segunda-feira, 19 de junho de 2017

O coração de Deus comove-se!


A palavra hebraica, que traduzimos por “coração” (leb ou lebàb) aparece-nos 860 vezes no Antigo Testamento. Se lhe juntarmos a palavra grega “kardía” no Novo Testamento, chegaríamos a um milhar de ocorrências deste conceito na Bíblia. Para nós, ocidentais, o termo «coração» evoca sobretudo a vida afetiva. Um coração pode estar enamorado, pode também ser sensível, generoso, caritativo. Um homem pode ter um coração de ouro ou um coração de pedra. Pode não ter coração ou pode acontecer de este não lhe caber no peito. Para a Bíblia, ao contrário, o coração é uma realidade mais ampla, que inclui todas as formas da vida intelectiva, todo o mundo dos afetos e emoções, assim como a esfera do inconsciente, em que fundem as suas raízes todas as manifestações do espírito humano”.

O coração, na Bíblia, é a sede da pessoa, o seu centro vital e pessoal, donde brotam os pensamentos, os sentimentos e as decisões. Por isso, se diz na Escritura: «O coração do homem decide os seus caminhos» (Pr.16,9). O coração humano, capaz do melhor e do pior, é expressão da determinação e entrega consciente da vontade e é uma graça ter um coração aberto ao bem e não obstinado em tomar decisões perversas. Chega-se mesmo a prometer «um coração novo» (Ez.11,19), capaz de amar a Deus, com todo o coração e sem reticências. Isso não quer dizer que a Bíblia desconheça o «coração» do ponto de vista afetivo, “que estremece como estremecem as árvores do bosque pelo vento” (Is.7,2), de modo que o dia das núpcias se traduz como «o dia da alegria do coração» (Ct.4,9).

 Neste sentido, Deus também tem «coração»! No Antigo Testamento, fala-se 26 vezes do coração de Deus, considerado como o órgão da sua vontade! Também o coração de Deus pensa e deseja como o da sua criatura, experimenta os mesmos sentimentos e paixões, como escutávamos no profeta Oséias. Além disso, há um trecho do AT em que o tema do coração de Deus, se encontra expresso de modo absolutamente claro: é no capítulo 11 do livro do profeta Oséias, onde os primeiros versículos descrevem a dimensão do amor com que o Senhor se dirigiu a Israel, na aurora da sua história: "Quando Israel ainda era menino, Eu o amei, e do Egito chamei o meu filho" (v. 1). Na verdade, à incansável predileção divina, Israel responde com indiferença e até com ingratidão. "Quanto mais os chamava – o Senhor é obrigado a constatar – mais eles se afastavam de mim" (v. 2). Todavia, Ele nunca abandona Israel nas mãos dos inimigos, pois "o meu coração – observa o Criador – do universo comove-se dentro de mim, comove-se a minha compaixão"  

 O coração de Deus comove-se! Na solenidade do Sacratíssimo Coração de Jesus, a Igreja oferece à nossa contemplação este mistério, o mistério do coração de um Deus que se comove e derrama todo o seu amor sobre a humanidade. Um amor misterioso, que nos textos do Novo Testamento nos é revelado como paixão incomensurável pelo homem. Ele não se rende perante a ingratidão, e nem sequer diante da rejeição do povo que Ele escolheu para si; pelo contrário, com misericórdia infinita, envia ao mundo o seu Filho, o Unigênito, para que assuma sobre si o destino do amor aniquilado a fim de que, derrotando o poder do mal e da morte, possa restituir dignidade de filhos aos seres humanos, que o pecado tornou escravos. 

Então, o seu Coração divino chama o nosso coração; convida-nos a sair de nós mesmos, a abandonar as nossas seguranças humanas para confiar nele e, seguindo o seu exemplo, a fazer de nós mesmos um dom de amor sem reservas. Sim, o seu Coração está aberto por nós e aos nossos olhos; e deste modo está aberto o Coração do próprio Deus! O mundo de hoje, com as suas lacerações sempre mais dolorosas e preocupantes, precisa do Deus, que é Amor, e anunciá-lo é tarefa da Igreja. A Igreja, para poder executar esta tarefa, deve permanecer indissoluvelmente abraçada a Cristo e não deixar-se nunca separar dele: necessita de Santos que morem “no coração de Jesus” e sejam testemunhas felizes do Amor Trinitário de Deus. 

Pe. Amaro Gonçalo

terça-feira, 13 de junho de 2017

Longanimidade, fruto do Espírito


Longanimidade é um substantivo feminino da língua portuguesa e define alguém que possui a característica ou qualidade de grandeza de ânimo, uma pessoa que encara com coragem as adversidades a favor de alguém

A paciência extrema para suportar ofensas, injúrias ou os próprios sofrimentos também pode ser um exemplo de longanimidade. O significado livre da palavra de origem hebraica é "vagaroso em irar-se", ou seja, alguém que demora para entrar em estado de ira, raiva ou rancor. Na versão grega da expressão (makrothymía), o significa literal seria "longura de espírito". 

A longanimidade é uma característica muito defendida na doutrina cristã, através da Bíblia, estando presente em diversos versículos e textos religiosos. É uma virtude de quem é bondoso e generoso, de quem acredita e tem fé em Deus para ajudar a solucionar os seus problemas.

De acordo com os ensinamentos de Deus, registrados na Bíblia, o longânime (pessoa que pratica a "longanimidade de Deus") pode parecer aos olhos dos que não creem um fraco, mas na verdade usa-se do discernimento e sensatez para resolver as adversidades sem usar a força física ou de maneira irracional. Na realidade, para a doutrina cristã, a falta de longanimidade é uma das grandes responsáveis pela intolerância e violência na humanidade. 

Sem tempo a perder, o homem moderno acabou abandonando o bom senso que pede a reflexão e o discernimento como ferramentas fundamentais nas tomadas de decisão, e mesmo nas relações interpessoais. Fruto de uma sociedade tecnológica, que têm à disposição informações precisas em segundos, e da globalização que encurta distâncias antes inimagináveis, o ser humano quer também que esta rapidez aconteça quando precisa de respostas que o "Google" não pode dar. 

Há situações na vida que nos obrigam a parar, quer queiramos ou não. Uma enfermidade, um acidente que incapacita, uma depressão, a perda de um emprego, a morte de alguém muito próximo, uma guerra, uma catástrofe natural, enfim, acontecimentos que mudam nosso padrão de resposta aos fatos. Aí entra esse fruto do Espírito Santo para ajudar a olharmos para o futuro com paciência, e com a capacidade de aguardar por dias melhores.

Podemos contudo cultivá-lo desde já. Sabendo que não temos controle sobre nada, a longanimidade é um respiro longo e restaurador que dá ao nosso espírito a esperança de que o melhor acontecerá, segundo a ótica de Deus, no tempo em que Lhe aprouver. É libertador poder deixar-se conduzir por esta paciência esperançosa que abranda a ansiedade de ter que dar conta de tudo, de reagir a tudo, de pensar-se tudo. Somos criaturas, não deuses...

Como longanimidade não se compra em cápsulas, precisamos pedir ao Espírito Santo que nos dê essa virtude, para podermos respirar mais tranquilos, fazendo nossa parte, mas sabendo que "tudo posso naquele que me fortalece"! (Fil 4,13)

Malu e Eduardo Burin

quinta-feira, 1 de junho de 2017

O protagonista invisível


Pentecostes conclui o ciclo da Páscoa. Nesta solenidade de Pentecostes recordamos: a descida do Espírito Santo sobre a Virgem Maria e os Apóstolos no Cenáculo; a primeira pregação do Evangelho em Jerusalém; a formação da primeira comunidade cristã; o nascimento da Igreja de nosso Senhor Jesus Cristo. O protagonista invisível de todos esses acontecimentos foi e é o Espírito Santo. Ele operava então e opera também hoje na sua Igreja. E se dermos espaço em nossa vida, opera também em nós.

Festa do Espírito Santo, o protagonista daquele dia, misterioso, que trabalha invisivelmente. Hoje, quase nos esquecemos deste hóspede misterioso e discreto, que também está presente em nós. É espírito, por isso não é percebido pelos sentidos. Estamos no mistério de Deus, e sentimos que as nossas palavras são como velas no escuro: acendemos uma pequenina, que dura pouco e depois se apaga. Mas nos encorajamos.

A Bíblia o apresenta como poder de Deus que opera no universo. Poder muitas vezes imperceptível, silencioso, discreto, sempre respeitoso da liberdade humana. Ao mesmo tempo, porém, irresistível ao realizar os desígnios de Deus.

A Bíblia se expressa recorrendo a imagens sugestivas: o vento, o sopro, o gosto, o respiro. Uma imagem muito conhecida, a da pomba, representada em tantos quadros. Imagens como terremoto, trovão, línguas de fogo.

O Espírito aparece como protagonista junto a Jesus na sua vida terrena. Já no seu nascimento, Maria perturbada pela palavra do Anjo pediu explicações, foi dito: “O Espírito do Senhor descerá sobre ti, e estenderá a sua sombra, o poder do Altíssimo”. Depois o Espírito se faz presente no batismo de Jesus.

Nos milagres que Jesus operava: “Dele saia uma força”, diz o evangelho. As multidões diante dos prodígios exclamavam: “Aqui tem o dedo de Deus”, outra imagem curiosa, mas expressiva.
Também o Espírito foi a grande promessa feita por Jesus aos discípulos. Os apóstolos, sabendo que Jesus estava para deixá-los, ficaram tristes. Jesus promete o envio do Espírito Santo, consolador e defensor.

O Espírito Santo também hoje é protagonista no meio de nós para que os cristãos fiéis possam testemunhar Cristo ao mundo. E o Espírito assiste o Papa em modo especial, os bispos, os sacerdotes e cada cristão. Está presente e operante em nossos encontros, ilumina nossas mentes, fortalece a nossa boa vontade, sugere os propósitos do bem.


 Trechos da reflexão do Cardeal Geraldo Majella Agnelo

domingo, 28 de maio de 2017

"Ide por todo o mundo..."



Hoje comemora-se o Dia Mundial das Comunicações. Este dia foi comemorado pela primeira vez em 12 de maio de 1967, atendendo a uma proposta do Concílio Vaticano II. Na ocasião, o papa Paulo VI publicou uma mensagem com o tema "Os meios de Comunicação Social".

O Dia Mundial das Comunicações é sempre comemorado junto à Solenidade da Ascensão do Senhor, e suscita uma reflexão aos cristãos, justamente porque no Evangelho da Solenidade da Ascensão, Jesus coloca um imperativo aos seus discípulos: "Ide por todo o mundo, a todos pregai o Evangelho". (Mc 16,16)

A comunicação é uma necessidade do ser humano. Não fomos criados para sermos ilhas, mas para formarmos família, comunidade, sociedade, nação... Há um desejo intrínseco no ser humano de entrar em contato com o outro. E as formas de comunicação são extensas: gestos, palavras, olhares, atitudes, meios de comunicação, mídias sociais, até o silêncio pode conter em si uma mensagem.

Nossa era prima pela abundância da comunicação. Todos querem expressar sua opinião sobre tudo e todos. As redes sociais cristalizaram este comportamento... Mas a pergunta é: estamos nos tornando pessoas melhores por estas ferramentas de comunicação? Elas agregam valor à vida, espalham o perfume da fraternidade, da tolerância, da compreensão, ou são instrumentos que maquiam a verdade, manipulam o comportamento coletivo e geram expectativas negativas com relação ao futuro?

A resposta a esta pergunta está ao alcance de nossas mãos, ou melhor, de nossas escolhas. A comunicação é uma arma poderosa que tem duas finalidades, gerar encontro ou separação, a paz ou a guerra. É necessário sempre atualizar o mandato de Jesus: "Ide por todo o mundo...". Para gerar comunhão, encontro, amizade, relações fraternas, precisamos ser pessoas que promovem a evangelização. E evangelizar é querer bem, é desejar que todos possamos conhecer a verdade, e a verdade é Jesus!

São Francisco Assis dizia: "Evangelizem, e se necessário, usem as palavras". Que sabedoria nesta frase. Podemos ser pessoas que pregam apenas pelas atitudes, e estas são também comunicação. 

Vamos evitar a verborragia (uso excessivo de palavras sem importância), e comunicar aquilo que faz bem, aquilo que constrói pontes, como diz o Papa Francisco. Só temos hoje para falar do bem e do amor, e para sermos o bem e o amor. "Ide"!

Malu e Eduardo Burin - ISF

sexta-feira, 19 de maio de 2017

O Centenário de Fátima



No dia 13 de maio de 1917, Nossa Senhora apareceu pela primeira vez aos pastorinhos, Jacinta Marto (7anos), Francisco Marto (9 anos) e Lúcia de Jesus (10 anos), em Fátima, Portugal. Quem não conhece a história?

Vamos relembrar aqui as cinco frases marcantes de Nossa Senhora de Fátima:

1. “Rezai o Terço todos os dias. Rezai, rezai muito! E fazei sacrifícios pelos pecadores, que vão muitas almas para o Inferno, por não haver quem se sacrifique e peça por elas. Quando rezardes o Terço, dizei depois de cada mistério: Ó meu bom Jesus, perdoai-nos e livrai-nos do fogo do Inferno. Levai as almas todas para o Céu, principalmente as que mais precisarem”.

2. “Jesus quer servir-Se de ti para me fazer conhecer e amar. Ele quer estabelecer no mundo a devoção ao Meu Imaculado Coração. A quem a aceita, prometer-lhe-ei a salvação e estas almas serão amadas de Deus, como flores colocadas por Mim para enfeitar o Seu Trono”.

3. “Não ofendam mais a Deus Nosso Senhor, que já está muito ofendido”.

4. “O Meu Imaculado Coração será o teu refúgio e o caminho que te conduzirá até Deus.”

5. “O Meu coração é cercado de espinhos que os homens ingratos me cravam, com blasfêmias e ingratidões”.


Neste ano as aparições completam 100 anos. Será que o mundo acolheu as mensagens de Nossa Senhora?

Numa época em que a palavra "sacrifício" assusta, e é sistematicamente banida do vocabulário das pessoas, inclusive dos cristãos, como a mensagem de Fátima pode se perpetuar como um apelo atual e urgente à humanidade?

Vivemos dias sangrentos e instáveis: seja pela violência cotidiana, pelas guerras fratricidas, pelo terrorismo, pelas disputas comerciais e políticas das grandes nações, que colocam em risco toda a vida e a paz do mundo, pela falência dos recursos naturais do planeta que vão se cristalizando dia a dia, pela corrupção daqueles que dirigem as nações e penalizam os mais pobres, e por tantas outras razões...

As Aparições de Fátima são um alerta para todos. O mundo não se tornou um lugar melhor, ao contrário, estamos em grande risco. Portanto, com humildade, imitemos as crianças que viram a Mãe de Deus aparecer na Cova da Iria, e atendamos aos apelos de Maria que quer que todos colaborem para o maior número de almas salvas. Vamos fazer sacrifícios para que a paz triunfe sobre a guerra, a fraternidade sobre o egoísmo, o amor sobre a indiferença generalizada. Vamos usar a potente arma do terço contra todo o mal e contra toda descrença, porque Nossa Senhora afirma:

"Por fim, o Meu Imaculado Coração triunfará"!

Nós não vamos ficar de fora desta missão, certo?


ISF

segunda-feira, 1 de maio de 2017

São José Operário


Celebrar hoje a memória de São José Operário é celebrar, com especial alegria, o mistério daquela vida escondida que o Filho de Deus feito homem quis ter em Nazaré. Ora, como ensina S. Luís Maria Grignion de Montfort, o que primeiro nos vem à mente ao contemplarmos este obediente rebaixamento de Cristo Jesus é o fato de que Ele deu mais glória a Deus em seus trinta anos de submissão silenciosa à Virgem Maria e a S. José do que em qualquer outro período de seu ministério público. Isto significa dizer, antes de tudo, que Aquele que é Senhor do céu e da terra, sem se aproveitar de sua condição divina, fez-se o menor dos servos, dando-nos assim um exemplo da mais sublime humildade; Aquele, pois, que criou o firmamento e nele fixou as estrelas assumiu a condição humana, descendo do trono de sua glória celeste para habitar num casebre de uma pobre aldeola judaica. O que porém neste dia nos deve causar ainda mais admiração é que tanto Cristo quanto sua Mãe Santíssima, elevada ao fastígio de Rainha do Céu e da Igreja, submeteram-se docilmente à paternal autoridade daquele que, no seio da Sagrada Família, sabia não estar à altura da santidade de sua Esposa e de seu Filho adotivo.

Constituído, pois, cabeça da família humana do Deus encarnado, S. José recebeu do Pai o dever sagrado — e com quanta devoção e reverência deve tê-lo cumprido! — de ensinar a trabalhar, a construir mesas e cadeiras, a aplainar tábuas etc. Àquele que é a própria Sabedoria eterna. Com o formão e o martelo em mãos, enquanto sulcava a madeira, Cristo a todo instante pensava como, por sua graça e Sacramentos, moldaria o nosso pobre e ainda mal formado coração, a fim de torná-lo a obra prima de amor e santidade que Ele tanto deseja fabricar. Recorramos hoje à intercessão de São José Operário; peçamos-lhe, com firme confiança, que nos alcance de seu humilíssimo Filho a graça de nos deixarmos trabalhar pela graça de Cristo. Roguemos-lhe, por fim, que nos ensine a nós, encomendados sempre à sua proteção, a santificar-nos no e por meio do nosso trabalho quotidiano. — Ó São José, Chefe da Sagrada Família, Modelo dos operários, rogai por nós!

Padre Paulo Ricardo

domingo, 23 de abril de 2017

Mídias digitais: cristãos chamados a ser cidadãos e não apenas hóspedes da Rede



No dia 21 de abril, o prefeito da Secretaria para a Comunicação do Vaticano, Mons. Dario Edoardo Viganò, participou de um encontro sobre as mídias digitais e a formação ao novo ecossistema comunicativo na sede de Roma da USMI, a União das Superioras Maiores da Itália. O instituto é um grande ponto de referência para as mais de 600 congregações religiosas femininas ativas no país.


Mons. Viganò abordou, principalmente, o desafio da Igreja perante a Internet: “não podemos ignorar o diálogo com a cultura do nosso tempo, com a evolução da mídia e a exigência de aprender a usar linguagem original e técnicas inéditas de narração”, sublinhou o prefeito, ao acrescentar que, na Igreja, “somos herdeiros de um passado que conservamos como tesouro precioso, mas somos responsáveis por um presente desafiador e por um futuro que deve ser decodificado e projetado”.

No seu discurso, Mons. Viganò fez referência ao Papa Francisco, que convida todos a “refletir sobre a realidade dos meios de comunicação que não são mais somente próteses, que nos ajudam a chegar cada vez mais longe”, mas “constituem um tecido vital no qual estamos todos imersos, fazem parte do nosso dia a dia”. O Pontífice também nos lembra que “não é a tecnologia que determina se a comunicação é autêntica ou não, mas o coração do homem e a sua capacidade de usar bem os meios à sua disposição”.

Com a revolução tecnológica, revelou o prefeito, se passou da questão “’o que faz a mídia?’ para o quesito ‘o que se faz com a mídia?’”. Então, é “indispensável compreender os desafios culturais lançados à sociedade e à Igreja no novo horizonte comunicativo”. Torna-se crucial o tema da formação que, de acordo com Mons. Viganò, “não equivale” somente a “oferecer competências tecnológicas”. “Educar e formar nesse âmbito”, disse ele, “significa maturar as razões das conexões e das saídas da Rede” e maturar também “uma maneira responsável de estar dentro e em relação com os novos mundos”.

Para o prefeito da Secretaria para a Comunicação, os cristãos são chamados a ser “cidadãos” e “não apenas hóspedes da mídia”, aceitando entrar nesse espaço digital “como um momento de confronto e de promessas, tempo providencial de graça e de sabedoria, na escuta do ‘rumor de um silêncio tênue em que está presente Deus’”.

A exortação final para as Superioras Maiores foi para que concentrem os esforços “sobre os percursos de formação que ofereçam oportunidades para ousar no futuro, razões para se empenhar, decisões e objetivos para agir”. (AC)


Radio Vaticana

quarta-feira, 12 de abril de 2017

sábado, 8 de abril de 2017

Domingo de Ramos


A paixão segundo Marcos é a mais antiga das quatro e, certamente um dos textos evangélicos mais antigos. Ela tem como ideia central o silêncio de Jesus e sua absoluta confiança no Pai.

Quando Judas o beijou, Jesus não reagiu, como também não o fez em relação às demais agressões sofridas na Paixão e nem ao aparente silêncio do Pai.
Aqueles que desejam seguir Jesus deverão abandonar tudo, até a própria vida. Tudo em favor da vontade do Pai e de seu Reino. É necessário, como o Mestre estar só, vivenciar a solidão.

Do mesmo modo que os discípulos, também nós queremos seguir Jesus, por amor. Mas como esse seguimento está sendo feito? Através do seguimento de ideias cristãs, de sua ética ou através do seguimento da pessoa de Jesus?

O batismo nos proporcionou esse seguimento, mas no transcorrer de nossa vida, de nosso dia a dia, abandonamos nossa vida, nossas primeiras opções, e nos deixamos às mãos do Pai, como Jesus e como Santa Terezinha do Menino Jesus gostava de fazer? E se somos submetidos às provações, qual é ou qual será nossa reação?

O abandono de Jesus e o sentir-se abandonado pelo Pai foi ultra forte; ele clamou: “Meu Deus, meu Deus, por que me abandonastes?” E isso na hora da morte em que lutava pela justiça, pelos interesses do Pai!

Qual a reação de Jesus? Ele chorou, pediu conforto ao Pai e que o consolasse. Marcos apresenta um Jesus fraco e que experimentou quão é exigente e difícil obedecer ao Pai.
Por que Jesus não discutiu? Ele sabia que a sentença já estava decidida. Por isso seu silêncio não demonstra covardia e sim, superioridade, não se perturbando com a calúnia, não se colocando no mesmo nível de seus acusadores, mas confiando na vitória final da verdade.

Jesus não temeu a derrota, mas confiou plenamente no Pai.

A entrega de Jesus ao Pai já começou a dar frutos no próprio ato. Um pagão, o centurião romano fez sua profissão de fé imediatamente à morte de Jesus: “Verdadeiramente este homem era Filho de Deus”.  Ele respondeu às perguntas que eram feitas no início do evangelho. Somente após a morte e ressurreição é que se pode compreender quem é Jesus. O que fez o centurião crer, um pagão crer, foi a entrega de Jesus, por amor, até a morte e morte na cruz. O amor rasgou o véu do templo e, desse momento em diante, todos os homens poderão ser feitos filhos de Deus.  Tudo dependerá da fé em Jesus, da crença nele, da qual o centurião, segundo Marcos, foi o primeiro.

Jesus dividiu conosco as experiências dramáticas da vida!

Queridos irmãos, ouvintes da Rádio Vaticano, entramos na Semana Santa, onde aprofundaremos nosso conhecimento no amor de Cristo por nós e, consequentemente seremos agraciados com mais amor. Que possamos chegar à Páscoa da Ressurreição mais assemelhados ao Cristo obediente!

Radio Vaticana

segunda-feira, 20 de março de 2017

terça-feira, 7 de março de 2017

Alegria em tempo de conversão




São 15 conselhos muito simples e concretos que Francisco oferece para esta Quaresma e que ajudarão você a vivê-la melhor:

1. Sorrir. Um cristão é sempre alegre;
2. Agradecer (mesmo se não “precisar” fazê-lo);
3. Lembrar aos outros que você os ama;
4. Cumprimentar com alegria essas pessoas que você vê todos os dias;
5. Ouvir a história do outro sem preconceito, com amor;
6. Parar e ajudar quando alguém precisar;
7. Incentivar quem está desanimado;
8. Alegrar-se pelas qualidades ou realizações dos outros;
9. Juntar as coisas que você não vai mais usar e dar a quem precisa;
10. Ajudar quando necessário para que o outro descanse;
11. Corrigir com amor e não calar por medo;
12. Cuidar com carinho especial dos que estão perto de você;
13. Limpar o que usa em casa;
14. Ajudar os outros a superar os obstáculos;
15. Ligar para os pais, falar mais com eles.




O melhor jejum, segundo o Papa, é:

. Jejum de palavras negativas e dizer palavras bondosas.
. Jejum de descontentamento e encher-se de gratidão.
. Jejum de raiva e encher-se com mansidão e paciência.
. Jejum de pessimismo e encher-se de esperança e otimismo.

. Jejum de preocupações e encher-se de confiança em Deus.
. Jejum de queixas e encher-se com as coisas simples da vida.
. Jejum de tensões e encher-se com orações.
. Jejum de amargura e tristeza e encher o coração de alegria.
. Jejum de egoísmo e encher-se com compaixão pelos outros.
. Jejum de falta de perdão e encher-se de reconciliação.
. Jejum de palavras e encher-se de silêncio para ouvir os outros.



quarta-feira, 1 de março de 2017

Jejum, esmola e oração!



Jesus convida todos os homens e mulheres a segui-Lo, tornando-se discípulos seus. Quem aceita o seu chamado inicia um processo de conversão, que quer dizer mudança de mentalidade, com a consequente mudança de rota na vida. São Paulo descreveu com maestria esta vida nova: "Tendo vós todos rompido com a mentira, que cada um diga a verdade ao seu próximo, pois somos membros uns dos outros. Podeis irar-vos, contanto que não pequeis. Não se ponha o sol sobre vossa ira, e não deis nenhuma chance ao diabo. O que roubava não roube mais; pelo contrário, que se afadigue num trabalho manual honesto, de maneira que sempre tenha alguma coisa para dar aos necessitados. De vossa boca não saia nenhuma palavra maliciosa, mas somente palavras boas, capazes de edificar e de fazer bem aos ouvintes. Não entristeçais o Espírito Santo de Deus, com o qual fostes marcados, como por um sinal, para o dia da redenção. Desapareça do meio de vós todo amargor e exaltação, toda ira e gritaria, ultrajes e toda espécie de maldade. Pelo contrário, sede bondosos e compassivos, uns para com os outros, perdoando-vos mutuamente, como Deus vos perdoou em Cristo. Sede, pois imitadores de Deus como filhos queridos. Vivei no amor, como Cristo também nos amou e se entregou a Deus por nós como oferenda e sacrifício de suave odor. A imoralidade sexual e qualquer espécie de impureza ou cobiça nem sequer sejam mencionadas entre vós, como convém a santos. Nada de palavrões ou conversas tolas, nem de piadas de mau gosto: são coisas inconvenientes; entregai-vos, antes, à ação de graças" (Ef 4,25-32; 5,1-4). Para chegar lá, é necessário exercitar-se, e muito! Relacionamento consigo, com o próximo e com Deus.

A primeira delas é chamada de mortificação, abstinência, ou jejum. As três expressões servem para indicar o processo de educação da vontade. Moderar o uso do alimento, escolher práticas que orientem nossos impulsos instintivos. Muitos o fazem por motivos de saúde ou por razões estéticas, enquanto nós desejamos fazê-lo para a educação da vontade e para partilhar o fruto do jejum com as pessoas necessitadas.

A segunda tem o nome de esmola, palavra, quem sabe, desgastada, que é o exercício das obras de misericórdia, ações caridosas pelas quais vamos em ajuda do nosso próximo, nas suas necessidades corporais e espirituais. Instruir, aconselhar, consolar, confortar, são obras de misericórdia espirituais, como perdoar e suportar com paciência. A esmola dada aos pobres é um dos principais testemunhos da caridade fraterna e também uma prática de justiça que agrada a Deus (Catecismo da Igreja Católica 2447). "Quem tem duas túnicas reparta com quem não tem nenhuma, e quem tem mantimentos, faça o mesmo" (Lc 3, 11). "Dai antes de esmola do que possuis, e tudo para vós ficará limpo" (Lc 11, 41).

Enfim, intensificar a prática da oração, em todas as suas formas, é o terceiro exercício com o qual os cristãos se comprometem na Quaresma, abrindo-se para Deus e dedicando tempo e qualidade de relacionamento com o Senhor. Rezar mais e rezar melhor!

Dom Alberto Taveira Corrêa – Arcebispo de Belém (PA)

segunda-feira, 20 de fevereiro de 2017

Pe. Alberione e as virtudes domésticas


Jesus viera do céu, encarnou-se, para redimir a humanidade e para revelar o Seu evangelho e oferecer-Se como vítima ao Pai celeste. Entretanto, na vida pública passa apenas três anos e alguns meses, e dedica trinta anos à vida privada: isto significa um décimo de toda a sua vida na vida pública, no ministério público e, pelo contrário, nove décimas da sua vida privada em Nazaré.

O que isto significa? Nós, que temos pouca capacidade para conhecer os mistérios divinos, até poderemos dizer: mas pelo menos quando tinha vinte anos poderia ter começado a pregação pública! Não. Porque veio para revelar o Evangelho, veio para redimir o homem e permanecer trinta anos na vida privada. Mas se depois penetrarmos neste fato um pouco mais, chegamos a compreender a razão e deixará de ser um mistério para nós, porque as virtudes privadas são as mais importantes, porque primeiro devemos procurar a nossa santidade, antes de ir ensinar aos outros!

Porque o Senhor sabe que a maioria dos homens tem uma vida privada, mas não apostólica, e então o que se necessita? Especialmente são necessárias as virtudes domésticas. O Senhor Jesus queria restaurar a humanidade, mas tinha de começar por dar um exemplo de santidade, para que todos fossem santos. Este é necessário para todos. E dar o exemplo das virtudes domésticas. Porque foi necessário constituir a sociedade civil e a sociedade da Igreja? Para existirem as virtudes domésticas, para que as famílias sejam bem ordenadas, organizadas, porque as famílias são a célula da Igreja; da Igreja e a célula dos povos, do Estado.

O que, portanto, Jesus fez em todos aqueles anos, numa casinha escura, longe dos olhares, sem dar a perceber a Sua onipotência, por exemplo operando algum milagre: apenas se viu uma cintila de luz da sua sabedoria, como, por exemplo, quando foi ao Templo, aos doze anos de idade.

Oh! As virtudes individuais, as nossas virtudes, em primeiro lugar, devemos cuidar delas. Isto significa: a fé, a esperança, a caridade, a humildade, a docilidade, a paciência. Primeiro, ser santos! Ninguém pode dar frutos se a planta não existir, ou então se não for robusta. E que faz um agricultor? O agricultor vai tratar a raiz da planta e isto significa que deve ser bem regada, bem adubada, etc. Então, se for robusta, acredita-se, cresce porque bem alimentada: ah! que frutos, flores e folhas aquela planta as irá ter! […]

O apostolado é fruto da nossa santidade interior. É mesmo assim. Não olhemos sobretudo para as coisas exteriores e para o que conseguiremos fazer, etc.: pensemos, sim, que a primeira coisa que deve ser feita é fazermo-nos santos; depois, o apostolado será uma consequência. […]

Devemos ter medo do apostolado se antes de mais nada não existir a santidade, porque até poderá ser uma tentação: passar a vida a olhar para os outros, a observar os outros e até, talvez, a julgá-los e a condená-los. E este defeito existe mesmo lá onde não deveria existir! Cuida de ti próprio! […]

Portanto, a vida interior, a santidade em casa, as virtudes domésticas, aquelas virtudes mínimas do dia a dia, que são as que enchem os dias de méritos. Os heroísmos, as virtudes excepcionais poucas vezes temos que praticá-las, mas geralmente são as pequenas obediências, as pequenas atenções, as pequenas ações que se devem cuidar, sim, porque não existe nada de pequeno no serviço de Deus.

(Às Apostolinas - 10 agosto de1957, pp. 133-142)

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

Crianças soldado: vítimas e rés de conflitos armados



Em janeiro deste ano, o Papa pedia que rezássemos pelo fim dos "meninos soldados", realidade cruel e desumana que avilta vários quesitos dos direitos da infância e adolescência. No artigo abaixo, podemos compreender um pouco mais do porquê da preocupação do Santo Padre...


"Nova Iorque (RV) – Celebra-se neste domingo (12/02), o Dia Internacional contra o uso de Crianças soldado, proclamado pelas Nações Unidas.



Segundo estimativas da ONU, mais de 100 mil crianças são utilizadas como soldados, sobretudo em Uganda, Libéria, República Democrática do Congo e Sudão.

Atualmente, existem dezenas de conflitos armados, nos quais crianças e adolescentes são aliciados e obrigados a fazer parte de exércitos nacionais, forças ou grupos armados. Muitos desses jovens são recrutados à força, outros se alistam voluntariamente, porque quase não veem ou não têm alternativa a não ser participar da guerra.

Os motivos deste presumível "voluntariado" são a falta de ocupação ou formação profissional e o desejo de fugir da violência em ambiente familiar. A vingança também é um fator que impulsiona o alistamento voluntário de crianças e adolescentes, por causa da perda de um ente querido, em consequência de conflitos armados ou guerras.

Abuso sexual
A vida das crianças soldado é dura e perigosa, afirmam especialistas das Nações Unidas, pois geralmente atuam como mensageiras, espiãs, e, muitas vezes, até precisam transportar explosivos e manejar pistolas, fuzis e metralhadoras.

As meninas frequentemente são obrigadas a satisfazer os desejos sexuais dos soldados nos acampamentos. As crianças soldado não são somente vítimas em conflitos armados, elas também são, ao mesmo tempo, réus.

Como prova de "dureza", muitas vezes, são obrigadas, sob pena de morte, a assassinar amigos e membros da própria família. As crianças também são usadas como soldados por serem mais maleáveis e dóceis que os adultos e, por isso, são doutrinadas a obedecer e a matar. Em muitos casos, isto ocorre sob a influência de drogas e bebidas alcoólicas. As crianças que passam por estas experiências sofrem danos emocionais e físicos, muitas vezes irreparáveis, durante a toda a sua vida. (MT)"


Rádio Vaticano

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2017

quarta-feira, 1 de fevereiro de 2017

Um grande sinal

No dia da Apresentação do Senhor, em torno do Papa Francisco e pelo mundo todo, renova-se a consagração destas pessoas preciosas aos olhos de Deus e de todos os cristãos. Com velas acesas, simbolizando a entrega de suas vidas e o reconhecimento do grande sinal que representam, louvamos a Deus por estes irmãos e irmãs e pedimos o fortalecimento de suas disposições para o serviço do Reino de Deus.

Sabemos que a plenitude da vida acontecerá quando Deus for “tudo em todos” (Cf. 1 Cor 15, 28). A pessoa chamada à vida consagrada é “apressada”! Deseja viver, desde já, a realidade do Céu. Faz votos públicos de entrega de sua vida ao Senhor, plena liberdade. Basta ver a imensa lista de santos e santas, passando dos mais conhecidos, como São Francisco de Assis, Santo Antônio, São João Bosco e outros, até chegar aos que continuamente são apresentados à Igreja e ao mundo, nas beatificações e canonizações, como testemunhas qualificadas, que atestam a validade permanente do Evangelho.

Estes são homens e mulheres que aceitaram serem sinais de Deus em todos os tempos. Em alguns casos, sua dedicação fundamental é a contemplação, como nos muitos mosteiros de várias ordens e congregações masculinas e femininas, verdadeiros para-raios de oração diuturna pela Igreja e pelo mundo. Outras pessoas estão presentes nas atividades pastorais, de forma ativa e dedicada, animando as Comunidades, formando catequistas, incentivando as vocações ou na animação bíblica de grupos e comunidades. Muitos religiosos e religiosas estão nas Escolas confessionais e públicas, apaixonados pela educação das novas gerações. Que dizer das pastorais sociais, como a Pastoral da Criança, da Saúde e outras áreas marcadas pelo testemunho que chega às raias do heroísmo. Em nosso país, tantos viveram tal testemunho até o derramamento do próprio sangue, mártires da verdade do Evangelho.

Deus tem um olhar pessoal e intransferível para cada cristão, e este olhar tem o nome de vocação. Convido todos os jovens a se confrontarem com a Palavra de Deus que escutam na Santa Missa, descobrindo-a como dirigida especialmente a eles. Provoco com força e ternura tantos deles que experimentam no mais profundo do coração a inquietação, que os conduz a buscarem a liberdade das coisas, dos afetos e de si mesmos, para se lançarem na maravilhosa aventura do seguimento radical de Jesus Cristo.

Aos religiosos e religiosas e outras pessoas que se consagram na profissão dos Conselhos Evangélicos, chegue o estímulo à fidelidade crescente ao Senhor, no amor a Ele e a todos os homens e mulheres de todas as idades e situações sociais, que suplicam a luminosidade do grande sinal. Olhem para Maria, aquela que é toda revestida da Palavra de Deus, o “Grande Sinal” que realiza plenamente a vocação da Igreja (Cf. Ap 12, 1-6). Nela está o dever ser que a Igreja e o Mundo esperam das pessoas consagradas.

Trechos de artigo de Dom Alberto Taveira Corrêa - Arcebispo de Belém do Pará

quarta-feira, 25 de janeiro de 2017

segunda-feira, 16 de janeiro de 2017

Sete verdades para provar que Deus não abandonou você


Muitas pessoas sentem que o peso do trabalho, problemas familiares, econômicos, desemprego, etc, as sufocam e não encontram saída por nenhuma parte (inclusive os cristãos praticantes); sentem que não suportam tudo isso, ainda mais quando vêm 2 ou 3 problemas desses juntos. Isso pode acontecer com qualquer um de nós em algum momento de nossa vida.

Para os planos de Deus sobre nós, não existem respostas teológicas concretas. Eu não sei o que Deus pode querer de você, ou o quão longe ele vai tentar a infelicidade.

Sabemos, certamente, que Escritura diz que as águas chegarão ao pescoço, mas não nos afogarão. Não vou mentir dizendo que seus sofrimentos já vão acabar. Quem faz isso são os astrólogos, que enganam as pessoas e brincam com sua sede de esperança e fé. Porém, além de mentir, não resolvem nada.

Sete verdades em que devemos acreditar:
  1. Tudo acontece para o bem daqueles que amam a Deus (Romanos 8,28). Embora não seja dito, o que está incluso neste “tudo” vai de presentes materiais de Deus até a cruz e o martírio.
  2. Deus não permite que sejamos testados além de nossas forças.
  3. Muitas vezes, as águas chegarão até o nosso pescoço, mas não nos afogarão.
  4. Muitas vezes, Deus espera que nós peçamos o que necessitamos, inclusive com sacrifícios, penitências e votos generosos. E, depois disso, Ele atua, porque queria despertar em nós esses atos que hão de nos santificar.
  5. A cruz está no caminho normal de toda pessoa chamada à santidade. E devemos aceitar com paciência e resignação nossas cruzes. Para isso, podemos ler, proveitosamente, o Livro de Jó.
  6. Isso não nos exime de fazer nossa parte para encontrar a saída. Muitas vezes, a graça que Deus nos dá não é encontrar a saída para os nossos problemas, mas sim a graça de tentar mais uma vez.
  7. Em nossa fraqueza, manifesta-se a força de Deus, como disse São Paulo. Às vezes, Deus espera até que fiquemos completamente abatidos para agir e, dessa forma, mostrar que foi sua mão que nos salvou, e não as nossas forças.
Sei que não é fácil, mas nunca deixe de orar.
“Sempre e por qualquer motivo, dê graças a Deus, nosso Pai, em nome de nosso Senhor Jesus Cristo” (Efésios, 5,20)

Por Miguel A. Fuentes