quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

Vigilantes para a vinda do Senhor



“O Senhor descerá com esplendor para visitar o seu povo e fazê-lo viver a vida eterna”. (Mc 13, 37)

O Senhor vem visitar-nos, trazer-nos a paz, dar-nos a vida eterna prometida. E deve encontrar-nos como na parábola do servo prudente que não dorme durante a ausência do seu amo e que, quando o seu amo regressa, o encontra no seu ligar, entregue à sua tarefa.
O Senhor vem a nós e devemos aguardar a sua chegada com espírito vigilante, não assustados com quem é surpreendido praticando o mal, nem distraídos como quem tem o coração posto unicamente nos bens da terra, mas atentos e alegres como quem há muito tempo aguarda uma pessoa querida. 

Vigiar é, sobretudo, amar. Pode haver dificuldades para que o nosso amor se mantenha desperto: o egoísmo, a falta de mortificação e de temperança ameaçam sempre a chama que o Senhor acende constantemente no nosso coração. Por isso é preciso avivá-la sempre, sacudir a rotina, lutar.

É necessário permanecermos vigilantes contra os inimigos de Deus, mas também contra a cumplicidade a que nos induzem as nossas más inclinações: “Vigiai e orai para não cairdes em tentação, porque o espírito está pronto, mas a carne é fraca”. (Mt 26, 41)

A nossa vigilância deve concentrar-se nas pequenas coisas que preenchem o dia, pois a pequenas coisas costumam ser a antessala das grandes. A purificação da alma não é uma tarefa meramente negativa, nem se propõe somente evitar o que esteja na fronteira do pecado; pelo contrário. Consiste em saber privar-nos, por amor de Deus, do que seria lícito não nos privarmos.

E na nossa oração fazemos propósitos concretos de esvaziar o nosso coração de tudo o que não agrade o Senhor, de cumulá-lo de amor a Deus com provas constantes de afeto por Ele – como fizeram a Virgem Santíssima e São José.

Suplicamos à Virgem Maria que a nossa vida seja sempre tal como pedia São Paulo aos primeiros cristãos de Éfeso: “um caminhar no amor”.(Ef 5, 2-5)

Francisco Fernandez Carvajal

terça-feira, 22 de novembro de 2016

Como ensinar as crianças a rezar


Hoje em dia muitas famílias já não oram mais juntas, e sempre surge a dúvida: quem deve ensinar as crianças a rezar? A família ou o catequista?

A criança precisa conhecer os elementos básicos da Fé em seus primeiros anos de vida, e nada melhor do que os pais, que são as pessoas mais próximas neste tempo para ensinar. Aquilo que se aprende no início da vida, nunca se esquece.

O primeiro passo é orar com a criança, um verso simples e curto, para que se desperte o desejo de rezar. Um exemplo fácil e muito utilizado é a música Mãezinha do céu:
Mãezinha do céu, eu não sei rezar 
Eu só sei dizer quero te amar.
Azul é seu manto, branco é seu véu,
Mãezinha eu quero te ver lá no céu.
 

Mãezinha do céu, mãe do puro amor 
Jesus é seu filho.
Eu também o sou.

Azul é seu manto, branco é seu véu 
Mãezinha eu quero te ver lá no céu.

Mãezinha do céu vou te consagrar 

A minha inocência, guarda-a sem cessar.
Azul é teu manto, branco é seu véu 

Mãezinha eu quero te ver lá no céu.


É importante ter cuidado com o que se deixa entrar em casa, como revistas e livros com conteúdos impróprios, alguns programas de televisão, músicas, etc. Não é difícil encontrar produtos, infantis inclusive, que podem auxiliar na evangelização das crianças ainda em seus primeiros passos, como Bíblia infantil, rosário para crianças, DVDs com desenhos bíblicos, programas de TV e músicas católicas, imagens de santos como criança, e diversos produtos que podem aproximar a criança da igreja.

O exemplo sempre será melhor forma de ensinar, a criança geralmente imita o pai e a mãe, portanto a oração diária, algumas músicas, o sinal da cruz, ir à missa aos domingos fará com que a criança aprenda rapidamente e essa experiência ficará gravada como algo bom, uma rotina da vida familiar.

Deve-se lembrar que ensinar é diferente de obrigar. O fato de ser obrigado a fazer algo naturalmente gera um desconforto. A criança forçada a orar pode se revoltar contra a igreja e não ter interesse nenhum em se aprofundar nos ensinamentos de Deus. No tempo dela, ela terá vontade de conhecer e aprender as orações e de acompanhar a família à missa.

O catequista ensina o essencial da Fé, e é importante sua participação na vida da criança durante o catecismo. O Papa João Paulo II disse: “A catequese é uma educação da fé das crianças, dos jovens e dos adultos, a qual compreende especialmente um ensino da doutrina cristã, dado em geral de maneira orgânica e sistemática, com fim de iniciá-los na plenitude da vida cristã”.

Além de passar as regras e a doutrina, o catequista tem a missão de promover o encontro pessoal do catequizando com Jesus. Para isso, a criança precisa ter o desejo de Deus, a vontade de estar próxima a igreja e participar do catecismo. A missão de despertar esse desejo, de iniciar essa aproximação é da família, principalmente dos pais. Como é sua participação nos grupos da comunidade? Quando participa da Santa Missa? Quais são os momentos de oração em família? Quais músicas costuma ouvir? Essas respostas o ajudarão a avaliar sua contribuição na evangelização de seus filhos.

“Disse-lhes Jesus: Deixai vir a mim estas criancinhas e não as impeçais, porque o Reino dos céus é para aqueles que se lhes assemelham.” (São Mateus 19, 14).

Aleteia

terça-feira, 1 de novembro de 2016

Sábia preparação do Juízo Final


Estamos em novembro, mês das almas do purgatório. Todos querem salvar-se, contudo não sabemos em que condições estaremos no dia de nossa morte. É possível que tenhamos que passar pelo purgatório, uma vez que somos pecadores, e que nem sempre estamos no estado de pureza tal que nos garanta a ida ao céu logo após nossa morte. Por isso, vamos meditar sobre um texto do livro “Imitação de Cristo”, tão antigo e sempre repleto de sabedoria...

“Em todas as coisas olha o fim, e de que sorte estarás diante daquele retíssimo juiz para quem nada é oculto, que não se abranda com dádivas, nem admite desculpas; mas que julgará segundo a justiça.
Ó pobre pecador! Que responderás a Deus que sabe todas as tuas maldades, tu que às vezes temes o rosto de um homem irado?
Por que não te acautelas para o dia do juízo, quando ninguém poderá ser desculpado nem defendido por outrem, mas cada um terá bastante que fazer por si?
‘Pois então estarão os justos com grande constância contra os que os angustiaram e perseguiram’.(Sb 5,1)
Então se levantará para julgar aquele que agora se sujeita humildemente ao juízo dos homens.
Então terá muita confiança o pobre humilde; mas o soberbo estremecerá de pavor.
Então se verá como foi sábio o que neste mundo aprendeu a ser louco e desprezado por Cristo.
Então agradará toda a tribulação sofrida com paciência, ‘e a maldade não abrirá a boca’. (Sl 106,42)
Então se alegrarão todos os devotos, e se entristecerão todos os irreligiosos.
Então exultará mais a carne mortificada, que a que sempre viveu em deleites.
Então resplandecerá o vestido grosseiro, e parecerá vil o precioso.
Então será mais aplaudida a pobre choupana, que o suntuoso palácio.
Então aproveitará mais a constante paciência, que todo o poder do mundo.
Então será mais exaltada a simples obediência, que toda a sagacidade do século.
Então se alegrará mais a pura consciência, que a douta filosofia.
Então te consolarás mais de haver orado com devoção, que de haver comido com regalo.
Então te alegrarás mais de ter guardado silêncio, que de ter falado muito.
Então te aproveitarão mais as obras santas, que as palavras floridas.
Então agradará mais a vida estreita e rigorosa penitencia, que todas as delícias terrenas.

Do livro “Imitação de Cristo” – Tomás de Kempis


segunda-feira, 24 de outubro de 2016

O rosário: armadura espiritual



"O príncipe Eugênio de Savóia (1663-1736), brilhante e vitorioso general de campo das forças católicas contra os exércitos invasores muçulmanos da Europa Central, estava diante de uma batalha grande e decisiva. Devo salientar que eram homens destemidos, e não como se costuma dizer em alemão: "irmãozinhos de reza", sempre com um livro de reza debaixo do braço, mas de resto sem muita iniciativa para enfrentar a vida. Não, não eram assim os homens de guerra, homens que enfrentaram pesadas batalhas. Assim entraram na história como heróis. Não eram tipos prepotentes, tinham o costume de dirigir-se à Mãe de Deus para pedir auxílio, no silêncio e a sós, antes de se pôr na frente da linha de batalha.

O príncipe Eugênio, o nobre cavalheiro... assim se canta na conhecida canção!... A história relata: quando os soldados o viam, enrolado no manto militar, com o capuz sobre a cabeça, em silêncio andando para lá e para cá, com o terço na mão, diziam entre si: 'amanhã vai começar encrenca...amanhã certamente teremos batalha grande e decisiva!' O Príncipe Eugênio era de baixa estatura. Por isso os subordinados chamaram-no de o Pequeno - o Capuchinho, e diziam: ' de novo com o capuz sobre a cabeça, puxando o rosário do bolso... está se armando algo... amanhã vai começar a batalha'.

O que isso tudo quer dizer? O rosário é uma armadura de batalha, com todo o significado desta expressão. O Príncipe Eugênio se prepara para o grande golpe contra o inimigo. Com que se prepara? Prepara-se com a reza do terço! Sempre ganhou as batalhas. De fato foi um grande general do Rosário... O pequeno capuchinho tinha o capuz sobre a cabeça e o rosário na mão.

Conta-se também que o notável e santo sacerdote Clemente Maria Hofbauer, redentorista (1751-1820), tinha o costume de dizer, quando chamado ao leito de morte de um pecador endurecido, que não queria saber de conversão: 'se eu tiver tempo para ainda rezar o terço, ganharei qualquer batalha, levarei qualquer pecador de volta para Deus'. 

Apliquemos tudo isso para a nossa situação: agora sou eu o pequeno capuchinho... A minha esposa foi abençoada com um novo filho e espera o seu nascimento, e estou preocupado... Fazer o que agora? O general do Rosário faria o quê? Conhecemos a resposta...Ou os meus filhos estão diante dos exames e provas... Ou mesmo estou procurando um novo emprego, estou em grandes apuros financeiros... preciso construir uma casa... O que faz a essa altura o General do Rosário? Seguremos o rosário nas mãos. Ele é o nosso breviário de família e, ao mesmo tempo, a armadura de luta em todas as situações.

O rosário é de fato uma armadura de batalha. A armadura de batalha, o equipamento 'bélico-espiritual'... O que o rosário significa para nós? Eis uma grande verdade que queria dizer-lhes: para nós o rosário é uma grande armadura para as batalhas espirituais.
Vejam o valor do rosário. De fato é uma armadura! Com esta também ganharemos qualquer batalha, só é preciso rezá-lo!"
Pe. José Kentenich