segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Sete verdades para provar que Deus não abandonou você


Muitas pessoas sentem que o peso do trabalho, problemas familiares, econômicos, desemprego, etc, as sufocam e não encontram saída por nenhuma parte (inclusive os cristãos praticantes); sentem que não suportam tudo isso, ainda mais quando vêm 2 ou 3 problemas desses juntos. Isso pode acontecer com qualquer um de nós em algum momento de nossa vida.

Para os planos de Deus sobre nós, não existem respostas teológicas concretas. Eu não sei o que Deus pode querer de você, ou o quão longe ele vai tentar a infelicidade.

Sabemos, certamente, que Escritura diz que as águas chegarão ao pescoço, mas não nos afogarão. Não vou mentir dizendo que seus sofrimentos já vão acabar. Quem faz isso são os astrólogos, que enganam as pessoas e brincam com sua sede de esperança e fé. Porém, além de mentir, não resolvem nada.

Sete verdades em que devemos acreditar:
  1. Tudo acontece para o bem daqueles que amam a Deus (Romanos 8,28). Embora não seja dito, o que está incluso neste “tudo” vai de presentes materiais de Deus até a cruz e o martírio.
  2. Deus não permite que sejamos testados além de nossas forças.
  3. Muitas vezes, as águas chegarão até o nosso pescoço, mas não nos afogarão.
  4. Muitas vezes, Deus espera que nós peçamos o que necessitamos, inclusive com sacrifícios, penitências e votos generosos. E, depois disso, Ele atua, porque queria despertar em nós esses atos que hão de nos santificar.
  5. A cruz está no caminho normal de toda pessoa chamada à santidade. E devemos aceitar com paciência e resignação nossas cruzes. Para isso, podemos ler, proveitosamente, o Livro de Jó.
  6. Isso não nos exime de fazer nossa parte para encontrar a saída. Muitas vezes, a graça que Deus nos dá não é encontrar a saída para os nossos problemas, mas sim a graça de tentar mais uma vez.
  7. Em nossa fraqueza, manifesta-se a força de Deus, como disse São Paulo. Às vezes, Deus espera até que fiquemos completamente abatidos para agir e, dessa forma, mostrar que foi sua mão que nos salvou, e não as nossas forças.
Sei que não é fácil, mas nunca deixe de orar.
“Sempre e por qualquer motivo, dê graças a Deus, nosso Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Efésios, 5,20)

Por Miguel A. Fuentes

segunda-feira, 9 de janeiro de 2017

O Ano Mariano


A Imagem milagrosa de Nossa Senhora Aparecida foi encontrada no rio Paraíba do Sul no ano de 1717.  Neste ano de 2017, portanto, o encontro da Imagem completa 300 anos. Assim, este é o Ano Nacional Mariano, onde a Igreja do Brasil celebrará este jubileu com os olhos postos em Maria.

Maria, a Mãe de Jesus e esposa de José, é a mulher da Sagrada Família, aquela se colocou à inteira disposição de Deus, para que tudo se cumprisse conforme a vontade Dele.

Ela venceu desde o início de sua jornada de "escolhida", porque soube dar glória a Deus através de tudo o que fazia, de tudo o que lhe acontecia. Maria não olhava para si mesma, mas somente para Deus. Ela empenhava-se em ser a serva do Senhor, uma criatura de uma dignidade incomparável que nunca tomou para si glória alguma, mas que soube cultivar o silêncio e a oração como armas potentes contra todo desvio e ilusão.

Sempre centrada em sua missão, ela não desperdiçou suas energias em planejar seus passos, em calcular como seria o futuro, em lamentar pelos infortúnios, ou em parar nas dificuldades. Ela seguiu em frente sempre guiada e iluminada pelo Espírito Santo, sempre em harmonia com seu esposo José, sempre dedicada e olhando de modo contemplativo para tudo o que fazia seu Filho Jesus.

Quantas lições para as nossas mães e esposas, para as nossas famílias. Quantas lições para todos aqueles que querem aprender a fazer a vontade de Deus, e viver em sintonia com os planos divinos. Sim, porque Deus tem um plano pessoal de salvação para cada criatura que sai de suas mãos. E isso ninguém pode mudar. Pode sim, não aceitar, não colaborar, ignorar, caminhar na direção oposta, revoltar-se, mas o desejo de felicidade que Deus tem para cada um é irrevogável, porque Ele é amor. 

Se o mundo está hoje tão repleto de desencontros, violência, injustiça, guerras, conflitos familiares e sociais, juventude sem rumo, infância desprotegida e roubada, solidão, desrespeito, e tantas outras chagas dolorosas, não será porque perdemos a noção de que somos criaturas, e queremos ser como deuses? Temos ainda a pretensão de que o dinheiro, a fama, os prazeres sem compromisso, a falta de limites podem controlar nosso comportamento e nos fazer felizes? Os jornais estão todos os dias com manchetes que comprovam que nada disto deu certo!

É preciso recuperar os valores que dão certo, que trazem paz ao espírito, que conseguem tirar o melhor de nós mesmos e dos outros. Olhando para Maria, um ser humano como nós, podemos chegar a Deus se a Ela nos consagrarmos, se Ela confiarmos nossas necessidades e súplicas, se Ela nos inspirar todos os dias a deixarmos que Deus tome o leme de nossa existência. Maria é também nossa Mãe, e como mãe jamais nos deixará sem os cuidados que carecemos para sermos de Deus, e para alcançarmos a vida eterna. Ela cuida bem de todos!

Confiemos a Nossa Senhora Aparecida a nossa família, nosso trabalho, e a todos os que amamos, e também os que ainda não conseguimos amar. Entreguemos a Ela o nosso Brasil tão necessitado de sua materna intercessão.

E que em seus braços escutemos seriamente aquilo o que Ela disse nas Bodas de Caná:

"Fazei tudo o que Ele vos disser." (Jo 2,5)

ISF

quinta-feira, 29 de dezembro de 2016

Família, torna-te o que tu és!


“A FAMÍLIA nos tempos de hoje, tanto e talvez mais que outras instituições, tem sido posta em questão pelas amplas, profundas e rápidas transformações da sociedade e da cultura. Muitas famílias vivem esta situação na fidelidade àqueles valores que constituem o fundamento do instituto familiar. Outras tornaram-se incertas e perdidas frente a seus deveres, ou ainda mais, duvidosas e quase esquecidas do significado último e da verdade da vida conjugal e familiar. Outras, por fim, estão impedidas por variadas situações de injustiça de realizarem os seus direitos fundamentais.” (Familiares Consortio – São João Paulo II)

Recordando e atualizando a colocação do Grande Beato João Paulo II na exortação apostólica Familiares Consortio, percebemos o grande desafio que hoje norteia nossas famílias: cultivar, manter e perseverar em sua missão.

Cultura de morte, relativismo moral e ético, ideologia do gênero, novas “modalidades” de família, degradação sexual e dispersão da fé são hoje visões e propostas que são oferecidas e muitas vezes imposta à família, até de forma sedutora, mas que comprometem diretamente a sua base e estrutura.

Mas como identificar estes desafios, como discernir a postura correta de pais e filhos, onde encontrar forças para enfrentar estes desafios e responder ao chamado de Deus?
A família é em sua essência, pela ação do Espírito Santo, o reflexo da Trindade, o santuário da vida e carrega em si mesma a “boa notícia” da vida, do amor, da fé e da esperança. Isso confere à família a graça e a grave responsabilidade de ser o depositário da fé, a célula mãe da sociedade, a escola da fé, da caridade e da esperança.

É possível ser santo na família, é possível viver a fidelidade, a castidade, o amor desinteressado, é possível ser feliz na família. Estas são verdades que pouco a pouco a família tem deixado de lado, tem esquecido e o que é mais grave, tem substituído por “falsas verdades”.

Faz-se necessário resgatar no seio da família o conhecimento acerca do desígnio de Deus para a mesma. Homem e mulher foram criados por amor e para o amor. E este amor os conduz à capacidade e responsabilidade de uma comunhão total, que abrange a dimensão conjugal e espiritual que é plenificada e consumada pelo sacramento do matrimônio.

Os casais precisam redescobrir e manter viva a dinâmica da verdade entre si, de perceber a beleza do outro, da transmissão da vida, de promover o diálogo e a vida de oração, de promover os momentos de convivência saudável, de educar os filhos, de irem a missa aos domingos e de servirem a Igreja.

Os esposos devem olhar um para outro como um dom, um tesouro que Deus os confiou. Tesouro este que deve ser guardado, zelado e amado com toda intensidade do ser de cada um. Devem deixar de lado o “eu”, o “meu” e abraçarem o “nosso”. Devem pôr os interesses econômicos, profissionais e materiais sempre ao dispor da santidade e da felicidade da família e não fazê-la refém destes interesses.

Os filhos precisam perceber que suas famílias são locais de acolhimento, escuta, alegria, perdão e amor. Precisam perceber que além de educadores, responsáveis e mantenedores eles tem amigos fiéis em seus lares, sempre dispostos a escutá-los, corrigi-los fraternalmente e principalmente amá-los. Só assim não serão seduzidos pelos apelos do mundo. Só assim poderão discernir bem nas diversas situações a que serão submetidos. Só assim serão homens e mulheres de Deus, amados e convictos de sua missão na sociedade e na Igreja.

A sociedade precisa reconhecer que a família é a principal coluna da sociedade, a principal defensora da vida desde a sua concepção até o seu declínio natural. Precisa reconhecer que os valores até então “descartáveis” são necessários e fundamentais para que tenhamos uma sociedade digna, justa e fraterna.

A Igreja, mãe e mestra, também necessita encontrar na família uma extensão de sua missão de instaurar o Reino de Deus e conduzir seu povo à salvação. Precisamos fazer de nossas casas, verdadeiras e autênticas igrejas domésticas, onde o sacrifício de Cristo no altar é atualizado e testemunhado no cotidiano de nossas vidas.

E tudo isso só será possível se cada um, generosamente, afirmar e confirmar o seu sim diário a este chamado de Deus. Um sim diário que será o eco de um sim eterno. Um sim diário que comportará todas as exigências e desafios próprios do tempo e das circunstâncias, mas que também trará consigo as alegrias e realizações também próprias de quem não obstante o sofrimento da cruz, crê na ressurreição e empenha suas forças em buscá-la.

E a partir deste sim, como luzeiros no mundo, testemunhar o poder do amor de Cristo Ressuscitado que revela e transmite este amor a nós e o plenifica no sacramento do matrimônio.

Família, torna-te o que tu és!!!

Sagrada Família de Nazaré, rogai por nós!!

Fabiano de Medeiros

terça-feira, 20 de dezembro de 2016

terça-feira, 13 de dezembro de 2016

Dezembro, entre Deus e o diabo


Nenhum outro mês é como dezembro. A iminência das festas de final de ano, a chegada das férias escolares, as comemorações “da firma”, os balanços anuais e os planos para um novo ano... Num frenesi de emoções contrastantes, corremos tanto para preparar nossos momentos felizes que nos arriscamos a esquecer de porque estes momentos deveriam ser felizes. Nos afanamos tanto em preparar nossas festas que não saboreamos sua razão de ser.

A Igreja, em sua sabedoria milenar, dedicou esse mês à interiorização do Advento, para a redescoberta das razões pelas quais fazemos as coisas, preparação para encontrar Deus como um singelo e desprotegido bebê. Esse deveria ser o tempo do retorno ao lar, quando os distantes voltam para suas famílias, os solitários redescobrem o amor, os pobres e os que sofrem são acolhidos com justiça e ternura, os filhos reencontram o Pai. 

Mas um habilidoso demônio preencheu dezembro com atividades estafantes e tediosas. Usando amores falsos, vendidos e até cínicos, conspurcou a memória do Amor e dos amores verdadeiros. Desvirtuou as festas, que deixam de celebrar a alegria e se tornam uma duvidosa catarse do vazio e da falta de sentido.

A questão não é só de uma festa mal comemorada. As festas celebram a vida. Uma festa mal comemorada representa uma vida mal vivida. Assim, uma cruel desumanidade, como sombra sutil, nos acompanha nesse tempo de maravilhas, transformando a Beleza em fantasia inconsequente. 

Nós, cristãos, nos acostumamos a criticar a mercantilização do Natal em nossa sociedade. É justo, mas com esse foco não percebemos que tudo que fazemos revela um pouco de nossos anseios mais profundos. O desejo de um amor sem limites; da paz que apaziguará não só as nações beligerantes, mas também os corações amargurados; da ternura que não só sanará nossas feridas, mas também trará a justiça para os excluídos e os pobres da terra – tudo isso está presente, ainda que desfigurado, nesse mês de dezembro.

O resgate desse tempo passa menos pela censura de seus desvios que pela percepção de toda a profundidade e riqueza humana que se esconde em seus símbolos, mesmo que oscilem da mais sublime espiritualidade ao mais reles mercantilismo.

Papai Noel não é só a degradação consumista do espírito natalino. Ele é a confirmação de que nossa cultura, por mais mercantilista e interesseira que seja, não consegue apagar em nosso coração o desejo de uma gratuidade e de uma bondade sem limites. A mentalidade do mundo diz que todos queremos ser sobrinhos (e herdeiros) do Tio Patinhas. Mas, no fundo, sabemos que só seremos felizes sendo filhos de um Papai Noel que sempre nos dê a alegria e a liberdade dos que vivem para amar.

A força do cristianismo não está em condenar o mundo, mas em mostrar sua verdade. Cristo não é aquele que condenou Mateus, Zaqueu, a samaritana, Madalena ou mesmo Pedro, mas sim aquele que lhes mostrou a existência de um Amor ansioso por responder ao drama humano.
O Advento e o Natal são o tempo de descobrir e testemunhar a verdade que se esconde por traz de nosso desejo de alegria, de paz e de festa. O mal não está em acreditar em Papai Noel, mas em pensar nele como a fantasia de uma noite de ilusão, e não como símbolo de uma realidade que nos acompanha todos os dias do ano.
Francisco Borba Ribeiro Neto,
coordenador do Núcleo Fé e Cultura da PUC-SP.