sexta-feira, 28 de agosto de 2015

Vós sois o sal da terra... Vós sois a luz do mundo...



Nestas duas frases contidas no Evangelho de São Mateus, capítulo 5, versículos 13 e 14, estão contidos o mandato de Jesus a todo batizado, ser sal e luz.

Quando fomos batizados nos tornamos membros do corpo de Cristo, ou seja, passamos a fazer parte da Igreja, a Esposa de Cristo. A partir de então, somos da família de Deus. Geralmente as famílias costumam ser guiadas pelas tradições de seus familiares, imitam os mais velhos, defendem suas crenças e modo de ser... Isso é pertencer à Igreja.

Jesus exorta aos seus apóstolos que sejam sal da terra. O sal dá sabor, dá gosto, dá vida aos alimentos. Assim também temos que ser no mundo essa presença que aponta para o verdadeiro, para o substancial, para o que perdura para além do tempo: o amor de Deus. Onde está o amor, aí está Deus. E onde está Deus estão a paz, a serenidade, a força, a coragem, a sabedoria, a alegria, a esperança, todas as possibilidades reais.

Quando Jesus afirma: “Vos sois a luz do mundo”, ele está dizendo que devemos caminhar à luz do seu ensinamento, da sua Palavra, do seu exemplo, de forma que aqueles que convivem conosco enxerguem em nossas atitudes uma contribuição para um mundo mais humano e fraterno.

São um desafio para cada um de nós estas palavras de Jesus, porque exigem uma mudança de atitude frente a tudo o que acontece à nossa volta. Contra todo o pessimismo reinante nesse mundo tão violento e caótico em que vivemos, somos chamados a ser um sinal de contradição, no sentido do bem.

 Lançar fora o egoísmo e ir ao encontro dos que sofrem. Temos que reconhecer a dignidade do irmão como criatura feita à imagem e semelhança de Deus. Somos filhos do mesmo Pai, portanto merecemos ser tratados da mesma forma, e isso independente de cor, condição social ou raça.

Lançar fora o relativismo e abraçar a verdade que é Cristo.

Lançar fora os comportamentos do mundo, onde a desonestidade, a falta de respeito, a imoralidade e a ausência de ética tornaram-se valores em alta.

Jesus espera que sejamos diferentes. Ele espera que tenhamos a coragem de não retribuir o mal com o mal, que saibamos dar exemplo de pessoas novas transformadas pela sua Palavra, pelo Sacramento da Reconciliação, pela Eucaristia. Não podemos ser uma pessoa dentro da Igreja e outra fora...

Que o Espírito Santo nos ajude para que sejamos testemunhas desse Reino que tem sabor de vida eterna, e é capaz de iluminar toda a nossa existência nessa terra.

ISF 

segunda-feira, 24 de agosto de 2015

Ideologia de gênero: polêmica em Veneza

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Patriarca Moraglia destaca as posições do papa sobre a diferença sexual e enfatiza que o católico honesto não pode "recortar" o magistério a seu bel-prazer

Por Redação  
Roma, 20 de Agosto de 2015 (ZENIT.org)


O patriarca de Veneza, Francesco Moraglia, se manifestou a respeito da polêmica levantada pelo cantor britânico Elton John, que acusou o prefeito veneziano Luigi Brugnaro de “fanatismo” por ter banidos das escolas da cidade os livros sobre a homossexualidade. Em comunicado divulgado pelo patriarcado, Moraglia salienta que "é preciso ter em mente que, para um católico, não obstante a opinião de personalidades famosas ou a decisão administrativa de um prefeito, são referência indispensável as reiteradas manifestações do papa Francisco (por citar algumas das mais recentes: a entrevista coletiva no voo de volta das Filipinas em 20 de janeiro de 2015; a audiência geral de 15 de abril de 2015; o discurso na visita ad limina dos bispos de Porto Rico, em 8 de junho de 2015), que, frequentemente, retorna ao tema com palavras claras e sem margem para mal-entendidos".

A propósito deste assunto, o papa fala ainda na recente encíclica Laudato Si’, recorda o patriarca: ela "aborda com delicadeza e firmeza a questão da diferença sexual no contexto da ecologia humana da vida cotidiana, que implica algo muito profundo: a necessária relação da vida humana com a lei moral inscrita em sua própria natureza, relação indispensável para se criar um ambiente mais digno. Já a lógica de dominação do próprio corpo se torna uma lógica às vezes sutil de dominação da criação. Aprender a aceitar o próprio corpo, a cuidar dele e a respeitar os seus significados é essencial para uma verdadeira ecologia humana. Apreciar o próprio corpo na sua masculinidade ou feminilidade também é necessário para se reconhecer no encontro com o diferente de si. Por isso, não é saudável a atitude que pretende ‘eliminar a diferença sexual por não saber mais lidar com ela’".

Moraglia torna suas as palavras com que Francis "se volta a todos, não só aos crentes, sobre a relação entre o homem e a mulher, essencial para o futuro da humanidade. A remoção da diferença é o problema, não a solução. O homem e a mulher devem se falar mais, se ouvir mais, se conhecer mais. O vínculo matrimonial e familiar é um assunto sério, e para todos, não só para os crentes. Gostaria de exortar os intelectuais a não abandonarem esse tema, como se ele tivesse se tornado secundário para dar espaço ao compromisso em favor de uma sociedade mais livre e mais justa".

O patriarca de Veneza conclui: "Não seria honesto ‘recortar’ o magistério do papa e ficar apenas com o que pode ser de gosto pessoal, deixando de lado o que poderia, para alguns, não ser agradável".

segunda-feira, 17 de agosto de 2015

Quando chegamos no limite


Quando chegamos no limite, Deus chega com a providência.
O limite de Moisés era o mar... Deus o abriu!!!
O limite de Abraão era a morte de Isaac... Deus providenciou o cordeiro.
O limite de Ana era a sua esterilidade... Deus lhe deu um filho.
O limite de Cristo era a morte, Deus o ressuscitou... 
Qual é o seu limite?
Que Deus abençoe sua vida abundantemente, e que aquilo que o limita seja só o instrumento para o milagre de Deus em sua vida. Não olhe para o problema como um fim, mas como a oportunidade da Glória de Deus.

João Batista S. de Lima

domingo, 9 de agosto de 2015

Pai, ofício de amor

Jesus nos contou de forma maravilhosa que Deus é Pai. A paternidade e a maternidade estão presentes em nossa natureza humana, e toda pessoa recebe esta missão, ainda que de formas diferentes. Ninguém nasceu para a esterilidade, pois todos nascemos para gerar, e não poderia ser de outro modo, pois somos imagens e semelhança de Deus, que é Pai e Mãe, ao mesmo tempo. Deus nos pede respeitosamente nossas entranhas paternas e maternas, como pediu à Virgem Maria, para continuar a gerar a vida. E é necessário que os homens assumam de forma madura sua forma de amar, para ser pais. 
 
No entanto a paternidade está em crise, o que leva à crise de lideranças maduras e corajosas no mundo. E quando faltam pais, idolatra-se a imagem de uma eterna juventude. Não basta ao homem gerar filhos, sem ser realmente pai. A ausência dos pais se expressa na ausência física, na ausência afetiva, com medo de expressar carinho e afeto e na ausência normativa, já que os pais devem claros em seus critérios sem receio de estabelecer limites. Sejam homens capazes de amar com vigor e ternura, para que se estabeleça o adequado equilíbrio de relações entre as pessoas, a partir da magnífica polaridade entre homem e mulher, criada pelo próprio Deus.

Fomos todos chamados a amar. E este amor começa em Deus, que é sua fonte, sem o qual todo amor humano desfalece. Queremos convidar todos os homens a acolherem com coração aberto o fato de serem amados por Deus e por ele chamados a amar. Amar é dar a vida pelos outros, com clareza e firmeza. Não há maior manifestação possível de virilidade do que sair de si mesmos para fazer o bem, buscando corajosamente o bem dos outros, começando pela prole que os homens têm a graça de gerar, participando da obra criadora de Deus. Sua missão é feita de um olhar acolhedor para a paternidade do próprio Deus, e lhes cabe enfrentar as múltiplas dificuldades da vida com ousadia e firmeza.

O amor há de ser vivido na família, e nos voltamos hoje de modo especial para os homens que receberam a vocação da paternidade. Cabe-lhes, por fidelidade à vocação recebida, a iniciativa do amor. Dar o primeiro passo para edificar a família e buscar o trabalho que lhes possibilite prover às necessidades do lar. Para tanto, devem descobrir cada dia mais o sentido da gratuidade. Está na natureza humana a superação das relações de troca com preço. É magnífico saber que pais de verdade não cobram pagamento dos que lhes são confiados. Isso faz com que, por mais simples que sejam suas vidas, sejam pessoas totalmente entregues à missão recebida. Vivem um ofício de amor, com o qual acolhem a todos e preferem cada pessoa, conhecendo a esposa e cada um dos filhos. Permanecem no amor (Cf. Jo 15, 9-11), acompanhando cada um dos membros da família, fiéis e perseverantes. Acompanhar é permanecer no amor, prolongar no tempo e no espaço a acolhida e a animação. É a atitude de quem assume a posição de pai, com atenção e serviço.
  
A Família, Igreja Doméstica, tem como vocação ser o rosto de Jesus, de braços abertos e coração palpitante, com boas vindas escrita nos umbrais da casa. E o "dono da casa" é chamado a ser sinal do Pai e do Filho, conduzido pela força do Espírito Santo. A Igreja Doméstica será de verdade uma casa de acolhimento na medida em que seus moradores acreditarem na força do Espírito que a ninguém nega sua presença e que a cada um acolhe no mais íntimo do coração, como “doce hóspede da alma”.

Justamente porque o mundo em que vivemos é frio e calculista e são muitíssimos os que se sentem sem apoio, queremos voltar "para casa", reencontrando no lar, fundado no Sacramento do Matrimônio, a fonte de realização sonhada por todos. Neste dia dos pais, olhamos com gratidão para aqueles que já vivem com intensidade sua magnífica vocação e rezamos pelos que, tendo-a recebido de graça, ainda não descobriram toda a sua grandeza. Nosso presente é dizer que são presente de Deus para nossas famílias!

Trechos do texto de Dom Alberto Taveira, Arcebispo Metropolitano do Belé do Pará para o Dia dos Pais

segunda-feira, 3 de agosto de 2015

Uma profunda fome


"Esforçai-vos não pelo alimento que se perde, mas pelo alimento que permanece até a vida eterna, e que o Filho do Homem vos dará. Pois este é quem o Pai marcou com o seu selo". (Jo 6,27)

Esta frase do Evangelho de João refere-se ao povo que seguia Jesus após o milagre da multiplicação dos pães, e que o buscava não pelo desejo de segui-lo buscando a conversão, mas porque ficara saciado pelo alimento material.

Jesus os adverte de que esta fome que sentem é de um pão que se corrompe e se perde, e os exorta a buscarem o alimento descido do céu, ou seja, Ele mesmo, o Pão da Vida, aquele que sustenta, e que tem o poder de conservar-nos e guardar-nos para a vida eterna.

Quantos de nós não temos o mesmo comportamento destes homens e mulheres que buscam a satisfação apenas das necessidades do corpo e não se preocupam com as necessidades da alma...Sabemos, contudo, que é numa alma cheia da força de Deus - através da comunhão frequente - que se opera o prodígio da conversão, da cura dos males espirituais, da consciência da fragilidade dos bens terrenos face aos eternos, do perdão dos pecados veniais, da coragem de enfrentar as vicissitudes do caminho com alegria e esperança, do encontro amoroso com Cristo que nos abençoa e renova, e tantos outros benefícios que só uma alma que busca o que não passa compreende.

Somos uma geração vítima de uma profunda fome de Deus, que necessitada do alimento que sustém se perde atrás da ilusão das coisas do mundo achando que está tudo bem, que ter as coisas substitui o raquitismo das coisas do alto. 

Temos que lutar por este alimento descido do céu. E lutar por ele significa construir a vida sobre a rocha que é Cristo. Significa dizer não estilo de vida egoísta e utilitarista que se espalha em nossos dias como uma epidemia, e assumir, de verdade, o papel que cabe a cada um de nós na construção de Reino de Deus que começa aqui, nesta vida. Lutar pelo pão descido do céu é não ter vergonha de defender a família tradicional, de viver segundo os mandamentos da lei de Deus, de não fomentar a violência, a desonestidade, o adultério, o aborto, e tantas coisas que nos tornam indignos de receber este pão celeste, que é o Corpo de Cristo triturado na cruz. Este pão é para todos, desde que queiramos também ser todos de Cristo.

Eis a resposta de Cristo para nós que desejamos segui-lo:

"Eu sou o pão da vida. Quem vem a mim não terá mais fome e quem crê em mim nunca mais terá sede". (Jo 6, 35)

 ISF