terça-feira, 15 de agosto de 2017

Jesus Sacramentado fala ao coração de quem está diante Dele

Esta história aconteceu há dois anos. Eu estava em um sacrário, na presença de Jesus Sacramentado.

De joelhos, eu rezava. Ingenuamente, perguntei a Jesus:
 “O que quer de mim, Senhor?”

 Rapidamente, uma voz interior clara e transparente, respondeu:
“Escreva! Todos devem saber que eu os amo”.

Aquela experiência impactante marcou a minha vida.
Hoje, uma sobrinha me fez uma pergunta que me levou de volta a esse momento:
 “Tio, por que você escreve tanto sobre o sacrário?”

Esse é o motivo! “Escreva! Todos devem saber que eu os amo”. Isso marcou um começo para mim e me levou a viver grandes aventuras espirituais. Confesso que, a princípio, fiquei aterrorizado.
 “Quem sou eu para escrever sobre ti, Senhor?”

Lembrei- daquela bela canção que reflete exatamente o que eu vivenciei:
“Senhor, não sou nada. 
Por que me chamou? 
O Senhor passou em minha porta e bem sabe
Que sou pobre e fraco.
Por que se fixou em mim?”

Não foi fácil! Tive e tenho grandes batalhas espirituais. As tentações são muitas. Os problemas e as dificuldades não faltam. Mas a graça me sustenta, juntamente às orações e a presença bondosa de Deus. A maior tentação? O desânimo, a vontade de não continuar. 

Curiosamente, toda vez que isso acontece, sinto que o Bom Jesus me envia um sinal, de forma inesperada.

Há algum tempo, eu estava decidido a abandonar esses escritos. Ia me dedicar a outra coisa. Fui à Missa na Igreja de Guadalupe para falar com Jesus e dizer-lhe sobre minhas intenções:  “Bom Jesus, acabou. Melhor buscar outra pessoa”. 

Nisso, um conhecido se aproximou de mim e disse:  “Claudio, tenho um amigo que quer te conhecer e falar com você”.

“Com muito prazer. Quando terminar a missa, vamos falar”, respondi.
Ele se aproximou de mim no fim da Eucaristia, nos sentamos em um banco e ele me disse:
 “Minha esposa me abandonou há pouco tempo. Tenho quatro filhos pequenos…”

As crianças corriam felizes de um lado para o outro.
 “Angustiado por isso e sem saber o que fazer, decidi acabar com tudo. Mas antes, gostaria de uma oportunidade. Fui a uma livraria e falei com a atendente. Ela sugeriu que eu lesse um livro de Claudio de Castro. Não sabia que era você. Mas comprei o livro…”
 “Está angustiado com isso? O que aconteceu?”, perguntei ao homem. 

 “Aqui estou. Em sua frente, para te agradecer e te fazer um pedido: Escreva. Não deixe de fazer isso”. 

Essas palavras me impressionaram. E eu respondi: “Vá ao sacrário e agradeça a Jesus. Ele é quem dá as graças de que precisamos. Ele é quem faz tudo.”
O que aconteceu depois disso?  Simples: continuei escrevendo.  Por quê? A canção explica melhor que eu:
“É impossível conhecer-te, Jesus, e não te amar. É impossível amar-te e não te seguir.”

Mas posso te pedir um favor? Quando for ao sacrário, diga-lhe: “Claudio te manda lembranças”.

Claudio de Castro

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Por que Deus não curou #CharlieGard?


A notícia se espalhou rapidamente em todo o planeta. Charlie Gard, o bebê britânico portador de uma doença grave, morreu em um hospital de Londres. Embora já fosse esperada, a morte de Charlie deixou todo mundo triste.

Nos últimos meses, a situação de Charlie chamou a atenção. Diagnosticado com uma doença terminal, o bebê que ainda não tinha um ano de idade, teve sua vida e sua morte no centro de uma amarga disputa legal. Enquanto os médicos de Charlie julgavam melhor suspender os tratamentos, os pais dele não concordavam. Eles queriam dar ao filho uma chance de lutar pela vida, mesmo que os tratamentos experimentais apenas melhorassem sua grave situação. O que aconteceu deixou de ser uma disputa sobre o tratamento de Charlie e tornou-se uma batalha judicial sobre os direitos parentais. Entre o hospital e os pais, quem deveria ter a última palavra ao determinar o que seria melhor para uma criança doente? Em inúmeras audiências, os pais de Charlie, Chris Gard e Connie Yates, perderam quase todas as apelações. Os tribunais negaram os pedidos que eles fizeram para transferir o garoto para outro hospital e buscar tratamento experimental no exterior.  Até mesmo a solicitação para levar Charlie para a morrer na sua própria casa foi negada. A cada passo, os juízes contestavam os pedidos com base em evidências clínicas. Resultado: Charlie não deixou o hospital no qual ele foi diagnosticado e os desejos dos médicos finalmente foram cumpridos.

O debate legal sobre o caso Charlie Gard vai continuar como era de se esperar.
Mas não é só isso. As questões culturais e religiosas também serão discutidas. Por exemplo: no lado religioso, alguns fiéis podem encontrar na doença e na morte de Charlie um desafio à fé. Embora as fotos do batismo de Charlie nos consolam como cristãos, podemos nos perguntar, no entanto, por que Deus não atuou radicalmente para salvar a vida do pobre Charlie?

Perguntas como esta podem ser inevitáveis, mas não ficam sem respostas. Como escrevi alguns dias atrás, o propósito da oração de intercessão não é mudar a vontade de Deus; seu objetivo é nos mudar. Santo Agostinho explicou isso, há séculos, a uma nobre cristã que enfrentava inúmeros desafios. O santo bispo incentivou a mulher sofredora a rezar por uma “vida feliz”, que é quando possuímos tudo o que desejamos, contanto, é claro, que não desejemos nada do que não devemos ter. Em outras palavras, a felicidade consiste em possuir o que Deus quer nos dar. A visão de Agostinho, aqui, é instrutiva. Ao abrirmos nossos corações para Deus – para nós e para os outros – a nossa oração é purificada, de modo que, ao longo do tempo, começamos a desejar mais o que Deus quer nos dar e menos o que nós gostaríamos de ter. Mesmo em tempos de angústia, explicou Agostinho, a oração transforma nosso sentimento de dor e ansiedade para iniciar a busca do bem maior que Deus nos proporciona através do nosso sofrimento.

Na sua doutrina de oração, São Tomás de Aquino destacou o mesmo ponto. Ele ensinou que rezar pela salvação, por uma graça, por uma conversão e pelo crescimento de uma virtude é alinhar nossas vontades às de Deus. Consequentemente, Deus não é aquele que muda como resultado de nossa oração; nós é que mudamos. Apesar disso, Tomás de Aquino e Agostinho não acreditavam que nós não deveríamos orar também pelos bens temporais – por um bom trabalho, pela preservação da doença, pela proteção contra os inimigos -, mas ambos consideravam que nosso desejo por esses bens deveria ser orientado para a felicidade final e eterna que Deus quer para cada um de nós. O desejo de atingirmos o Céu, portanto, representa o fruto da nossa oração: de que a vontade de Deus seja feita, tanto na terra quanto no Céu. Mesmo que soframos por causa do desemprego, de uma doença difícil ou dos ataques de nossos inimigos, a nossa vontade de chegarmos ao Céu deve permanecer – e até mesmo crescer.

Quando aplicados à curta vida de Charlie Gard, os ensinamentos cristãos sobre a oração podem ser um desafio. Precisamos de muita fé para entender que a morte do pequeno Charlie, que ocorreu apesar do derramamento de oração por sua vida, nos aponta para algo bom que Deus quer nos dar, algo maior do que o mal que representa a morte de Charlie. Este mistério não deve nos surpreender, é claro. Considere a vida e a morte de Jesus. A paixão de Cristo levou-nos a um bem maior do que o mal da execução de Deus-Homem. Assim também se dá com todo o mal que enfrentamos; Deus permite isso apenas por causa de um bem maior. Consequentemente, enquanto pedíamos a vida de Charlie Gard, buscávamos, de fato, não mudar Deus, nem forçar Sua mão para agir, mas, sim, mudar a nós mesmos. Através da nossa oração, buscamos alcançar o bem maior que Deus vai conceder depois de permitir a doença de Charlie. Agora que nossa oração mudou e rezamos pelo repouso de sua alma, o trabalho de mudar-nos através da busca desse bem maior, que envolve o sofrimento da morte de Charlie, deve se intensificar.

Talvez esta oração já esteja dando frutos. Talvez nunca possamos saber nesta vida a natureza exata do bem maior pelo qual Deus permitiu que Charlie Gard morresse tão jovem. Seja qual for a natureza específica desta graça, o mundo já parece melhor – mais humano, talvez – por ter o #CharlieGard como símbolo dos direitos parentais e de oração pelo ordenamento dos direitos civis. Já podemos ver que, na providência de Deus, nem a morte de Charlie nem nossas orações por sua vida foram em vão.

Senhor, conceda-lhe o descanso eterno e permita que ele seja iluminado pela luz perpétua. Que ele descanse em paz. Amém.

Trechos do artigo de Fr. Aquinas Guilbeau, OP