terça-feira, 15 de agosto de 2017

Jesus Sacramentado fala ao coração de quem está diante Dele

Esta história aconteceu há dois anos. Eu estava em um sacrário, na presença de Jesus Sacramentado.

De joelhos, eu rezava. Ingenuamente, perguntei a Jesus:
 “O que quer de mim, Senhor?”

 Rapidamente, uma voz interior clara e transparente, respondeu:
“Escreva! Todos devem saber que eu os amo”.

Aquela experiência impactante marcou a minha vida.
Hoje, uma sobrinha me fez uma pergunta que me levou de volta a esse momento:
 “Tio, por que você escreve tanto sobre o sacrário?”

Esse é o motivo! “Escreva! Todos devem saber que eu os amo”. Isso marcou um começo para mim e me levou a viver grandes aventuras espirituais. Confesso que, a princípio, fiquei aterrorizado.
 “Quem sou eu para escrever sobre ti, Senhor?”

Lembrei- daquela bela canção que reflete exatamente o que eu vivenciei:
“Senhor, não sou nada. 
Por que me chamou? 
O Senhor passou em minha porta e bem sabe
Que sou pobre e fraco.
Por que se fixou em mim?”

Não foi fácil! Tive e tenho grandes batalhas espirituais. As tentações são muitas. Os problemas e as dificuldades não faltam. Mas a graça me sustenta, juntamente às orações e a presença bondosa de Deus. A maior tentação? O desânimo, a vontade de não continuar. 

Curiosamente, toda vez que isso acontece, sinto que o Bom Jesus me envia um sinal, de forma inesperada.

Há algum tempo, eu estava decidido a abandonar esses escritos. Ia me dedicar a outra coisa. Fui à Missa na Igreja de Guadalupe para falar com Jesus e dizer-lhe sobre minhas intenções:  “Bom Jesus, acabou. Melhor buscar outra pessoa”. 

Nisso, um conhecido se aproximou de mim e disse:  “Claudio, tenho um amigo que quer te conhecer e falar com você”.

“Com muito prazer. Quando terminar a missa, vamos falar”, respondi.
Ele se aproximou de mim no fim da Eucaristia, nos sentamos em um banco e ele me disse:
 “Minha esposa me abandonou há pouco tempo. Tenho quatro filhos pequenos…”

As crianças corriam felizes de um lado para o outro.
 “Angustiado por isso e sem saber o que fazer, decidi acabar com tudo. Mas antes, gostaria de uma oportunidade. Fui a uma livraria e falei com a atendente. Ela sugeriu que eu lesse um livro de Claudio de Castro. Não sabia que era você. Mas comprei o livro…”
 “Está angustiado com isso? O que aconteceu?”, perguntei ao homem. 

 “Aqui estou. Em sua frente, para te agradecer e te fazer um pedido: Escreva. Não deixe de fazer isso”. 

Essas palavras me impressionaram. E eu respondi: “Vá ao sacrário e agradeça a Jesus. Ele é quem dá as graças de que precisamos. Ele é quem faz tudo.”
O que aconteceu depois disso?  Simples: continuei escrevendo.  Por quê? A canção explica melhor que eu:
“É impossível conhecer-te, Jesus, e não te amar. É impossível amar-te e não te seguir.”

Mas posso te pedir um favor? Quando for ao sacrário, diga-lhe: “Claudio te manda lembranças”.

Claudio de Castro

quinta-feira, 10 de agosto de 2017

terça-feira, 1 de agosto de 2017

Por que Deus não curou #CharlieGard?


A notícia se espalhou rapidamente em todo o planeta. Charlie Gard, o bebê britânico portador de uma doença grave, morreu em um hospital de Londres. Embora já fosse esperada, a morte de Charlie deixou todo mundo triste.

Nos últimos meses, a situação de Charlie chamou a atenção. Diagnosticado com uma doença terminal, o bebê que ainda não tinha um ano de idade, teve sua vida e sua morte no centro de uma amarga disputa legal. Enquanto os médicos de Charlie julgavam melhor suspender os tratamentos, os pais dele não concordavam. Eles queriam dar ao filho uma chance de lutar pela vida, mesmo que os tratamentos experimentais apenas melhorassem sua grave situação. O que aconteceu deixou de ser uma disputa sobre o tratamento de Charlie e tornou-se uma batalha judicial sobre os direitos parentais. Entre o hospital e os pais, quem deveria ter a última palavra ao determinar o que seria melhor para uma criança doente? Em inúmeras audiências, os pais de Charlie, Chris Gard e Connie Yates, perderam quase todas as apelações. Os tribunais negaram os pedidos que eles fizeram para transferir o garoto para outro hospital e buscar tratamento experimental no exterior.  Até mesmo a solicitação para levar Charlie para a morrer na sua própria casa foi negada. A cada passo, os juízes contestavam os pedidos com base em evidências clínicas. Resultado: Charlie não deixou o hospital no qual ele foi diagnosticado e os desejos dos médicos finalmente foram cumpridos.

O debate legal sobre o caso Charlie Gard vai continuar como era de se esperar.
Mas não é só isso. As questões culturais e religiosas também serão discutidas. Por exemplo: no lado religioso, alguns fiéis podem encontrar na doença e na morte de Charlie um desafio à fé. Embora as fotos do batismo de Charlie nos consolam como cristãos, podemos nos perguntar, no entanto, por que Deus não atuou radicalmente para salvar a vida do pobre Charlie?

Perguntas como esta podem ser inevitáveis, mas não ficam sem respostas. Como escrevi alguns dias atrás, o propósito da oração de intercessão não é mudar a vontade de Deus; seu objetivo é nos mudar. Santo Agostinho explicou isso, há séculos, a uma nobre cristã que enfrentava inúmeros desafios. O santo bispo incentivou a mulher sofredora a rezar por uma “vida feliz”, que é quando possuímos tudo o que desejamos, contanto, é claro, que não desejemos nada do que não devemos ter. Em outras palavras, a felicidade consiste em possuir o que Deus quer nos dar. A visão de Agostinho, aqui, é instrutiva. Ao abrirmos nossos corações para Deus – para nós e para os outros – a nossa oração é purificada, de modo que, ao longo do tempo, começamos a desejar mais o que Deus quer nos dar e menos o que nós gostaríamos de ter. Mesmo em tempos de angústia, explicou Agostinho, a oração transforma nosso sentimento de dor e ansiedade para iniciar a busca do bem maior que Deus nos proporciona através do nosso sofrimento.

Na sua doutrina de oração, São Tomás de Aquino destacou o mesmo ponto. Ele ensinou que rezar pela salvação, por uma graça, por uma conversão e pelo crescimento de uma virtude é alinhar nossas vontades às de Deus. Consequentemente, Deus não é aquele que muda como resultado de nossa oração; nós é que mudamos. Apesar disso, Tomás de Aquino e Agostinho não acreditavam que nós não deveríamos orar também pelos bens temporais – por um bom trabalho, pela preservação da doença, pela proteção contra os inimigos -, mas ambos consideravam que nosso desejo por esses bens deveria ser orientado para a felicidade final e eterna que Deus quer para cada um de nós. O desejo de atingirmos o Céu, portanto, representa o fruto da nossa oração: de que a vontade de Deus seja feita, tanto na terra quanto no Céu. Mesmo que soframos por causa do desemprego, de uma doença difícil ou dos ataques de nossos inimigos, a nossa vontade de chegarmos ao Céu deve permanecer – e até mesmo crescer.

Quando aplicados à curta vida de Charlie Gard, os ensinamentos cristãos sobre a oração podem ser um desafio. Precisamos de muita fé para entender que a morte do pequeno Charlie, que ocorreu apesar do derramamento de oração por sua vida, nos aponta para algo bom que Deus quer nos dar, algo maior do que o mal que representa a morte de Charlie. Este mistério não deve nos surpreender, é claro. Considere a vida e a morte de Jesus. A paixão de Cristo levou-nos a um bem maior do que o mal da execução de Deus-Homem. Assim também se dá com todo o mal que enfrentamos; Deus permite isso apenas por causa de um bem maior. Consequentemente, enquanto pedíamos a vida de Charlie Gard, buscávamos, de fato, não mudar Deus, nem forçar Sua mão para agir, mas, sim, mudar a nós mesmos. Através da nossa oração, buscamos alcançar o bem maior que Deus vai conceder depois de permitir a doença de Charlie. Agora que nossa oração mudou e rezamos pelo repouso de sua alma, o trabalho de mudar-nos através da busca desse bem maior, que envolve o sofrimento da morte de Charlie, deve se intensificar.

Talvez esta oração já esteja dando frutos. Talvez nunca possamos saber nesta vida a natureza exata do bem maior pelo qual Deus permitiu que Charlie Gard morresse tão jovem. Seja qual for a natureza específica desta graça, o mundo já parece melhor – mais humano, talvez – por ter o #CharlieGard como símbolo dos direitos parentais e de oração pelo ordenamento dos direitos civis. Já podemos ver que, na providência de Deus, nem a morte de Charlie nem nossas orações por sua vida foram em vão.

Senhor, conceda-lhe o descanso eterno e permita que ele seja iluminado pela luz perpétua. Que ele descanse em paz. Amém.

Trechos do artigo de Fr. Aquinas Guilbeau, OP

sexta-feira, 21 de julho de 2017

5 dicas dos pais de Santa Terezinha de Lisieux para criar bons filhos!

 

Sim, eles foram santos e criaram santos, mas as suas técnicas eram incrivelmente simples, práticas e imitáveis

Seus filhos são difíceis de disciplinar? Eles copiam todos os seus maus hábitos? Você se preocupa com as suas birras e caprichos?
Bom, você não está só. São Louis e Santa Zelie Martin, pais de Santa Terezinha de Lisieux, enfrentaram essas mesmas lutas e precisaram discernir o que fazer.
Sim, é verdade, eles eram pais santos de filhos santos, mas exercer a paternidade e a maternidade também foi desafiador para eles, que nem sempre sabiam as respostas mais claras. O que eles fizeram foi perseverar e lutar para atender às necessidades dos filhos num ambiente familiar de grande amor.
Aqui vão cinco dicas úteis inspiradas nesses pais santos:

1 – Reconheça desde o início que cada filho é de Deus e dedique-o a Ele

Zelie tinha o costume de, imediatamente após o nascimento de cada filho, dedicá-lo a Deus com a seguinte oração:
“Senhor, concedei-me a graça de que esta criança seja consagrada a Vós e que nada possa manchar a pureza de sua alma”.
Os frutos dessa dedicação a Deus não eram imediatamente visíveis, é claro, mas ela revela o estilo intencional da sua maternidade. Ela queria que os seus filhos fossem santos aos olhos de Deus e sabia que “agora mesmo” é o melhor momento para começar a viver em santidade – e não “mais tarde”.

2 – Ame seus filhos com carinho superabundante

É fácil esquecer o quanto nossos filhos precisam de amor – de muito amor. Louis e Zelie amavam seus filhos com imenso carinho e se certificavam de que eles soubessem desse grande amor. Celine Martin, uma das filhas, escreveu sobre seu pai:
“Mesmo sendo duro consigo mesmo, ele sempre foi afetuoso conosco. Seu coração era excepcionalmente tenro para conosco. Ele viveu só para nós. Nenhum coração de mãe poderia superar o dele”.
Louis demonstrava afeto inclusive em gestos pequenos e aparentemente insignificantes, como apelidar as crianças com elogios: Marie era “o diamante”; Pauline, “a pérola fina”; Celine, “a intrépida”; Léonie, “o bom coração”; e Thérèse, ou Santa Terezinha, era “a pequena rainha” ou “o buquê de flores”.

3 – Não desista quando o seu filho é difícil

Zelie tranquilizou seu irmão em uma carta recomendando não se preocupar se um dos filhos pequenos fosse “difícil de administrar”.
O temperamento desafiador de uma criança não a impedirá de se tornar excelente mais tarde e de vir a ser o maior amparo dos pais. Pauline, conforme a mãe recordava, exigiu muita paciência dos pais até os dois anos de idade, mas se tornou a filha mais exemplar. Zelie observa, porém, que não a “estragou com mimos”: por menorzinha que ela fosse, seus caprichos raramente eram atendidos.
E Pauline não foi a única filha da família Martin a criar estresse para os pais. Terezinha e a irmã Léonie também foram fonte de grandes angústias para Zelie. Ela e Louis, no entanto, não desistiram sequer quando seus esforços pareciam infrutíferos.

4 – Seja exemplo de caridade para seus filhos

Nossos filhos são influenciados e tendem a imitar cada um dos nossos movimentos, tanto para o bem quanto para o mal. Louis e Zelie fizeram tudo o que podiam para dar o exemplo de como tratar bem as pessoas. Celine testemunhou em seus escritos o quanto o pai era paciente com os outros, mesmo sendo duro consigo mesmo.

5 – Brinque com seus filhos

Hoje em dia é muito fácil e tentador sentar seu filho diante de uma tela e quase nunca brincar com ele. Mas, muitas e muitas vezes, o que os nossos filhos precisam mesmo é da nossa atenção, inclusive para brincar. Celine escreveu sobre sua mãe:
“Ela brincava conosco de bom grado, apesar do risco de ter de prolongar seus trabalhos até a meia-noite ou mais tarde ainda”.
Louis também se juntava às brincadeiras e muitas vezes produzia pequenos brinquedos para as crianças, além de inventar atividades e cantar junto com elas.

Philip Kosloski

sexta-feira, 14 de julho de 2017

Sabia que a aliança de casamento pode ter a força de um exorcismo?

Usá-la sempre é uma excelente proteção
De ferro, prata , ouro ou qualquer outro metal: o anel adquiriu um significado maior do que tinha na antiguidade pagã depois que a Igreja o constituiu em símbolo da aliança indissolúvel entre os casais.

Entre os judeus e os romanos – até mesmo entre os povos pagãos – os homens tinham o costume de colocar um anel no dedinho de sua futura esposa, mas era um anel com um significado diferente. Tratava-se de um voto de confiança, em que o homem entregava à mulher uma réplica do anel ou carimbo pessoal que ele usava no polegar, com o qual lacrava correspondências pessoais e contratos. Era um costume das classes mais abastadas.

Por outro lado, os casais, de qualquer classe social, trocavam anéis nupciais no dia do casamento e costumavam colocá-los no dedo anelar da mão esquerda, bem perto do coração, onde se sente mais o pulsar do órgão poderoso, que simboliza o amor que deve ser somente para Deus.

Pode soar muito romântico e até sentimental, mas o costume que nasceu na Europa do século VI se espalhou por todo o planeta, e, ainda hoje, sob qualquer nominação religiosa ou cultural, os casais trocam anéis e os colocam no dedo anelar da mão esquerda.

Em alguns países, como no Brasil, estes anéis são chamados de aliança e é comum que, no dia do casamento, eles entrem solenemente na igreja sobre uma elegante almofadinha conduzida pelas mãos de um pajem. Durante a aplicação do sacramento, o padre abençoa as alianças e, em seguida, convida os noivos a colocarem-nas mutuamente, repetindo palavras de compromisso, fidelidade e amor.

Claro que esse pequeno cerimonial inserido na solenidade do sacramento não é obrigatório – e sua ausência não invalidaria o matrimônio. Porém, dignificado pela solenidade sobrenatural, como somente a Igreja poderia ter concebido para maior glória de Deus e consolidação do amor conjugal, transmite maior sentido ao contrato mútuo de um casal.

A aliança de casamento pode chegar a revestir a condição de sacramento autêntico, como o anel do pescador usado pelos papas depois do conclave. Ou como os que recebem os religiosos – desde cardeais, bispos e até freiras.

Abençoada e elevada de categoria, a aliança passa de um simples anelzinho a um instrumento de vida consagrada, uma profissão de vida religiosas, cheia de renúncias e sacrifícios santificantes.

Símbolo de oração da Igreja por seus filhos, a aliança pode até chegar a ter a força de um exorcismo contra tentações e ataques de espíritos malignos que induzem o adultério e a fornicação.

Usar sempre a aliança, mais do que um ato de amor, fidelidade e dever conjugal, é uma proteção, já que , quando se casa, Deus manda um anjo especial para o casal e sua finalidade é proteger o homem e a mulher individualmente, em função da “uma só carne” que são os dois depois do casamento, até que a morte os separe e no Céu sejam como os anjos. (Marcos 12,25)

Por Antonio Borda

quinta-feira, 6 de julho de 2017

Como ensinar nossos filhos a sobreviver à cultura do “like”?

Os avanços tecnológicos e a proliferação das redes sociais mudaram nossa maneira de viver.  O acesso cada vez mais cedo de nossos filhos à tecnologia fez com que eles adotassem maneiras diferentes de socialização que, muitas vezes, não são entendidas pelos pais.

As mensagens de texto e vídeo substituíram as chamadas telefônicas e as visitas pessoais. Ao mesmo tempo, com seus celulares, os jovens podem interagir com milhares ou milhões de pessoas ao redor do mundo.

Neste cenário, fala-se muito das precauções que nossos filhos devem ter com essa interação social, além dos perigos que eles enfrentam ao se relacionar com desconhecidos. No entanto, há um tema que, como pais, devemos ter ciência: a cultura do “like”. Hoje em dia, os jovens têm um jeito de medir sua atuação nas redes sociais, comparando-a com a dos outros, além de saber qual é o impacto que possuem suas publicações, fotos e vídeos. É o chamado “like”.

A socialização de nossos filhos se vê superada pela obsessão de conseguir os “likes”, já que isso traduz na visibilidade ou aceitação que eles podem ter por parte de seus pais e amigos virtuais. A busca pelos “likes” pode se transformar, então, em um vício, que faz com que os jovens publiquem cada vez mais coisas novas ou impactantes para conseguir mais seguidores.

A imagem deles para o mundo está afetada, já que eles estão longe de se mostrar tal como são e concentram-se em uma espécie de campanha publicitária, em que a própria imagem deve ser vendida, custe o que custar.

A cultura do “like” também tem um forte impacto na autoestima de nossos jovens, já que a interação ou aceitação pessoal é substituída por um número específico que determina e afeta de maneira muito real a imagem que eles têm deles mesmos e como se valorizam diante dos outros.

Como podemos então, como pais, nos aproximar desses temas com nossos filhos? Em primeiro lugar, reconhecendo que a tecnologia e as redes sociais têm um lugar essencial na vida deles e que não podemos mudar isso.

O que podemos é ensiná-los a reconhecer a diferença entre um fenômeno social e a sua dignidade como pessoa. Sempre é preciso deixar claro que o valor, a beleza e a personalidade que eles têm não são determinados pela opinião que os outros formam a partir de uma foto ou de um momento publicado nas redes. Também devemos ensiná-los que, embora esses meios pressupõem uma plataforma de interação social massiva, eles nunca poderão substituir a interação humana face a face.

Devemos, ainda, ensinar com o exemplo e demonstrar-lhes que, mesmo que a tecnologia faça parte de nossa vida, não dependemos muito delas. É bom propor momentos livres de tecnologia dentro da família. Instantes que favoreçam as relações interpessoais e atividades diferentes, que lhes comprovem que nem tudo deve ser regido pela tecnologia.
Finalmente, devemos nos assegurar que nossos filhos encontram, na família, um lugar em que são queridos e aceitos da forma como são. Desenvolver neles o sentido de pertinência ajudará a elevar a sua autoestima e a segurança em si mesmos, ao mesmo tempo em que eles estarão menos inclinados a medir seus valores pela quantidade de “likes” que conseguem em uma rede social.

María Verónica Degwitz

quarta-feira, 28 de junho de 2017

Por que (e como) dar uma segunda chance ao seu casamento

Uma má notícia: o casamento perfeito, sem problemas, não existe. E a história que nos ensinaram desde criança (aquele famoso “e foram felizes para sempre”) é, realmente, só um conto. Agora a boa notícia: embora imperfeito e com diferenças, seu casamento pode – e deve – ser um “casamento feliz”.

Mas, o que acontece quando você já está em uma relação em que há conflitos frequentemente e cada vez mais intensos? E quando não há comunicação, porque o casal começa falando serenamente e termina em ofensas e agressões?
Depois, vem a reconciliação – muitas vezes cheia de paixão – e o casal diz que não vai mais perder o controle, faz juras de amor e pede outra chance.

Há também a relação morna, em que o casal já nem discute e simplesmente o marido ignora a mulher e vice-versa. O amor e a paixão que os uniram parecem que já foram pela janela e eles sentem que já não são mais felizes.

E assim pode durar anos ou uma vida inteira uma relação “cíclica, tóxica, viciada e vazia”. Será que alguém quer, de verdade, viver um casamento assim? Abra os olhos. Há algo além disso. Há muitas soluções e o divórcio não é uma delas. 

Todos temos defeitos de caráter, temperamentos muito particulares e enormes áreas de oportunidade. E não devemos terminar uma relação logo nos primeiros conflitos, pois um relacionamento pode nos brindar com mais coisas positivas do que negativas.
Escolhemos nos comprometer e formar uma família com a pessoa pela qual nos apaixonamos e, depois, escolhemos amar de maneira livre. No altar, juramos – com Deus e a comunidade como testemunhas – amar até que a morte nos separe, “na saúde e na doença, na alegria e na tristeza, todos os dias de nossas vidas”.

As segundas chances sempre são válidas e muito valiosas. Vale a pena apostar em nosso casamento. Em algum momento tivemos sonhos comuns, como ter filhos e sermos “um” até a morte.

No plano de Deus está a salvação de nosso casamento. Não porque “deve ser assim”, mas porque juntos, sem perder a personalidade e a independência, e reencontrando os pontos de união, podemos voltar a olhar, para a mesma direção, buscando e encontrando um objetivo comum: chegarmos juntos ao céu, sendo um o meio de santificação do outro.
Para conseguir isso, precisamos estar de acordo de mente e coração. Não podemos nos deixar levar por coisas como “sinto que já não te amo e que você não pode mais me fazer feliz”. Precisamos ser responsáveis pelo compromisso de vida que temos com a pessoa com quem nos casamos.

É preciso que sejamos menos egoístas e mais altruístas. Ou seja: focar nas necessidades de nosso cônjuge e fazer diariamente pequenos atos heroicos que mostrem o quão importante ele ou ela é para nós.
Quando há discrepâncias em uma relação, elas podem ser usadas para o crescimento e para identificar que feridas da infância precisam ser curadas e que pontos de melhoria existem.
Quando realmente tomamos consciência de que as atitudes do cônjuge que nos detonam são aspectos pessoais que precisamos trabalhar, saímos do nosso papel de vítimas para sermos responsáveis pela parte que nos corresponde. Aqui, aplica-se o que Santo Agostinho sugeria: “Procura adquirir as virtudes que crês que faltam em teus irmãos e já não verás os defeitos, porque tu não os terás”.

Esse despertar da consciência é maravilhoso, pois realmente nós perceberemos que o único responsável para que sejamos felizes é cada um de nós.
Essa mesma felicidade chegará à sua plenitude graças ao amor que nós comunicarmos ao nosso cônjuge por meio de nosso serviço incondicional, pois ninguém tem amor maior do que aquele que está a serviço do amor.

Claro que vale a pena! Mas toda mudança traz um trabalho profundo, que muitas vezes exige esforço e sacrifício. Depois, isso se transformará em aprendizagem e gozo.
A relação só mudará para melhor quando ambos os cônjuges tomarem o compromisso pessoal de fazer sem esperar que o outro faça. Isso não se dá como em um passe de mágica. É por isso que há pontos básicos a serem considerados para que a mudança seja substancial:

– Apegar-se a Deus. Só se resgata um casamento de joelhos. Ou seja, com muita oração. São necessárias humildade, valentia, fortaleza e caridade sobrenaturais para mover a vontade até o que convém à nossa alma e ao nosso casamento.

– Acabar com os problemas; não com o casamento. Tenha consciência de que a relação não é um problema. O problema é você ou seu cônjuge. Cada um com seus defeitos ou feridas internas, que são produtos de suas histórias pessoais. Este é um trabalho individual, que requer muita humildade e honestidade consigo mesmo, pois nem você vai mudar nem seu cônjuge tem a capacidade fazê-lo. Se vocês não reconhecerem os pontos de melhoria que há em cada um e não trabalharem para sanar as feridas pessoais e do casal, dificilmente a relação será salva.

– Vontade. Deseje mudar para crescer como pessoa e trabalhe para isso. Mude você e, portanto, mude a relação. De nada serve estar consciente de que você tem hábitos que colocam em risco sua relação,  se você não está disposto a deixá-los. Quando há um “para que”, o “como” se manifesta, e os caminhos se abrem. Aqui é muito importante que você não se afaste de Deus.

– Buscar e encontrar apoio externo. Há ferramentas e pessoas capacitadas (livros, terapias, padres, psicólogos, coaches, etc) que poderão proporcionar o apoio necessário para gerar essas mudanças e que podem acompanhá-lo neste processo.

– Espere com calma. Roma não foi feita em um dia. Por isso, a paciência, a fortaleza e a perseverança são vitais para que as mudanças aconteçam. Não se muda da noite para o dia. Quando você começar a se desesperar, pense que tudo o que você está fazendo é para alcançar sonhos maravilhosos: ser uma pessoa melhor e resgatar o que parecia perdido.

– Recompensa. Qual é a sua verdadeira motivação para mudar? A mais importante deve ser resgatar o que parecia morto e resgatar a sua família. Claro que seu cônjuge é um fator motivador maravilhoso. No entanto, se você só mudar para dar-lhe este gosto e não colocar amor e generosidade, as mudanças não serão reais. Outro bom estímulo é o fato de que você viverá mais em paz e em harmonia consigo mesmo e com tudo que o rodeia. Vale a pena que o mundo conheça a sua melhor versão. Pense: como você gostaria de ser lembrado quando já não estiver mais neste mundo?

Seu casamento é seu meio de santificação e seu caminho para o céu. Você está sendo esse caminho para o seu cônjuge? Os milagres existem, mas é preciso trabalhar para que eles aconteçam.

Claro que o amor tudo pode e com Deus na frente o sucesso é certo. Tomando a Sagrada Família, como modelo, esgote todas as ferramentas e recursos ao seu alcance para fazer de seu casamento imperfeito sua perfeita fonte de felicidade e de paz. Transforme também o seu lar em um lugar alegre e de luz.

Luz Ivonne Ream, coach Ontológico/Matrimônio/Divórcio.

segunda-feira, 19 de junho de 2017

O coração de Deus comove-se!


A palavra hebraica, que traduzimos por “coração” (leb ou lebàb) aparece-nos 860 vezes no Antigo Testamento. Se lhe juntarmos a palavra grega “kardía” no Novo Testamento, chegaríamos a um milhar de ocorrências deste conceito na Bíblia. Para nós, ocidentais, o termo «coração» evoca sobretudo a vida afetiva. Um coração pode estar enamorado, pode também ser sensível, generoso, caritativo. Um homem pode ter um coração de ouro ou um coração de pedra. Pode não ter coração ou pode acontecer de este não lhe caber no peito. Para a Bíblia, ao contrário, o coração é uma realidade mais ampla, que inclui todas as formas da vida intelectiva, todo o mundo dos afetos e emoções, assim como a esfera do inconsciente, em que fundem as suas raízes todas as manifestações do espírito humano”.

O coração, na Bíblia, é a sede da pessoa, o seu centro vital e pessoal, donde brotam os pensamentos, os sentimentos e as decisões. Por isso, se diz na Escritura: «O coração do homem decide os seus caminhos» (Pr.16,9). O coração humano, capaz do melhor e do pior, é expressão da determinação e entrega consciente da vontade e é uma graça ter um coração aberto ao bem e não obstinado em tomar decisões perversas. Chega-se mesmo a prometer «um coração novo» (Ez.11,19), capaz de amar a Deus, com todo o coração e sem reticências. Isso não quer dizer que a Bíblia desconheça o «coração» do ponto de vista afetivo, “que estremece como estremecem as árvores do bosque pelo vento” (Is.7,2), de modo que o dia das núpcias se traduz como «o dia da alegria do coração» (Ct.4,9).

 Neste sentido, Deus também tem «coração»! No Antigo Testamento, fala-se 26 vezes do coração de Deus, considerado como o órgão da sua vontade! Também o coração de Deus pensa e deseja como o da sua criatura, experimenta os mesmos sentimentos e paixões, como escutávamos no profeta Oséias. Além disso, há um trecho do AT em que o tema do coração de Deus, se encontra expresso de modo absolutamente claro: é no capítulo 11 do livro do profeta Oséias, onde os primeiros versículos descrevem a dimensão do amor com que o Senhor se dirigiu a Israel, na aurora da sua história: "Quando Israel ainda era menino, Eu o amei, e do Egito chamei o meu filho" (v. 1). Na verdade, à incansável predileção divina, Israel responde com indiferença e até com ingratidão. "Quanto mais os chamava – o Senhor é obrigado a constatar – mais eles se afastavam de mim" (v. 2). Todavia, Ele nunca abandona Israel nas mãos dos inimigos, pois "o meu coração – observa o Criador – do universo comove-se dentro de mim, comove-se a minha compaixão"  

 O coração de Deus comove-se! Na solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, a Igreja oferece à nossa contemplação este mistério, o mistério do coração de um Deus que se comove e derrama todo o seu amor sobre a humanidade. Um amor misterioso, que nos textos do Novo Testamento nos é revelado como paixão incomensurável pelo homem. Ele não se rende perante a ingratidão, e nem sequer diante da rejeição do povo que Ele escolheu para si; pelo contrário, com misericórdia infinita, envia ao mundo o seu Filho, o Unigênito, para que assuma sobre si o destino do amor aniquilado a fim de que, derrotando o poder do mal e da morte, possa restituir dignidade de filhos aos seres humanos, que o pecado tornou escravos. 

Então, o seu Coração divino chama o nosso coração; convida-nos a sair de nós mesmos, a abandonar as nossas seguranças humanas para confiar nele e, seguindo o seu exemplo, a fazer de nós mesmos um dom de amor sem reservas. Sim, o seu Coração está aberto por nós e aos nossos olhos; e deste modo está aberto o Coração do próprio Deus! O mundo de hoje, com as suas lacerações sempre mais dolorosas e preocupantes, precisa do Deus, que é Amor, e anunciá-lo é tarefa da Igreja. A Igreja, para poder executar esta tarefa, deve permanecer indissoluvelmente abraçada a Cristo e não deixar-se nunca separar dele: necessita de Santos que morem “no coração de Jesus” e sejam testemunhas felizes do Amor Trinitário de Deus. 

Pe. Amaro Gonçalo

terça-feira, 13 de junho de 2017

Longanimidade, fruto do Espírito


Longanimidade é um substantivo feminino da língua portuguesa e define alguém que possui a característica ou qualidade de grandeza de ânimo, uma pessoa que encara com coragem as adversidades a favor de alguém

A paciência extrema para suportar ofensas, injúrias ou os próprios sofrimentos também pode ser um exemplo de longanimidade. O significado livre da palavra de origem hebraica é "vagaroso em irar-se", ou seja, alguém que demora para entrar em estado de ira, raiva ou rancor. Na versão grega da expressão (makrothymía), o significa literal seria "longura de espírito". 

A longanimidade é uma característica muito defendida na doutrina cristã, através da Bíblia, estando presente em diversos versículos e textos religiosos. É uma virtude de quem é bondoso e generoso, de quem acredita e tem fé em Deus para ajudar a solucionar os seus problemas.

De acordo com os ensinamentos de Deus, registrados na Bíblia, o longânime (pessoa que pratica a "longanimidade de Deus") pode parecer aos olhos dos que não creem um fraco, mas na verdade usa-se do discernimento e sensatez para resolver as adversidades sem usar a força física ou de maneira irracional. Na realidade, para a doutrina cristã, a falta de longanimidade é uma das grandes responsáveis pela intolerância e violência na humanidade. 

Sem tempo a perder, o homem moderno acabou abandonando o bom senso que pede a reflexão e o discernimento como ferramentas fundamentais nas tomadas de decisão, e mesmo nas relações interpessoais. Fruto de uma sociedade tecnológica, que têm à disposição informações precisas em segundos, e da globalização que encurta distâncias antes inimagináveis, o ser humano quer também que esta rapidez aconteça quando precisa de respostas que o "Google" não pode dar. 

Há situações na vida que nos obrigam a parar, quer queiramos ou não. Uma enfermidade, um acidente que incapacita, uma depressão, a perda de um emprego, a morte de alguém muito próximo, uma guerra, uma catástrofe natural, enfim, acontecimentos que mudam nosso padrão de resposta aos fatos. Aí entra esse fruto do Espírito Santo para ajudar a olharmos para o futuro com paciência, e com a capacidade de aguardar por dias melhores.

Podemos contudo cultivá-lo desde já. Sabendo que não temos controle sobre nada, a longanimidade é um respiro longo e restaurador que dá ao nosso espírito a esperança de que o melhor acontecerá, segundo a ótica de Deus, no tempo em que Lhe aprouver. É libertador poder deixar-se conduzir por esta paciência esperançosa que abranda a ansiedade de ter que dar conta de tudo, de reagir a tudo, de pensar-se tudo. Somos criaturas, não deuses...

Como longanimidade não se compra em cápsulas, precisamos pedir ao Espírito Santo que nos dê essa virtude, para podermos respirar mais tranquilos, fazendo nossa parte, mas sabendo que "tudo posso naquele que me fortalece"! (Fil 4,13)

Malu e Eduardo Burin

quinta-feira, 1 de junho de 2017

O protagonista invisível


Pentecostes conclui o ciclo da Páscoa. Nesta solenidade de Pentecostes recordamos: a descida do Espírito Santo sobre a Virgem Maria e os Apóstolos no Cenáculo; a primeira pregação do Evangelho em Jerusalém; a formação da primeira comunidade cristã; o nascimento da Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo. O protagonista invisível de todos esses acontecimentos foi e é o Espírito Santo. Ele operava então e opera também hoje na sua Igreja. E se dermos espaço em nossa vida, opera também em nós.

Festa do Espírito Santo, o protagonista daquele dia, misterioso, que trabalha invisivelmente. Hoje, quase nos esquecemos deste hóspede misterioso e discreto, que também está presente em nós. É espírito, por isso não é percebido pelos sentidos. Estamos no mistério de Deus, e sentimos que as nossas palavras são como velas no escuro: acendemos uma pequenina, que dura pouco e depois se apaga. Mas nos encorajamos.

A Bíblia o apresenta como poder de Deus que opera no universo. Poder muitas vezes imperceptível, silencioso, discreto, sempre respeitoso da liberdade humana. Ao mesmo tempo, porém, irresistível ao realizar os desígnios de Deus.

A Bíblia se expressa recorrendo a imagens sugestivas: o vento, o sopro, o gosto, o respiro. Uma imagem muito conhecida, a da pomba, representada em tantos quadros. Imagens como terremoto, trovão, línguas de fogo.

O Espírito aparece como protagonista junto a Jesus na sua vida terrena. Já no seu nascimento, Maria perturbada pela palavra do Anjo pediu explicações, foi dito: “O Espírito do Senhor descerá sobre ti, e estenderá a sua sombra, o poder do Altíssimo”. Depois o Espírito se faz presente no batismo de Jesus.

Nos milagres que Jesus operava: “Dele saia uma força”, diz o evangelho. As multidões diante dos prodígios exclamavam: “Aqui tem o dedo de Deus”, outra imagem curiosa, mas expressiva.
Também o Espírito foi a grande promessa feita por Jesus aos discípulos. Os apóstolos, sabendo que Jesus estava para deixá-los, ficaram tristes. Jesus promete o envio do Espírito Santo, consolador e defensor.

O Espírito Santo também hoje é protagonista no meio de nós para que os cristãos fiéis possam testemunhar Cristo ao mundo. E o Espírito assiste o Papa em modo especial, os bispos, os sacerdotes e cada cristão. Está presente e operante em nossos encontros, ilumina nossas mentes, fortalece a nossa boa vontade, sugere os propósitos do bem.


 Trechos da reflexão do Cardeal Geraldo Majella Agnelo

domingo, 28 de maio de 2017

"Ide por todo o mundo..."



Hoje comemora-se o Dia Mundial das Comunicações. Este dia foi comemorado pela primeira vez em 12 de maio de 1967, atendendo a uma proposta do Concílio Vaticano II. Na ocasião, o papa Paulo VI publicou uma mensagem com o tema "Os meios de Comunicação Social".

O Dia Mundial das Comunicações é sempre comemorado junto à Solenidade da Ascensão do Senhor, e suscita uma reflexão aos cristãos, justamente porque no Evangelho da Solenidade da Ascensão, Jesus coloca um imperativo aos seus discípulos: "Ide por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho". (Mc 16,16)

A comunicação é uma necessidade do ser humano. Não fomos criados para sermos ilhas, mas para formarmos família, comunidade, sociedade, nação... Há um desejo intrínseco no ser humano de entrar em contato com o outro. E as formas de comunicação são extensas: gestos, palavras, olhares, atitudes, meios de comunicação, mídias sociais, até o silêncio pode conter em si uma mensagem.

Nossa era prima pela abundância da comunicação. Todos querem expressar sua opinião sobre tudo e todos. As redes sociais cristalizaram este comportamento... Mas a pergunta é: estamos nos tornando pessoas melhores por estas ferramentas de comunicação? Elas agregam valor à vida, espalham o perfume da fraternidade, da tolerância, da compreensão, ou são instrumentos que maquiam a verdade, manipulam o comportamento coletivo e geram expectativas negativas com relação ao futuro?

A resposta a esta pergunta está ao alcance de nossas mãos, ou melhor, de nossas escolhas. A comunicação é uma arma poderosa que tem duas finalidades, gerar encontro ou separação, a paz ou a guerra. É necessário sempre atualizar o mandato de Jesus: "Ide por todo o mundo...". Para gerar comunhão, encontro, amizade, relações fraternas, precisamos ser pessoas que promovem a evangelização. E evangelizar é querer bem, é desejar que todos possamos conhecer a verdade, e a verdade é Jesus!

São Francisco Assis dizia: "Evangelizem, e se necessário, usem as palavras". Que sabedoria nesta frase. Podemos ser pessoas que pregam apenas pelas atitudes, e estas são também comunicação. 

Vamos evitar a verborragia (uso excessivo de palavras sem importância), e comunicar aquilo que faz bem, aquilo que constrói pontes, como diz o Papa Francisco. Só temos hoje para falar do bem e do amor, e para sermos o bem e o amor. "Ide"!

Malu e Eduardo Burin - ISF

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O Centenário de Fátima



No dia 13 de maio de 1917, Nossa Senhora apareceu pela primeira vez aos pastorinhos, Jacinta Marto (7anos), Francisco Marto (9 anos) e Lúcia de Jesus (10 anos), em Fátima, Portugal. Quem não conhece a história?

Vamos relembrar aqui as cinco frases marcantes de Nossa Senhora de Fátima:

1. “Rezai o Terço todos os dias. Rezai, rezai muito! E fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o Inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas. Quando rezardes o Terço, dizei depois de cada mistério: Ó meu bom Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno. Levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem”.

2. “Jesus quer servir-Se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. A quem a aceita, prometer-lhe-ei a salvação e estas almas serão amadas de Deus, como flores colocadas por Mim para enfeitar o Seu Trono”.

3. “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”.

4. “O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.”

5. “O Meu coração é cercado de espinhos que os homens ingratos me cravam, com blasfêmias e ingratidões”.


Neste ano as aparições completam 100 anos. Será que o mundo acolheu as mensagens de Nossa Senhora?

Numa época em que a palavra "sacrifício" assusta, e é sistematicamente banida do vocabulário das pessoas, inclusive dos cristãos, como a mensagem de Fátima pode se perpetuar como um apelo atual e urgente à humanidade?

Vivemos dias sangrentos e instáveis: seja pela violência cotidiana, pelas guerras fratricidas, pelo terrorismo, pelas disputas comerciais e políticas das grandes nações, que colocam em risco toda a vida e a paz do mundo, pela falência dos recursos naturais do planeta que vão se cristalizando dia a dia, pela corrupção daqueles que dirigem as nações e penalizam os mais pobres, e por tantas outras razões...

As Aparições de Fátima são um alerta para todos. O mundo não se tornou um lugar melhor, ao contrário, estamos em grande risco. Portanto, com humildade, imitemos as crianças que viram a Mãe de Deus aparecer na Cova da Iria, e atendamos aos apelos de Maria que quer que todos colaborem para o maior número de almas salvas. Vamos fazer sacrifícios para que a paz triunfe sobre a guerra, a fraternidade sobre o egoísmo, o amor sobre a indiferença generalizada. Vamos usar a potente arma do terço contra todo o mal e contra toda descrença, porque Nossa Senhora afirma:

"Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará"!

Nós não vamos ficar de fora desta missão, certo?


ISF

segunda-feira, 1 de maio de 2017

São José Operário


Celebrar hoje a memória de São José Operário é celebrar, com especial alegria, o mistério daquela vida escondida que o Filho de Deus feito homem quis ter em Nazaré. Ora, como ensina S. Luís Maria Grignion de Montfort, o que primeiro nos vem à mente ao contemplarmos este obediente rebaixamento de Cristo Jesus é o fato de que Ele deu mais glória a Deus em seus trinta anos de submissão silenciosa à Virgem Maria e a S. José do que em qualquer outro período de seu ministério público. Isto significa dizer, antes de tudo, que Aquele que é Senhor do céu e da terra, sem se aproveitar de sua condição divina, fez-se o menor dos servos, dando-nos assim um exemplo da mais sublime humildade; Aquele, pois, que criou o firmamento e nele fixou as estrelas assumiu a condição humana, descendo do trono de sua glória celeste para habitar num casebre de uma pobre aldeola judaica. O que porém neste dia nos deve causar ainda mais admiração é que tanto Cristo quanto sua Mãe Santíssima, elevada ao fastígio de Rainha do Céu e da Igreja, submeteram-se docilmente à paternal autoridade daquele que, no seio da Sagrada Família, sabia não estar à altura da santidade de sua Esposa e de seu Filho adotivo.

Constituído, pois, cabeça da família humana do Deus encarnado, S. José recebeu do Pai o dever sagrado — e com quanta devoção e reverência deve tê-lo cumprido! — de ensinar a trabalhar, a construir mesas e cadeiras, a aplainar tábuas etc. Àquele que é a própria Sabedoria eterna. Com o formão e o martelo em mãos, enquanto sulcava a madeira, Cristo a todo instante pensava como, por sua graça e Sacramentos, moldaria o nosso pobre e ainda mal formado coração, a fim de torná-lo a obra prima de amor e santidade que Ele tanto deseja fabricar. Recorramos hoje à intercessão de São José Operário; peçamos-lhe, com firme confiança, que nos alcance de seu humilíssimo Filho a graça de nos deixarmos trabalhar pela graça de Cristo. Roguemos-lhe, por fim, que nos ensine a nós, encomendados sempre à sua proteção, a santificar-nos no e por meio do nosso trabalho quotidiano. — Ó São José, Chefe da Sagrada Família, Modelo dos operários, rogai por nós!

Padre Paulo Ricardo

domingo, 23 de abril de 2017

Mídias digitais: cristãos chamados a ser cidadãos e não apenas hóspedes da Rede



No dia 21 de abril, o prefeito da Secretaria para a Comunicação do Vaticano, Mons. Dario Edoardo Viganò, participou de um encontro sobre as mídias digitais e a formação ao novo ecossistema comunicativo na sede de Roma da USMI, a União das Superioras Maiores da Itália. O instituto é um grande ponto de referência para as mais de 600 congregações religiosas femininas ativas no país.


Mons. Viganò abordou, principalmente, o desafio da Igreja perante a Internet: “não podemos ignorar o diálogo com a cultura do nosso tempo, com a evolução da mídia e a exigência de aprender a usar linguagem original e técnicas inéditas de narração”, sublinhou o prefeito, ao acrescentar que, na Igreja, “somos herdeiros de um passado que conservamos como tesouro precioso, mas somos responsáveis por um presente desafiador e por um futuro que deve ser decodificado e projetado”.

No seu discurso, Mons. Viganò fez referência ao Papa Francisco, que convida todos a “refletir sobre a realidade dos meios de comunicação que não são mais somente próteses, que nos ajudam a chegar cada vez mais longe”, mas “constituem um tecido vital no qual estamos todos imersos, fazem parte do nosso dia a dia”. O Pontífice também nos lembra que “não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de usar bem os meios à sua disposição”.

Com a revolução tecnológica, revelou o prefeito, se passou da questão “’o que faz a mídia?’ para o quesito ‘o que se faz com a mídia?’”. Então, é “indispensável compreender os desafios culturais lançados à sociedade e à Igreja no novo horizonte comunicativo”. Torna-se crucial o tema da formação que, de acordo com Mons. Viganò, “não equivale” somente a “oferecer competências tecnológicas”. “Educar e formar nesse âmbito”, disse ele, “significa maturar as razões das conexões e das saídas da Rede” e maturar também “uma maneira responsável de estar dentro e em relação com os novos mundos”.

Para o prefeito da Secretaria para a Comunicação, os cristãos são chamados a ser “cidadãos” e “não apenas hóspedes da mídia”, aceitando entrar nesse espaço digital “como um momento de confronto e de promessas, tempo providencial de graça e de sabedoria, na escuta do ‘rumor de um silêncio tênue em que está presente Deus’”.

A exortação final para as Superioras Maiores foi para que concentrem os esforços “sobre os percursos de formação que ofereçam oportunidades para ousar no futuro, razões para se empenhar, decisões e objetivos para agir”. (AC)


Radio Vaticana

quarta-feira, 12 de abril de 2017

sábado, 8 de abril de 2017

Domingo de Ramos


A paixão segundo Marcos é a mais antiga das quatro e, certamente um dos textos evangélicos mais antigos. Ela tem como ideia central o silêncio de Jesus e sua absoluta confiança no Pai.

Quando Judas o beijou, Jesus não reagiu, como também não o fez em relação às demais agressões sofridas na Paixão e nem ao aparente silêncio do Pai.
Aqueles que desejam seguir Jesus deverão abandonar tudo, até a própria vida. Tudo em favor da vontade do Pai e de seu Reino. É necessário, como o Mestre estar só, vivenciar a solidão.

Do mesmo modo que os discípulos, também nós queremos seguir Jesus, por amor. Mas como esse seguimento está sendo feito? Através do seguimento de ideias cristãs, de sua ética ou através do seguimento da pessoa de Jesus?

O batismo nos proporcionou esse seguimento, mas no transcorrer de nossa vida, de nosso dia a dia, abandonamos nossa vida, nossas primeiras opções, e nos deixamos às mãos do Pai, como Jesus e como Santa Terezinha do Menino Jesus gostava de fazer? E se somos submetidos às provações, qual é ou qual será nossa reação?

O abandono de Jesus e o sentir-se abandonado pelo Pai foi ultra forte; ele clamou: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” E isso na hora da morte em que lutava pela justiça, pelos interesses do Pai!

Qual a reação de Jesus? Ele chorou, pediu conforto ao Pai e que o consolasse. Marcos apresenta um Jesus fraco e que experimentou quão é exigente e difícil obedecer ao Pai.
Por que Jesus não discutiu? Ele sabia que a sentença já estava decidida. Por isso seu silêncio não demonstra covardia e sim, superioridade, não se perturbando com a calúnia, não se colocando no mesmo nível de seus acusadores, mas confiando na vitória final da verdade.

Jesus não temeu a derrota, mas confiou plenamente no Pai.

A entrega de Jesus ao Pai já começou a dar frutos no próprio ato. Um pagão, o centurião romano fez sua profissão de fé imediatamente à morte de Jesus: “Verdadeiramente este homem era Filho de Deus”.  Ele respondeu às perguntas que eram feitas no início do evangelho. Somente após a morte e ressurreição é que se pode compreender quem é Jesus. O que fez o centurião crer, um pagão crer, foi a entrega de Jesus, por amor, até a morte e morte na cruz. O amor rasgou o véu do templo e, desse momento em diante, todos os homens poderão ser feitos filhos de Deus.  Tudo dependerá da fé em Jesus, da crença nele, da qual o centurião, segundo Marcos, foi o primeiro.

Jesus dividiu conosco as experiências dramáticas da vida!

Queridos irmãos, ouvintes da Rádio Vaticano, entramos na Semana Santa, onde aprofundaremos nosso conhecimento no amor de Cristo por nós e, consequentemente seremos agraciados com mais amor. Que possamos chegar à Páscoa da Ressurreição mais assemelhados ao Cristo obediente!

Radio Vaticana

segunda-feira, 20 de março de 2017

terça-feira, 7 de março de 2017

Alegria em tempo de conversão




São 15 conselhos muito simples e concretos que Francisco oferece para esta Quaresma e que ajudarão você a vivê-la melhor:

1. Sorrir. Um cristão é sempre alegre;
2. Agradecer (mesmo se não “precisar” fazê-lo);
3. Lembrar aos outros que você os ama;
4. Cumprimentar com alegria essas pessoas que você vê todos os dias;
5. Ouvir a história do outro sem preconceito, com amor;
6. Parar e ajudar quando alguém precisar;
7. Incentivar quem está desanimado;
8. Alegrar-se pelas qualidades ou realizações dos outros;
9. Juntar as coisas que você não vai mais usar e dar a quem precisa;
10. Ajudar quando necessário para que o outro descanse;
11. Corrigir com amor e não calar por medo;
12. Cuidar com carinho especial dos que estão perto de você;
13. Limpar o que usa em casa;
14. Ajudar os outros a superar os obstáculos;
15. Ligar para os pais, falar mais com eles.




O melhor jejum, segundo o Papa, é:

. Jejum de palavras negativas e dizer palavras bondosas.
. Jejum de descontentamento e encher-se de gratidão.
. Jejum de raiva e encher-se com mansidão e paciência.
. Jejum de pessimismo e encher-se de esperança e otimismo.

. Jejum de preocupações e encher-se de confiança em Deus.
. Jejum de queixas e encher-se com as coisas simples da vida.
. Jejum de tensões e encher-se com orações.
. Jejum de amargura e tristeza e encher o coração de alegria.
. Jejum de egoísmo e encher-se com compaixão pelos outros.
. Jejum de falta de perdão e encher-se de reconciliação.
. Jejum de palavras e encher-se de silêncio para ouvir os outros.