com os braços amorosos de Deus que a todos sustenta e acolhe.
Seguem abaixo orientações básicas de como ler a Bíblia de forma edificante:
1. Comece pelo Novo Testamento.
Geralmente as pessoas começam a ler a Bíblia sem nenhuma orientação, porém com muita boa vontade iniciam pelas primeiras folhas, isto é, o livro de Gênesis. A princípio é muito interessante, pois nestas primeiras passagens podemos tomar conhecimento a respeito da criação do mundo, a criação do homem, o dilúvio, a torre de Babel entre outros episódios, mas logo chega a genealogia, lista, enumeração ou diagrama com os nomes dos antepassados de um indivíduo e a indicação dos casamentos e das sucessivas gerações que o ligam a um ou mais ancestrais. E é por aí que muitos param, pois acham a leitura chata e enfadonha. Muitos fazem uma leitura salteada das passagens, vendo sempre pedaços e nunca o todo da Palavra de Deus.
Oriento que a leitura para quem está começando deve ser iniciada pelo Novo Testamento, principalmente pelos evangelhos. É imprescindível que iniciem lendo os quatros primeiros livros (Mateus, Marcos, Lucas e João) pois eles relatam a vida, os ensinamentos de Jesus, base da vida cristã. Estes livros são biografias de três homens que andaram com Ele e um que investigou apuradamente a seu respeito. 
2. Leia os evangelhos duas vezes.
É muito importante que você tenha um conhecimento da vida e dos ensinos de Jesus que sirvam de alicerce em sua vida. Por isso leia os evangelhos no mínimo duas vezes antes de continuar a leitura de todo o Novo Testamento.
3. Separe um tempo diariamente para esta leitura
Precisamos ser alimentados espiritualmente, assim como alimentamos o nosso corpo muitas vezes ao dia. Deus nos dá 24 horas por dia e é inadmissível que não possamos separar uma hora ou mais para dedicarmos a um conhecimento e relacionamento maior com Deus através da sua Palavra. Até porque só quem sai ganhando somos nós mesmos. Na verdade é um investimento, aplicarmos o tempo à leitura da Palavra e colhermos vida em Jesus.
4. Tenha antes um período de oração.
É também importante que você não faça uma leitura mecânica deste livro, isto é, ler por desencargo de consciência, ler por ler sem colher nada desta leitura, afinal você não está lendo um livro qualquer, você está lendo o livro que revela a vontade de Deus para sua vida. Por isso não o faça apressadamente. Tenha antes um tempo com Deus em oração onde você converse com Ele a respeito de sua vida e do que tem descoberto a respeito Dele e peça para que Ele esteja falando ao seu coração através das Sagradas Escrituras. Peça que o Espírito Santo revele para o seu coração aquilo que Ele quer mostrar e ensinar-lhe.
5. Tire lições meditando o que você leu.
O mais importante desta leitura é que você tire lições para sua vida, ou seja, que apreenda o que está sendo lido, de tal forma que deseje colocar isto em prática em sua vida diária, pois o próprio Senhor nos disse em Mateus 7:24 “Todo aquele, pois, que ouve estas minhas palavras e as pratica será comparado a um homem prudente que edificou a sua casa sobre a rocha”
Crie o hábito de meditar na Palavra de Deus. O que é meditar? É pensar, refletir, digerir, ver a importância daquela palavra para sua vida diante daquilo que você está vivendo. 
6. Tenha sempre um caderno de anotação.
É importante que você anote o que lhe parecer mais interessante, principalmente as lições que tirou para sua vida. O homem tem memória fraca e esquece com facilidade as coisas que aprende, por isso anote para que em outros momentos você possa recorrer as suas anotações quando quiser relembrar e também porque memorizamos melhor quando escrevemos o que estamos aprendendo.
Você pode também marcar com caneta na própria Bíblia o que lhe chamou a atenção. Sublinhe os versículos e passagem que foram importantes para você. Quanto à Bíblia, não se preocupe, uma Bíblia bem marcada é sinal que ela está sendo bem estudada, e isto é o mais admirável.
7. Tenha sempre um dicionário ao seu lado.
A maioria dos brasileiros têm pouco ou nenhum hábito da leitura, por isso algumas palavras são desconhecidas de seu vocabulário. Acontece que ao se deparar com uma dessas palavras, que não lhe traga sentido, significado, o leitor pode deixar de entender algo de muita importância para si. Por isso é preciso ter sempre um dicionário como auxílio, pois ao consultá-lo, aquele versículo ou mesmo toda a passagem terá esclarecimento para você.
8. Faça uma leitura sistemática.
Não leia passagens isoladas, mas sequencialmente siga os capítulos até terminar os livros, iniciando assim o próximo. Se você ler 3 capítulos por dia e 5 aos domingos você conseguirá ler toda a Bíblia em um ano. Comece pelo Novo Testamento, depois inicie a leitura do Velho.
Fonte: comolerabiblia.blogspot.com
Acompanhe em Álbum de Família a visita da Família Paulina ao Santuário de Aparecida dia 31/08/2013, por ocasião da preparação dos 100 anos da Família Paulina.

segunda-feira, 26 de agosto de 2013

A hora é a do testemunho


 
Chegamos à última semana de agosto onde refletiremos sobre os catequistas.
Ficou em nossa experiência de vida na Igreja, a imagem do catequista como aquele que forma os batizados para a Primeira Eucaristia. 

Sabemos, contudo, que esta formação na vida de todo católico deve ser permanente, ou seja, não se restringe apenas à fase da infância ou adolescência, onde nos preparamos para a Primeira Comunhão, ou mesmo para o Sacramento da Confirmação, o Crisma.

Focando nesta formação que acontece em momentos pontuais de nossa existência, podemos perceber que para a grande maioria dos católicos esta é a única fonte de contato com a Doutrina, o Magistério, e a Tradição da Igreja que conhecem. Ora, será que este contato acontecido lá no começo da adolescência tem profundidade suficiente para sustentar toda uma vida de fé? Se fosse, não encontraríamos tantos católicos que desconhecem questões básicas relativas aos mandamentos de Deus, aos mandamentos da Igreja, e a tantas outras verdades de fé que tomaram conhecimento lá aos 10 ou 15 anos, e que se perderam no tempo, por não terem sido aprofundadas, desenvolvidas e "ruminadas".

Hoje a Igreja sabe da imperiosa necessidade que tem de  promover uma catequese contínua para adultos, bem ministrada, que suscite em todos a consciência de que somos chamados, sem exceção, a sermos discípulos e missionários do Mestre Divino.

Por isso, o Papa Emérito Bento XVI, conclamou o Ano da Fé, para que toda a Igreja, em estado permanente de missão, redescubra nos seus membros, que sem uma experiência pessoal com Jesus Cristo, pouco, ou nada poderemos oferecer aos nossos irmãos que seja capaz de construir um mundo de paz e fraternidade, sem exclusões e desrespeito à vida.

As comunidades precisam estar preparadas para as exigências evangelizadoras: acolhida, diálogo, partilha, familiarização com a Palavra de Deus.

Somos, ou deveríamos ser, portanto, todos catequistas em potencial. Cabe a cada um de nós assumir, de acordo com nossos talentos e dons, o papel de testemunhar, especialmente com a vida, que é possível, sim, viver os valores do Evangelho à despeito desta sociedade onde impera o descompromisso generalizado. É possível colocar as mãos no "arado" e começar, com pequenos gestos: procurar familiarizar-se mais com a Palavra de Deus (10 minutos de leitura diária da Bíblia), com o Catecismo da Igreja Católica (que é uma leitura belíssima e inspiradora), da busca de uma melhor compreensão da liturgia da missa (disponível tanto em livros como em conteúdos na web), enfim, aprender mais para servir melhor.

A semana do catequista, é a nossa semana, é a semana de todos, sem exceção. Sempre haverá algo que possamos fazer para darmos nossa contribuição à Igreja em seu papel missionário. Afinal, a Igreja é uma construção viva de pessoas que se alicerçam sobre a pedra angular, Cristo, o Catequista por excelência. Ainda que seja um Pai Nosso, uma Ave Maria, um Sinal da Cruz feito com reverência e amor, um sorriso sincero e acolhedor, tudo pode ser transformado em testemunho, ou combustível para a catequese.

Aos nossos catequistas ativos, nossa oração e gratidão. Aos inativos, nossa súplicas: o dia é hoje, a hora é agora, decidamo-nos por Deus e seu Reino, e mãos à obra.

Ainda vivendo este Ano da Fé, busquemos aquilo que pode salvar nossas almas e as de nossos irmãos, propaguemos a Boa Nova: Cristo vive, está entre nós, nos ama com amor eterno e derrotou de uma vez por todas o pecado e a morte. Nada supera isto!!

domingo, 18 de agosto de 2013

Seguir Cristo, pobre, casto e obediente



Esta semana a Igreja se volta para a vida consagrada como opção de homens e mulheres que se sentem chamados a uma entrega total a Cristo e à sua Igreja. Nela eles testemunham uma comunhão mais profunda e íntima com o Mestre através do carisma da família religiosa a que pertencem.

Na contemplação e na atividade, na solidão e na fraternidade, no serviço aos pobres e aos últimos, no acompanhamento pessoal e nos areópagos modernos, estão prontos para proclamar e testemunhar que Deus é amor, e como é agradável amá-lo. Fazem isso porque ouvem as palavras de Jesus, como Maria (cf. Lc 10,39).

Vivendo os conselhos evangélicos, são um exemplo atual do Cristo casto, pobre e obediente, iluminando nosso tempo com uma vida que gera contradição em função do modelo de uma sociedade guiada essencialmente por valores materiais e individualistas.

São homens e mulheres que se comprometem com a promoção humana em seu aspecto social e sobrenatural, caminhando junto a todos os tipos de pessoas, raças e culturas. Optando preferencialmente pelos pobres, manifestam que o fazem não por causa da condição destes, mas por serem os preferidos pelo Senhor em razão de sua vulnerabilidade.

Também hoje, diante dos areópagos virtuais, os consagrados são chamados a serem discípulos e missionários por onde navegam os filhos de Deus, sedentos da Palavra e do conhecimento que preenche as lacunas que a ausência da fé deixa no coração de tantos e tantas.

Dentro da vida consagrada temos também aqueles que, vivendo no mundo, sentem-se chamados também à radicalidade que exige o Evangelho, buscando ser, na família, na sociedade e no trabalho, sinais do amor de Deus que nos chama a ser sal da terra e luz do mundo. Neste contexto surgem os Institutos de Vida Secular Consagrada, uma opção de seguimento de Jesus dentro do mundo.

A Família Paulina oferece quatro formas de atuar na vida corrente sendo um consagrado:

1.Instituto Nossa Jesus Sacerdote, para sacerdotes diocesanos que querem comprometer-se com uma espiritualidade dirigida e mais coesa;

2. Instituto Nossa Senhora da Anunciação, as Anunciatinas, para moças;

3. Instituto São Gabriel Arcanjo, para rapazes;

4. Instituto Santa Família, para casais.

Peçamos a Deus que suscite mais vocações consagradas para a nossa Igreja, de modo a formar uma imensa rede de homens e mulheres que, amando a Deus concretamente, se doem cada vez mais, e que pelo amor, construam um mundo mais cristão. 

Neste domingo em que celebramos a Assunção de Nossa Senhora - que foi elevada ao céu em corpo e alma - peçamos que Ela, Mãe de Jesus, o consagrado por excelência, que abençoe e interceda pelo aumento das vocações religiosas e consagradas.

Malu

segunda-feira, 12 de agosto de 2013

Casa x lar


Nesta segunda semana deste mês vocacional, justamente pela comemoração do dia dos pais, a Igreja reza e reflete sobre a família. Muitos papas, tanto do século XX, quanto do XXI, têm insistido na importância da reconstrução do sentido de família, que vai muito além de uma residência onde habitam um casal e seus filhos.
Há uma canção de Burt Bacharat que diz que uma casa não é necessariamente um lar. Uma casa é um ambiente geográfico que contém uma estrutura que proporciona abrigo e alojamento às pessoas. Nada além... Já o lar é a primeira escola dos afetos, é o berço da vida humana, é o lugar onde nos formamos para podermos um dia formar... Um lar é o lugar que ocupa um espaço privilegiado em nossas vidas, pois vai determinar quase tudo em nosso futuro.

O lar é principalmente o lugar onde queremos estar quando algo nos ameaça ou quando estamos exaustos, porque lá nos refazemos.

O lar é o lugar onde se vive o sentido de família. Lá está a semente da qual nascerão outras famílias chamadas a construir um mundo melhor, fundamentado em valores que não se desgastam com o tempo. Lá as dificuldades e obstáculos são superados pela fé em Deus, com o qual perdura a aliança feita pelo esposo e a esposa. Lá também são superados, pela fidelidade aos compromissos assumidos, todas as dificuldades e desencontros, as perdas, e aquilo que não foi possível realizar.

Na loucura dos ritmos excessivos, onde o consumismo, a indiferença quanto à vida, o abandono, a solidão e o egoísmo acabam por minar os laços familiares, o verdadeiro lar é a referência segura de que o olhar d’Aquele que tudo sustenta e  providencia há de proteger e assegurar os passos dos esposos e dos filhos por onde quer caminhem.

Um lar é um lugar exigente que requer a doação de dias e noites de vigília e trabalho escondido, de gentilezas e sorrisos, de lágrimas e cansaço, de muitas segundas feiras por vezes frias e sem sol, que no entanto vão compondo o mosaico multicor da história de cada um de seus membros, construíndo o que chamamos de “minha história”.

Que eu e você saibamos nos doar pelas nossas famílias. Que Deus, que nos deu esta vocação, também nos sustente e nos confirme como defensores da família, da vida, de um futuro alicerçado no amor.

Malu

                                           Oração da Família

Senhor, nós vos louvamos pela nossa família e agradecemos a vossa presença em nosso lar. Iluminai-nos para que sejamos capazes de assumir nosso compromisso de fé na Igreja e de participar da vida de nossa comunidade. Ensinai-nos a viver a vossa Palavra e o vosso mandamento de amor, a exemplo da família de Nazaré. Concedei-nos a capacidade de compreendermos nossas diferenças de idade, de sexo, de caráter, para nos ajudarmos mutuamente, perdoarmos nossos erros e vivermos em harmonia. Dai-nos, Senhor, saúde, trabalho e um lar onde possamos viver felizes. Ensinai-nos a partilhar o que temos com os mais necessitados e empobrecidos, e dai-nos a graça de aceitar com fé e serenidade a doença e a morte quando se aproximem de nossa família. Ajudai-nos a respeitar e incentivar a vocação de nossos filhos quando quiserdes chamar a vosso serviço. Que em nossa família reine a confiança, a fidelidade, o respeito mútuo, para que o amor se fortifique e nos una cada vez mais. Permanecei em nossa família, Senhor, e abençoai nosso lar hoje e sempre. Amém!

quinta-feira, 8 de agosto de 2013

A Mística do Sacerdote

 

Vamos ver na vida dos Santos, como a graça de Deus vem sempre ao encontro das nossas misérias e fraquezas, vem a cada instante com o seu amor e as suas ações por nós.

Exemplos não nos faltam na vida da Igreja. Podemos pegar o encontro surpreendente de Saulo com Jesus Ressuscitado na estrada para Damasco, que, com certeza, enche o nosso coração de coragem e de ousadia. Sim, podemos e devemos ousar na fé. Acreditar nas iniciativas de Deus em favor da sua Igreja e em favor de cada um dos seus sacerdotes espalhados pelo mundo inteiro.

E essas iniciativas do Senhor, não podem ser medidas e nem colocadas numa cartilha, porque para Deus tudo é possível. E tudo é tudo, não há como limitarmos o seu poder e a sua ação. Quem poderia imaginar que aquele que era perseguidor dos cristãos havia sido separado e escolhido pelo próprio Cristo para ser seu apóstolo? E que o milagre da transformação (conversão) do seu coração seria ainda maior do que o milagre de transformar a água em vinho nas Bodas de Canã? Saulo foi surpreendido por essa manifestação do Senhor. A iniciativa foi de Jesus Ressuscitado, e esse encontro mudou completamente a trajetória da sua vida. O que faz de Paulo (seu nome depois de convertido) um místico.

Assim devemos entender, também, toda pessoa vocacionada para a vida religiosa. Ela vai escutar um chamado de Deus, e vai dar o seu sim, vai dar uma resposta pessoal para o Senhor. O seu sacerdócio, a sua vida consagrada, nasce desta mística. Então, todo sacerdote, na raiz da sua vocação, é um místico, porque foi de Deus que ele sentiu o apelo para ser sacerdote, e é para Deus que ele deve atender a este apelo.

Não será para si mesmo, será para Deus, na Igreja, com a Igreja e para a Igreja, pela salvação das almas. Ele vai precisar desta mística na sua vida, no seu dia-a-dia, para poder sustentar o seu sacerdócio. Vai precisar, sobretudo, ter uma mística Eucarística, sem a qual não conseguirá se sustentar. Não conseguirá ser fiel. Não podemos nos esquecer do tema do Ano Sacerdotal: “Fidelidade de Cristo, Fidelidade do Sacerdote.”. A questão da fidelidade está no centro da vida de cada sacerdote.

Sem viver esta mística do seu encontro pessoal e de ter uma intimidade com o Senhor, ele não terá como sustentar a sua própria santidade. E menos ainda terá condições de cuidar da santificação das outras pessoas. Um sacerdote sem o cuidado e o esforço da sua santidade pessoal, não tornará a sua Paróquia santa e nem santificará a sua Diocese. E, assim, infelizmente, irá fracassar com o seu sacerdócio. Irá ferir o corpo místico de Cristo que é a Igreja.

Depois de receber o Batismo do Espírito Santo, pela oração de Ananias; Paulo ficou ainda uns três anos vivendo o seu processo de conversão. E, também se apaixonando por Jesus, até colocar-se fielmente a seu serviço. É fácil de ver este coração inflamado e apaixonado por Cristo em todo o seu apostolado. E aí está também um ponto importante para a vida de todo sacerdote, de toda pessoa consagrada na vida religiosa: permanecer apaixonado por Jesus. Não perder os dias do primeiro amor, mas sempre buscar a renovação deste amor. Sempre se manter numa relação estreita de cumplicidade com Aquele que é o Esposo de todas as almas consagradas.

Para se manter viva a chama deste amor, é preciso ter esta mística de uma vida em Deus, e com Deus. Uma mística que passa pela misericórdia, pela compaixão, pelo perdão, pelo amor e pela verdade. Vai abranger toda a sua vida diária, desde os pequenos detalhes do seu cotidiano. Sem escapar nada.

E vai ser exigido muito: muita humildade, muita caridade, muita pureza, muita escuta de Deus, muito abandono, muita abnegação, muito “morrer” todos os dias, muito “pegar a cruz”. E essa “imolação do sacerdote”, essa “imolação de toda vida consagrada” é o mais difícil de se viver, de se manter, de se querer.

A imolação está na solidão de vida, no celibato, na obediência, na fidelidade. Quem disse que é fácil ser fiel? Quem disse que é fácil manter o celibato? Quem disse que é fácil obedecer ao Evangelho? Obedecer à hierarquia? Obedecer ao Magistério? Quem disse que é fácil enfrentar a solidão de quem abriu mão de ter a sua família? Quem disse que é fácil anunciar Jesus Cristo e se tornar sua testemunha?

Quem disse que foi fácil para São José? Quem disse que foi fácil para Nossa Senhora? Quem disse que foi fácil para os Santos? Quem disse que foi fácil para São Paulo? E voltando lá para a vida deste grande Santo: quantas lutas, perseguições, dificuldades, naufrágios… Que ele soube enfrentar com destemor, com perseverança, e com uma confiança absoluta naquele que o havia chamado: “Tudo posso naquele que me fortalece.”

Olhando para a vida de São Paulo, queremos no dia de hoje tomar posse dessas palavras para a vida de cada sacerdote, especialmente para aquele, que por qualquer razão, não está conseguindo mais viver a sua própria santidade, e por conta disso não consegue mais comunicar a salvação de Cristo para as pessoas. Ousamos pedir na fé:

“Senhor Jesus, venha dar aos teus Sacerdotes do mundo inteiro a graça de vencer as suas maiores lutas; que eles possam, como São Paulo, dizer: Tudo posso, tudo espero, toda graça eu tenho Naquele que me fortalece . Fazei jorrar, Senhor, do teu Coração Eucarístico as tuas graças para aqueles sacerdotes que mais estiverem precisando. Amém.”

Com as nossas orações, Com Pe. Pio, Beata Madre Teresa de Calcutá, Beato João Paulo II e de todos os Santos do Céu !!!

Ernesto Peres de Mendonça