domingo, 11 de novembro de 2018

quinta-feira, 1 de novembro de 2018

O meu jugo é suave


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Senhor, no dia em que pronunciastes estas palavras, muitos de vossos ouvintes as julgaram bem temerárias, para não dizer absurdas. O vosso jugo é suave!

Mas...e os mandamentos todos, os deveres de estado, as múltiplas e perpétuas obrigações? O vosso jugo é suave!... E o perdão das ofensas, a guerra ao egoísmo?

Olho em torno a mim. Parece que tudo conspira para contradizer vossa tranquila afirmação. Numerosos cristãos não levam mais que a metade ou a terça parte de vosso fardo, e não obstante já se creem sobrecarregados. Uns não observam mais que dois ou três dos dez mandamentos, outros vos concedem apenas algumas horas por ano: mas isso quando lhes sobra tempo... E dizeis suave o vosso jugo!

O segredo está em aceitar a ordem divina, pois só nesta atitude os fardos equilibram-se. Quando se leva generosamente o jugo da lei de Deus, tomando até mesmo os conselhos com os preceitos, o conjunto torna-se mais leve, assim como o melhor meio de se tornar corajoso é imprimir coragem nos outros, e o método mais eficaz de aliviar o próprio sofrimento é o diminuir o de alguém.

Gostamos de ragatear; dizemos: conservarei as aparências de honestidade, garantirei o aspecto exterior da virtude, mas não posso além disso vigiar o meu interior e regular os meus desejos secretos. Tarefa impossível.

Diz-se: não irei até a falta grave, mas não posso evitar as pequenas leviandades e as complacências mínimas; não posso renunciar aos sonhos sentimentais, e gosto por demais do que Deus proíbe, para poder desprender-me de tudo. Tarefa impossível, querer conservar meia castidade, passar pelo fogo sem ficar com o cheiro e a marca da queimadura. 

Pergunte às pessoas sinceras, àquelas que se entregaram a Deus num gesto irrevogável, se o sacrifício lhes é doloroso, e eles lhes responderão convictos, que lhes parece jamais ter feito sacrifício algum, e que nada é mais fácil que não calcular. Aquele que só conhece estas duas palavras: nada e tudo, não se embaraça com a busca de cocientes, não perde tempo com multiplicações. O jugo do Senhor não afeta o ombro desses fiéis.

Fardos sobre fardos tornam mais pesados os corpos, mas fazem mais leves as almas, como as asas que pesam sobre o pássaro, mas lhes servem ao mesmo tempo de apoio para subir.

Pierre Charles S.J.

segunda-feira, 22 de outubro de 2018

quinta-feira, 11 de outubro de 2018

Doze ensinamentos do Papa Francisco sobre Nossa Senhora


Toda a existência de Maria é um hino à vida

Nosso caminho de fé está unido de maneira indissolúvel a Maria, desde o momento em que Jesus, morrendo na cruz, entregou-a a nós como Mãe.
O Papa Francisco, em cada uma de suas homilias sobre Nossa Senhora, nos garante que Maria vela por todos e cada um de nós, como mãe e com uma grande ternura, misericórdia e amor, e sempre nos incentiva a sentir seu olhar amável.
Apresentamos, a seguir, alguns dos ensinamentos do Papa Francisco sobre Maria:
1. Um cristão sem Maria está órfão. Também um cristão sem a Igreja é um órfão. Um cristão precisa destas duas mulheres, duas mulheres mães, duas mulheres virgens: a Igreja e a Mãe de Deus.
2. Maria faz precisamente isso conosco: nos ajuda a crescer humanamente e na fé, a ser fortes e a não ceder à tentação de ser homens e cristãos de uma maneira superficial, mas a viver com responsabilidade, a tender cada vez mais ao alto.
3. Ela é uma mãe que ajuda os filhos a crescerem, e quer que cresçam bem. Por isso, educa-os a não ceder à preguiça (que também deriva de certo bem-estar), a não conformar-se com uma vida cômoda que se contenta somente com ter algumas coisas.
4. Maria nos dá saúde. Ela é a nossa saúde.
5. É a mãe que cuida dos seus filhos para que cresçam mais e mais, cresçam fortes, capazes de assumir responsabilidades, de assumir compromissos na vida, de tender a grandes ideais.
6. Maria é mãe, e uma mãe se preocupa sobretudo com a saúde dos seus filhos. A Virgem protege a nossa saúde. O que isso quer dizer? Penso sobretudo em três aspectos: Ela nos ajuda a crescer, a enfrentar a vida, a ser livres.
7. A Virgem Maria educa seus filhos no realismo e na fortaleza diante dos obstáculos, que são inerentes à própria vida, e que Ela mesma padeceu ao participar dos sofrimentos do seu Filho.
8. Ela é uma mãe que nem sempre leva seus filhos pelo caminho mais “seguro”, porque dessa maneira eles não podem crescer. Mas tampouco somente pelo caminho arriscado, porque é perigoso. Uma mãe sabe equilibrar estas coisas. Uma vida sem desafios não existe, e uma pessoa que não sabe enfrentá-los arriscando-se não tem coluna vertebral!
9. Maria luta conosco, sustenta os cristãos no combate contra as forças do mal.
10. Maria é a mãe que, com paciência e ternura, nos leva a Deus, para que Ele desate os nós da nossa alma.
11. Maria é a mamãe boa, e uma mamãe boa não somente acompanha os filhos no crescimento sem evitar os problemas, os desafios da vida; uma mamãe boa ajuda também a tomar decisões definitivas com liberdade.
12. Toda a existência de Maria é um hino à vida, um hino de amor à vida: Ela gerou Jesus na carne e acompanhou o nascimento da Igreja no calvário e no cenáculo.

Oração
Maria,
faze-nos sentir teu olhar de Mãe,
guia-nos até o teu Filho,
faze que não sejamos cristãos de vitrine,
mas cristãos que sabem construir,
com teu filho Jesus,
o seu reino de amor,
de alegria e de paz.
Amém.

Aleteia

terça-feira, 9 de outubro de 2018

"O que Deus uniu, o homem não separe"


“No entanto, desde o princípio da criação Deus os fez homem e mulher” (Mc 10,6)

 

No evangelho deste último domingo, partindo da pergunta que lhe fazem, Jesus não foca tanto na questão do divórcio (ou repúdio), quanto no lugar e na dignidade da mulher; sua resposta vai centrar-se em outra direção, pela qual não lhe haviam perguntado.

Na realidade, a atitude de Jesus é coerente com toda sua trajetória. Se algo fica claro, no relato evangélico, é seu posicionamento decidido a favor dos “últimos”, dos “pequenos”, das “crianças”, das mulheres...Por tudo isso, não parece casual que, depois do relato no qual defende a igualdade da mulher com relação ao homem, apareça a cena de Jesus abraçando as crianças.

Seja qual for o motivo da pergunta feita pelos fariseus, a resposta de Jesus vai se centrar neste ponto: a “intuição primeira” (e, portanto, também o “horizonte”) para a qual tende a relação amorosa entre homem e mulher: “o que Deus uniu o homem não separe”. Mas Deus não une pelas leis canônicas e sim pelo amor cuja intenção é a plena comunhão entre duas pessoas. Uma coisa é a indissolubilidade canônica e outra é a fidelidade que o casal deve atualizar cada dia e em cada instante de sua convivência.

Sabemos que o ser humano se humaniza quando em companhia, e uma estável relação de casal alcança o grau mais profundo de realização humana. Esta é a chave de todo o discurso de Jesus.
Este projeto matrimonial é para Jesus a suprema expressão do amor humano. É Deus mesmo que atrai mulheres e homens para viverem unidos por um amor livre e gratuito. O matrimônio é a verdadeira escola do amor. Nenhuma outra relação humana chega a tal grau de profundidade.

O amor não é puro instinto, não é paixão, não é interesse, não é simples amizade nem simples desejo de um querer mútuo. É a capacidade de ir ao(à) outro(a) e encontrar-se com ele(ela) como pessoa, para que, no mútuo crescimento e experimentando-se como dom, ambos possam se ajudar para serem mais huma-nos. E uma das qualidades mais bonitas do amor é que deve estar crescendo toda a vida.

Nesse sentido, o matrimônio não é uma realidade estática, mas dinâmica, é chama divina, é mudança, é abertura ao novo, é projeto a ser construído cotidianamente a dois, é movimento na direção de um “Amor maior”, “amar melhor”, fundado sobre o amor incondicional de Deus.

O Vat. II define a vida matrimonial como “comunhão de vida e de amor”.

1.  Comunhão de amor. Não de amor como mero enamoramento transitório; homem e mulher uniram-se em matrimônio não só porque se queriam, senão para plenificar o amor entre ambos.
2.  Comunhão de vida, porque prometeram percorrer, mutuamente unidos, o caminho de sua vida, não meramente “até que a morte os separe”, mas “até que a vida inteira, percorrida em uníssono, os una por completo”.

Ao envelhecer juntos, meta desafiante, consuma-se o matrimônio. Assim é que se realiza a vida juntos, fazendo-se companhia digna, ajudando-se mutuamente a se tornarem mais humanos; uma companhia experimentada como dom, com alegrias e sombras, querendo-se muito e também sendo mútuo suporte, mesmo no outono da vida.

Por isso, ao falar de “indissolubilidade matrimonial”, é preciso assumir com lucidez e serenidade o caráter processual da relação de “duas pessoas unindo-se” em “comunhão de vida e amor”.

Os trâmites legais que certificam o consentimento conjugal se firmam em um momento. Mas a união de duas pessoas em “comunhão de vida e amor” não é momento, mas processo; não tem efeito instantâneo a partir de uma declaração legal, nem de uma fusão biológica, nem de um artifício mágico, nem sequer de uma benção religiosa; não é uma foto estática e morta, mas um processo dinâmico e vivo.

Assim, podemos afirmar que o casamento é um momento, mas o matrimônio é um processo que deve ser re-inventado, re-construido cada dia. Isso implica ser criativo na maneira de vivê-lo, buscar novas expressões, novos gestos... A cada dia, o casal deveria dizer, um ao outro: “Hoje eu te recebo novamente como minha esposa/meu esposo, e te prometo ser fiel, na alegria e na tristeza...”.

A indissolubilidade matrimonial não é um caráter selado a fogo como um carimbo, mas uma meta, fim e horizonte do processo em direção a uma profunda unidade de vida: “Serão os dois um só ser” (Gen 2,24); unidade sem costuras, na qual não se nega a diferença, mas esta fica integrada ou abraçada na Unidade maior que nada deixa fora. “Projeto a dois”, mas sem anular a identidade, a originalidade do outro. O amor faz do homem e da mulher não “duas metades” que se encontram, mas dois inteiros que se doam, e que generosamente acolhem e transbordam o Amor de Deus semeado em seus corações, desde sempre.


Baseado em reflexão de Pe. Adroaldo, SJ