sábado, 27 de dezembro de 2014

Ainda há tempo?


 
Celebramos neste domingo a Sagrada Família: Jesus, Maria e José. É a festa do Instituto Santa Família. Este Instituto foi gerado no coração de Pe. Alberione para a consagração, em caráter secular, de casais que procuram seguir a Jesus de perto.
 
Numa época em que os índices econômicos regem a vida da pós modernidade, e a cadência da vida é medida pelo preço dos barris de petróleo e pela cotação do dólar, fica difícil falar nos valores que constituem os pilares da família.
 
Hoje, por conta das exigências profissionais e das necessidades de sobrevivência, é comum que as famílias já não se reúnam mais à mesa, ou simplesmente para se falarem, ou passarem um tempo juntas. Como é possível que tenhamos assentido com este estado de ausência que gerou tantos orfãos de pais vivos? Nossas crianças e nossos jovens estão muitas vezes à mercê das mídias como seus modelos e conselheiros. Já não temos mais compromisso com a educação deles. Esta vai acontecendo circunstancialmente pela escola, pelos redes sociais e pelos amigos.
 
Quando sobra um tempinho para o encontro entre pais e filhos, esta oportunidade frequentemente é trocada pelas idas aos shopping centers onde o diálogo sempre é substituído por algum agrado material.
 
Como é que podemos ter tranquilidade se não sabemos o que tem alimentado a cabeça e os desejos destes filhos? Como vamos acompanhar seu crescimento se não assumimos a responsabilidade que nos compete, e pela qual responderemos diante de Deus?
 
Olhemos para a Sagrada Família. Olhemos para este modelo das virtudes domésticas vividas perfeitamente: gratuidade, gentileza, trabalho honesto, humildade, vida de oração, respeito, valorização do outro, enfim tudo aquilo que é o esteio da família.
 
Peçamos a intercessão de Jesus, Maria e José, para que ainda haja tempo de recolhermos com nossos braços e orações a nossa família.
 
Malu

quarta-feira, 24 de dezembro de 2014

quinta-feira, 18 de dezembro de 2014

segunda-feira, 15 de dezembro de 2014

São José e o Natal

 

O Natal está próximo e acho importante considerar o papel de São José em todo o processo da encarnação de Jesus até a noite feliz de seu nascimento.

São José era um homem de vida interior, um homem justo e temente a Deus.  Ele foi escolhido para desposar uma mulher sabendo que não coabitaria com ela, em virtude de um voto de consagração total que ela fez a Deus. Isso não o impediu de amá-la com um profundo amor, nem de assumir a maravilhosa missão de pai adotivo do Menino Jesus.

Fico imaginando os sentimentos de Maria e de José nos dias que antecederam o nascimento de Jesus. Na sua pobreza, como devem ter se empenhado para preparar tudo com um carinho quase que sobrenatural, aguardando a entrada do Filho de Deus no mundo. Será que perdiam o sono? Será que ficavam imaginando como iriam pegar "Deus" no colo? Será que os paninhos e as vestes do bebê conseguiriam envolver o infinito? Era tudo tão inusitado, tão sem referências... Como agir, como fazer?

Quantos pensamentos não povoavam o pensamento destes pais de primeira viagem... E, no entanto, para muito além destas situações humanas, o céu estava para se romper do útero de Maria, e vir à luz sob a forma de um bebê igual a tantos que já vimos. O Deus Menino habitando naquele ventre virginal, tomou as características de DNA de Maria, foi formado com os nutrientes do sangue de Nossa Senhora, e veio ao mundo para nos salvar e nos falar de Deus.

São José foi o referencial masculino de Jesus. Foi o pai humano que o sustentou com o suor do seu labor, que brincou com Ele, que o ensinou o ofício da carpintaria, que deve ter se encantado com seus primeiros passinhos, e que ficou imensamente comovido ao ouvi-lo chamar de pai. São José acompanhou cada momento da vida de Jesus, enquanto esteve entre eles. Por isso ele é o Patrono das Famílias, aquele que zela pela vida familiar fundada nos valores do Evangelho, porque ele viveu na família onde Deus habitou, e tem, junto ao seu Filho adotivo um lugar de predileção.

Nesta caminhada que já segue adiantada para o Natal, olhemos com carinho para São José. Ele foi um homem corajoso e entregue à vontade de Deus. Foi um pai heroico que soube enxergar os desígnios do Pai e não hesitou, mesmo angustiado diante dos perigos que rondaram a vida do pequeno Jesus, em seguir na noite escura para fazer a sua parte naquele que, até hoje, é um mistério de amor insondável para nós.

No presépio pequenino, Deus se fez nosso irmão. Acolhamos também a São José como nosso protetor e guarda de nossas vidas. Aquele que foi responsável pela vida, pelo sustento e pela segurança do Menino Deus, não nos deixará nos perigos, nas aflições, na construção da paz em nosso lar.

São José, rogai para que este Natal nos traga a graça da conversão.

Malu

segunda-feira, 8 de dezembro de 2014

Imaculada, aquela que nunca pecou




Celebramos hoje a Solenidade da Imaculada Conceição da Virgem Maria, dia santo de guarda, e festa que se encaixa perfeitamente no espírito do tempo do Advento. Estamos aguardando o nascimento de Jesus, nosso Salvador, portanto cabe aqui compreender donde brotou a iniciativa deste mistério de amor que nos envolve tão ternamente.

Desde que o pecado original nos privou da amizade e da graça de Deus, o homem vinha aguardando ansiosamente que algo, ou alguém, pudesse oferecer um sacrifício expiatório que nos alcançasse o perdão da culpa original, e nos colocasse na graça de Deus. Na verdade sabemos que Deus sempre ofereceu aliança aos homens, e toda quebra desta aliança sempre aconteceu pela infidelidade humana. 

Antes que o pecado original acontecesse Adão e Eva viviam em um paraíso terrestre, e eram dotados de uma inteligência tão elevada que ultrapassa nossa compreensão. Depois da queda pelo pecado cometido, eles foram privados deste paraíso e passaram a ter que lutar por aquilo que lhes era oferecido de graça: o saber sem estudo, a alimento conseguido sem trabalho ou o suor da lida, a harmonia perfeita da criação, o convívio  humano sem a malícia ou a maldade, os afetos que não estavam submetidos às paixões e  aos desejos desordenados. Depois que pecaram, Adão e Eva foram expulsos do paraíso.

Nosso Criador, em sua infinita misericórdia, resolveu enviar seu Filho para que, assumindo todos os pecados da humanidade de todos os tempos, pudesse restabelecer novamente este laço rompido pelo pecado de nossos primeiros pais. Diga-se de passagem, que não haveria necessidade de enviar Jesus para isso. Sabemos que em sua onipotência Ele poderia de mil outras maneiras providenciar isso sem provocar qualquer sofrimento a seu Filho.

Contudo, querendo nos provar seu amor, enviou-nos o Cristo para que assumindo a natureza humana completasse seu desígnio amoroso em nosso favor. Jesus portanto, é o novo Adão, o pai da humanidade redimida que obedece aos planos do Criador, em contraposição a Adão que os desobedece.

Chegamos ao ponto crucial. Para se encarnar, Jesus precisava de uma mãe digna de sua santidade, que fosse imaculada, completamente livre do pecado original. Esta mulher é Maria, que foi concebida no ventre de sua mãe Ana, totalmente livre da nódoa do pecado original. Ela jamais pecou, e junto a seu Filho sempre esteve isenta do pecado.

Assim sendo, Maria é a nova Eva, aquela que se colocou completamente a serviço de Deus. Aquela que nunca obstou em nada ao Pai, aquela que obedeceu.

Esta festa vai dando o tom do Natal, vai sinalizando o que realmente é festejado na contemplação da simplicidade e entrega dos corações de Mãe e Filho. Mesmo na pobreza, e na falta de tudo, entregam-se à vontade de Deus sem reservas, sem nenhuma hesitação.
Deixam-se conduzir do presépio até o Calvário sempre buscando servir, espalhando o bem completamente esquecidos de si. 

Vamos continuar nosso itinerário rumo ao encontro com Jesus e sua Mãe no Natal. Peçamos à Imaculada Virgem "Maria que  traga sua luz celeste que se difunde placidamente nas almas, mesmo que nelas haja trevas e ignorância. Maria suaviza os corações, leva-os à prática do bem, santifica os costumes, difunde o bem querer entre todos".  
(Pe. Alberione em Pensamentos pg. 48)

Malu e Eduardo

domingo, 30 de novembro de 2014

As luzes da espera



Estamos começando mais um tempo do Advento. São quatro semanas onde a liturgia nos convida à mudança, à conversão. Precisamos mudar, para podermos nos aproximar do Senhor com um espírito mais despojado neste Natal. 

Embora seja um tempo normalmente atribulado para todos, o fim de ano deve privilegiar uma revisão de vida desta etapa que vai se acabando, e preparar com bons propósitos o amanhã que vem.

No primeiro Domingo do Advento do Ano B, é abordada a questão da restauração do homem e do universo. Sabemos que o Senhor virá, e precisamos estar atentos para que este dia não nos surpreenda despreparados. Por isso é necessária a vigilância, sobretudo o cuidado com o estado de nossa alma. É mais importante enfeitarmos nossa alma com virtudes e conversão, do que nos perdermos nos mil cuidados da festa e das correrias de Natal.

No segundo Domingo do Advento, somos chamados a preparar os caminhos do Senhor, a endireitar suas estradas. Esta é uma proposta de mudança de curso na rota de nossa vida. Quanto tempo perdemos nos afadigando por uma posição melhor no trabalho, para alcançarmos uma meta que não acrescenta nada ao que somos aos olhos de Deus. A vida passa muito depressa; é uma ampulheta veloz que rouba nossos dias sem piedade. A conversão não é uma opção para amanhã, porque pode ser que este tempo já não exista para nós.

No terceiro Domingo do Advento, o Domingo da Alegria, iremos refletir sobre alguém que está no meio de nós e que nós não conhecemos. Para que possamos ter intimidade com o Senhor, devemos dar sempre graças a Deus por tudo o que Ele permite que nos aconteça. Agindo assim, damos espaço para que o Espírito Santo atue em nós. Fujamos das trevas e nos aproximemos da luz. Que sejamos os faróis da luz de Cristo.

No quarto Domingo do Advento, meditamos sobre a notícia dada a Maria, e sobre sua inteira disponibilidade para a realização dos planos de Deus. À partir desta boa nova o trono de Davi será firme para sempre, e o que ficou oculto por muitos séculos agora é revelado. O nosso sim à vontade de Deus pode ser a oportunidade para que Ele realize o impossível em nossas vidas, e na daqueles por quem rezamos. 

O Advento é, portanto, um tempo de oração, porque ao rezarmos colocamos a descoberto nossas fraquezas e necessidades, e assim o Senhor encontrará espaço na pobreza de nossa alma para repousar e fazer morada, como o fez ao ser depositado na manjedoura pobre em Belém. 

Um fecundo Advento a todos!

Malu

domingo, 23 de novembro de 2014

As crianças não são uma propriedade, mas uma experiência de dom

 


Por Anna Fusina

ROMA, 20 de Junho de 2014 (Zenit.org) - Françoise Dolto, famosa psicanalista francesa, argumentava que as crianças não nos pertencem. Dizia que os pais deveriam ‘adotar’ os próprios filhos, mas que, infelizmente, não o fazem, muitas vezes: “Nunca se tem um filho igual ao que se sonhou, tem-se um certo tipo de criança e é preciso deixar que cresça segundo a sua verdade: muitas vezes, em vez disso, fazemos o contrário”. 

De acordo com Andrea Canevaro, professor de Pedagogia na Universidade de Bologna, “uma criança deve ser aceita por aquilo que é, e, ao mesmo tempo, deve ser considerada por aquilo que ela será, muito além do que nós queremos que ela se torne.”

A criança é uma pessoa ‘original’, ou seja, uma pessoa que só poderá adquirir um pleno desenvolvimento se lhe for permitida a aquisição de uma identidade própria, que a levará a tornar-se alguém “nunca existido antes (nem sequer na imaginação de quem a ama ou a colocou no mundo ou a sonha de acordo com modelos ideais percebidos como absolutos). Bons pais respeitam o ‘projeto’ misterioso escondido na semente original de cada filho, não o considera filho propriedade sua, mas ‘filho da vida’ mesma, daquela vida onde terá que, um dia, inserir-se autonomamente e como protagonista, abandonando a matriz psicológica dos pais, onde cresceu”.

Um provérbio de Quebec (Canadá) afirma que "os pais só podem dar duas coisas aos seus filhos: as raízes e as asas".

Ser pai e mãe é ‘estar ao lado’ do filho em todas as fases do seu desenvolvimento: na primeiríssima idade, protegendo, guiando e estimulando a criança para o conhecimento de si mesma e do mundo onde vive, utilizando as superiores capacidades físicas e psíquicas das quais um adulto é dotado; posteriormente, atuando como um apoio para a separação psicológica da família e para as experiências de inserção gradual no ambiente extrafamiliar e a aquisição da autonomia pessoal.

De acordo com Gloria Soavi, psicóloga e psicoterapeuta, "a criança tem uma necessidade fundamental para poder crescer de uma forma harmoniosa e desenvolver o seu potencial, e, para além de toda categoria social, psicológica e pedagógica, pode-se resumir em uma única necessidade primária (...): ser amada. Esta necessidade de amor é dividida em diferentes ações; ser aceita, acolhida, cuidada, acompanhada, reconhecida nas suas necessidades, reforçada nas suas expectativas e capacidades, tudo o que lhe dá a possibilidade de criar um laço, que será o laço primário primária sobre o qual, depois, construirá todos os laços sucessivos e com os quais se enfrentará emotivamente por toda a vida. Quem é pai sabe de quantas atenções constantes e coerentes no tempo, precisam os pequenos para crescer e para se tornarem adultos equilibrados e suficientemente felizes. O essencial do ser filho, portanto, está fundamentalmente na relação com os pais por meio da construção deste laço único e complexo que se desenvolve ao longo da vida e que modifica continuamente, mas permanece como essência, como raiz e se for positivo como um recurso ".

É absolutamente necessário, portanto, que as relações pai-filho sejam baseadas no amor incondicional pela criança. O amor é, porém, um sentimento sujeito a alguns riscos: pode tranformar-se em propriedade, egoísmo, chantagem, projeção de si mesmo sobre o outro. Também o amor generoso, infinito, desinteressado de um pai e de uma mãe por um filho, pode, em alguns casos, transformar-se em posse egoísta da criança, pode desembocar em atitude autoritária, em controles obsessivos delas. O Cardeal Angelo Scola observa que "a tentação de possuir, a de não permitir que a criança seja profundamente ‘outra’, ou seja, verdadeiramente livre, ameaça constantemente o amor paterno e materno. Aceitar o risco da liberdade dos filhos, de fato, é a prova mais radical na vida dos pais: desejar-se-ia livrar os filhos de toda dor, de todo mal. Esta dramaticidade, presente em toda relação humana, torna-se especialmente aguda na relação pai/mãe- filho. O laço é, aqui, de tal forma poderoso que dá a percepção de que, se o outro – o filho – se perde, me perco também eu – mãe ou pai -. Então, torna-se forte a tentação de reduzir o filho a si, fazendo-o uma espécie de extensão da própria pessoa”.

A criança, portanto, deve ser acolhida e amada por si mesma e não pelas suas qualidades, a partir do momento em que existe a sua presença na família. Os pais, ao doar-se ao filho, devem, às vezes, saber ‘renunciar a si mesmos’. A fecundidade é uma experiência de dom e de ‘autodesprendimento’. Ensina que perder para encontrar (Mc 8:35) é o segredo da vida, sem a qual ela perde o seu significado. (...) O segredo da vida não se encontra na própria vida, que deve ser mantida com todo cuidado: é preciso renunciar a si para dar-se a alguém. Se a vida quer se encontrada deve ser perdida no ato da liberdade que concorda com ela como a uma graça e a uma promessa".  
(Tradução Zenit)

segunda-feira, 10 de novembro de 2014

Se quiseres a paz, preserva a criação




 O ano de 2014 trouxe à região sudeste do Brasil a experiência da seca. Se não chover o suficiente no próximo verão estamos na iminência de enfrentar uma situação calamitosa. Todos acompanham com preocupação os níveis das represas que abastecem a capital paulistana, e alguns municípios circunvizinhos que já estão sem água.

Tenho pensado em nossos irmãos da região nordeste que sofrem há décadas com esta carência hídrica. Eles, com recursos bem mais escassos que nós, lutam para sobreviver e para levarem adiante suas famílias.

Contudo, há um ensinamento divino em todas as situações pelas quais passamos. Neste, específicamente, a consciência do enorme bem que é a água, e o quanto dependemos dela.

O Papa Bento XVI, em sua mensagem por ocasião do Dia Mundial da Paz de 2010, alertava:
“Pode-se porventura ficar indiferente perante as problemáticas que derivam de fenômenos como as alterações climáticas, a desertificação, o deterioramento e a perda de produtividade de vastas áreas agrícolas, a poluição dos rios e dos lençóis de água, a perda da biodiversidade, o aumento de calamidades naturais, o desflorestamento das áreas equatoriais e tropicais? Como descurar o fenômeno crescente dos chamados «prófugos ambientais», ou seja, pessoas que, por causa da degradação do ambiente onde vivem, se vêem obrigadas a abandoná-lo – deixando lá muitas vezes também os seus bens – tendo de enfrentar os perigos e as incógnitas de uma deslocação forçada? Com não reagir perante os conflitos, já em ato ou potenciais, relacionados com o acesso aos recursos naturais? Trata-se de um conjunto de questões que têm um impacto profundo no exercício dos direitos humanos, como, por exemplo, o direito à vida, à alimentação, à saúde, ao desenvolvimento”.

A verdade é que esta consciência de preservação dos bens naturais não é um discurso dos tempos pós modernos, mas um preceito divino:
“A harmonia descrita na Sagrada Escritura entre o Criador, a humanidade e a criação foi quebrada pelo pecado de Adão e Eva, do homem e da mulher, que pretenderam ocupar o lugar de Deus, recusando reconhecer-se como suas criaturas. Em consequência, ficou deturpada também a tarefa de «dominar» a terra, de a «cultivar e guardar» e gerou-se um conflito entre eles e o resto da criação (cf. Gn 3,17-19). O ser humano deixou-se dominar pelo egoísmo, perdendo o sentido do mandato de Deus, e, no relacionamento com a criação, comportou-se como explorador pretendendo exercer um domínio absoluto sobre ela. Mas o verdadeiro significado do mandamento primordial de Deus, bem evidenciado no livro do Gênesis, não consistia numa simples concessão de autoridade, mas antes num apelo à responsabilidade”.
 
Bento XVI apelava para a solidariedade entre as gerações, que cientes dos danos causados à natureza não deveriam transferir a conta para as gerações seguintes:
“Herdeiros das gerações passadas e beneficiários do trabalho dos nossos contemporâneos, temos obrigações para com todos, e não podemos desinteressar-nos dos que virão depois de nós aumentar o círculo da família humana. A solidariedade universal é para nós não só um fato e um benefício, mas também um dever”.

Ele afirma ainda:
Se quiseres cultivar a paz, preserva a criação. A busca da paz por parte de todos os homens de boa vontade será, sem dúvida alguma, facilitada pelo reconhecimento comum da relação indivisível que existe entre Deus, os seres humanos e a criação inteira”.

A nossa situação atípica de estiagem precisa ser enfrentada com responsabilidade e solidariedade. O esforço em economizar água é também uma atitude cristã de boa gestão dos bens que Deus nos concedeu. É também uma boa oportunidade de agir com compaixão com aqueles cuja existência é marcada pela dificuldade em ter o básico para viver.
Malu

terça-feira, 4 de novembro de 2014

A esperança da família




 Após o Sínodo dos Bispos, que tratou da questão da família e de suas dificuldades nos dias de hoje, surgiram discussões sobre aquilo que foi considerado importante para a reintegração dos divorciados recasados, e dos homossexuais na Igreja.
Segue então uma destas discussões bem pertinentes.

Cardeal Müller, Dom Negri, Dom Melina e Constance Miriano juntos na mesa redonda organizada pela Universidade para falar sobre família, fé e matrimônio

Por Massimo Nardi
ROMA, 22 de Outubro de 2014 (Zenit.org) - A primeira fase do Sínodo terminou e agora é o momento das reflexões pós-sinodal, cuja tarefa é traduzir no tecido vivo da comunidade dos fiéis as instancias que emergiram durante a assembleia religiosa.

Testemunho da fecundidade das idéias que emergiram do Sínodo foi a mesa redonda "A esperança da família - O Sínodo e depois", realizada em 21 de outubro, na UER- Universidade Europeia de Roma-, no âmbito dos encontros organizados pelos "Círculos Culturais João Paulo II".

A mesa redonda foi introduzida por Antonio Gaspari, diretor editorial de Zenit, que, após as saudações habituais, apresentou os renomados palestrantes: Cardeal Gerhard Ludwig Müller, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé; Dom Luigi Negri, Arcebispo de Ferrara-Comacchio, presidente da Fundação Internacional João Paulo II para o Magistério da Igreja; Dom Livio Melina, presidente do Pontifício Instituto João Paulo II para Estudos sobre Matrimônio e a Família. A única presença leiga feminina foi Miriano Constance, jornalista e escritora.

O encontro nasceu do livro-entrevista com o Cardeal Müller, intitulado "A esperança da família", publicado pela Edizioni Ares, que vai além da necessidade de esclarecer mal-entendidos que rodearam o Sínodo.

"Um dos pontos centrais do texto – explicou o cardeal - é o tema da Fé. Vivemos em uma época de secularismo e incredulidade que têm enfraquecido a noção sacramental." O cardeal citou a encíclica Lumen Fidei do Papa Francisco, dedicada ao tema da Fé e a Constituição Pastoral Gaudium et Spes, um dos documentos mais importantes do Concílio Vaticano II, que trata, entre outras coisas, da questão da dignidade do matrimônio e da família.

O cardeal leu uma passagem do prefácio de seu livro, escrito pelo Cardeal Fernando Sebastián: "No sacramento do matrimônio os fiéis cristãos, homens e mulheres, celebram com a Igreja a fé no amor de Deus presente e operante neles como membros da Igreja e colaboradores de Deus na multiplicação da humanidade e da Igreja de salvação."

Ao intervir, a jornalista Constance Miriano começou com uma afirmação relacionada à sua experiência como mãe e suas crenças católicas: "Tudo bem misericórdia para com os divorciados, mas é preciso dá-la também às crianças. Deles se fala pouco, mas são as primeiras vítimas quando os pais seguem caminhos diferentes."

A escritora explicou que a sua atividade a leva a encontrar muitas famílias, e isso reforçou sua crença de que "a moral cristã não é comparável a burguesa"; esta última constrói sua "catequese" baseada em modelos de televisão e filme: modelos que geram decepção. "O verdadeiro amor é fundado em Cristo e a 'realfabetização' do amor pertence à Igreja."

Depois, tomou a palavra Dom Melina, que agradeceu Müller pelo livro e pela coragem que demonstrou, e lembrou um conceito do bem-aventurado Papa Paulo VI: a Igreja não inventa sua doutrina, mas é sua intérprete e guardiã. "A quem nos chama a reconsiderar os princípios da fé para torná-la mais adaptável aos nossos tempos - disse o prelado - a Igreja só pode responder: "Non possumus”. "Nós não podemos!"

"O Cardeal Müller- continuou- argumenta o vínculo indissociável entre a verdade e a prática. A doutrina se tornaria abstrata e prática arbitrária, se a Igreja fizesse a temporada de desconto”. "A misericórdia não pode ser uma ferramenta para resolver as dificuldades contingentes: os pais se preocupam em educar, mesmo que às vezes obrigados a dizer coisas que, naquele momento, não agradam os filhos”.
  
Dom Luigi Negri agradeceu ao cardeal pelo livro, que descreveu como "sugestivo e propositivo para o futuro”. "A crise do nosso tempo - disse - coincide com a crise da família, que expressa a crise do homem contemporâneo: A fragmentação inexorável da vida num contexto de conflitos de opinião. Diminuindo o empenho do homem contra seus instintos, a realidade é reduzida a um conjunto de objetos manipulados de acordo com as regras de natureza tecnológica, desaparecendo o sentido do mistério". O bispo citou o filósofo Jacques Maritain, segundo o qual "a modernidade é a luta desmotivada e ideológica entre a razão e o mistério."

Dom Negri continuou, afirmando que o "novo" de hoje é baseado em um conceito já falido, em uma revolução antropológica que, tendo demonstrado a sua inconsistência, não pode ser tomado como uma ferramenta para a inovação. No livro de Müller, a experiência do matrimônio é, ao invés, uma autêntica experiência de vida nova, onde o amor cristão é a expressão de um amor humano baseado na “gratuidade" e não na "conveniência" (e aqui Dom Negri citou Caritas in Veritate de Bento XVI para um repensar do sistema econômico global).

"A semente de uma vida nova - concluiu o Arcebispo de Ferrara - deve ser educada sobre a base da fé de acordo com o pensamento de Deus e não do mundo. O futuro é nosso, na medida em que somos capazes de ler a vocação cristã em sua profundidade."

Para finalizar a noite, o Reitor da Universidade Luca Gallizia L.C expressou seu especial agradecimento por esta oportunidade de reflexão: "Uma reflexão que vai continuar ao longo do ano. Enquanto a nossa primeira tarefa continua sendo a oração a fim que o Espírito Santo conduza a Igreja."

terça-feira, 28 de outubro de 2014

Há um plano que rege os cosmos




"Que lucro tem o ser humano em todo o duro trabalho com que se cansa debaixo do sol? Uma geração vai, outra geração vem, e a terra permanece sempre a mesma. O sol se levanta, o sol se põe, e se apressa para voltar ao seu lugar de onde volta a sair. O vento vai para o sul, gira para o norte, gira e gira, e assim vai o vento. Todos os rios correm para o mar, e o mar não se enche; quando chegam ao lugar para onde correm, daí voltam a correr".  (Ecl 1, 1-7)

A natureza é uma escola de sabedoria, obediência e eficiência. Sabedoria, porque por trás de todos as etapas, ciclos, estações e  processos, torna-se evidente que há um plano superior e divino que rege todo o cosmos. Obediência, porque é no cumprimento perfeito deste plano que surgem os frutos, as flores, o alimento, a água, o ar, os climas, a vida. Eficiência, porque onde há sabedoria e obediência encontra-se a paz.

Qual o sentido de toda a fadiga de uma vida que se consome através dos anos, e que inevitavelmente passará, às vezes sem nem mesmo deixar uma lembrança? Tudo passa, os dias, os anos, as idades, o tempo, a beleza, a saúde, os frutos dos bens, a fama, as descobertas, as novidades; não existe nada estável debaixo do sol, segundo o livro do Eclesiastes.

Há alguns anos havia uma propaganda de freios automotivos que dizia: "O poder sem controle não é nada".
Não é disso que o livro do Eclesiastes fala, afinal? 

A vida de um ser humano é um leque de possibilidades. Quantos talentos capazes de tornar um homem uma lenda, um ícone, um herói. E também, quanto desvio e deformidade social pode acontecer à partir de um talento usado para o mal... Somos o resultado de nossas escolhas.

Mas, olhando a vida na perspectiva do Eclesiastes, vale a pena algo, se tudo passa, nada é para sempre, nada podemos conservar, pois tudo escapa de nossas mãos? Sim, vale, porque não somos o resultado do acaso. Não somos paisagem, ou plano de fundo. Há um desígnio para nós. ALGUÉM nos escolheu para que déssemos à paisagem uma finalidade, um sentido, um propósito. Fomos criados à imagem e semelhança do Criador do universo, Àquele que determinou os tempos e as formas de tudo o que é.

Eu e você não estamos só de passagem, estamos buscando o que não passa, mesmo que nos fujam as coisas, a idade, a saúde, a beleza e o vigor. Fomos chamados à vida para conferirmos cor e sabor por onde quer que andemos. E se o fizermos, no espírito sempre de acrescentar e não diminuir, estaremos consolidando o plano do Pai. Onde pusermos amor, colheremos amor.

Deus nos deu a vida, e o plano de fundo dela. Se soubermos amar esta vida com o que ela nos dá hoje, sorrisos ou lágrimas, certos de que tudo concorre para o bem daqueles que amam a Deus, nós jamais seremos apenas paisagem, mas estaremos conquistando nosso lugar no coração de Deus que é morada eterna. E só é eterno aquilo que não passa: DEUS.

Malu

quarta-feira, 22 de outubro de 2014

A terapia do elogio





Renomados terapeutas que trabalham com famílias, divulgaram uma recente pesquisa onde se nota que os membros das famílias brasileiras estão cada vez mais frios: não existe mais carinho, não valorizam mais as qualidades, só se ouvem críticas. As pessoas estão cada vez mais intolerantes e se desgastam valorizando os defeitos dos outros. Por isso, os relacionamentos de hoje não duram. 

A ausência de elogio está cada vez mais presente nas famílias de média e alta renda. Não vemos mais homens elogiando suas mulheres ou vice-versa, não vemos chefes elogiando o trabalho de seus subordinados... não vemos mais pais e filhos se elogiando, amigos... etc. Só vemos pessoas fúteis valorizando artistas, cantores... pessoas que usam a imagem para ganhar dinheiro e que, por consequência, são pessoas que tem a obrigação de cuidar do corpo, do rosto. Essa ausência de elogio tem afetado muito as famílias. A falta de diálogo em seus lares, o excesso de orgulho impede que as pessoas digam o que sentem e levam essa carência para dentro dos consultórios. Vamos começar a valorizar nossas famílias, amigos, alunos, subordinados.

Vamos elogiar o bom profissional, a boa atitude, a ética, a beleza de nossos parceiros ou nossas parceiras, o comportamento de nossos filhos. Vamos observar o que as pessoas gostam. O bom profissional gosta de ser reconhecido, o bom filho gosta de ser reconhecido, o bom pai ou a boa mãe gostam de ser reconhecidos, o bom amigo quer se sentir querido, a boa dona de casa valorizada, a mulher que se cuida, o homem que se cuida, enfim vivemos numa sociedade em que um precisa do outro. É impossível uma pessoa viver sozinha, e os elogios são a motivação na vida de qualquer pessoa. Quantas pessoas você poderá fazer felizes hoje elogiando de alguma forma?
Arthur Nogueira, psicólogo

segunda-feira, 13 de outubro de 2014

Colheremos o que plantarmos


" Não vos enganeis: de Deus não se zomba. O que o homem semeia, isto mesmo colherá. Quem semear na carne colherá corrupção; quem semear no espírito, do espírito colherá a vida eterna. Não nos cansemos de fazer o bem, porque a seu tempo colheremos, se não relaxarmos. Por isso, enquanto temos tempo, façamos o bem a todos os homens, mas particularmente aos irmãos na fé".
 São Paulo aos Gálatas, capítulo 6, versículos de 7 a 10

O homem deve crescer, desenvolver-se e amadurecer. Se isto não acontece, ele está morto. Assim como deve crescer e desenvolver-se fisicamente, o mesmo deve acontecer com o amadurecimento espiritual e moral.

Infelizmente, porém, o desenvolvimento moral e espiritual nem sempre acompanham o físico. No mundo de hoje, e na atual concepção dos valores, acontece cada vez mais que um homem ponha de lado o próprio desenvolvimento moral e espiritual, para centrar-se apenas no físico e material. Este é o motivo por que se encontram com mais frequência pessoas que são, espiritual e moralmente, senão mortas, ao menos atrofiadas e imaturas.

Quanto mais possuem, tanto maior se torna o perigo de esquecerem o próprio desenvolvimento moral. É realmente uma sorte quando os homens aceitam o bem estar material como suporte de desenvolvimento moral e espiritual. Quando isto não se verifica surgem perigos humanos de todo o tipo. O homem já não se encontra disponível aos valores espirituais e perde assim o próprio aspecto.

A terra precisa ser trabalhada se queremos frutos. Uma terra descuidada transforma-se em sepultura até para a melhor semente. O mesmo acontece com o coração. Precisa-se lutar com convicção, extirpar cada raiz de egoísmo, de orgulho, de preguiça e, junto com as raízes, também os maus hábitos. 

Seria oportuno purificar o coração daqueles laços que nos prendem a este mundo e nos tornam escravos. Trata-se pois de um compromisso radical, duradouro, isto é, diário. Quem não age desta maneira não é aberto ao espírito, e os seus dons não podem enraizar-se nem crescer nele. Essa tarefa deve ser realizada com amor; sem amor não pode crescer a planta do espírito. Eis porque a formação se parece ao trabalho das lavouras: limpar, extirpar as ervas daninhas, cultivar plantar em profundidade, regar colher. Nem sempre é fácil; são indispensáveis conhecimento, tempo, amor, experiência, bom senso e ajuda dos outros.
Pe. Slavko Barbaric, OFM

Tempo e esforço, o binômio de toda obra bem sucedida. Nunca é tarde para começar...

segunda-feira, 6 de outubro de 2014

Comunicar a beleza da família


"Comunicar a família: ambiente privilegiado do encontro na gratuidade do amor": este é o tema que o papa Francisco escolheu para a 49ª Jornada Mundial das Comunicações Sociais, em 2015.

O tema da Jornada Mundial das Comunicações Sociais deste ano segue a linha escolhida no ano passado e, ao mesmo tempo, entra no âmbito central dos dois próximos sínodos: a família.

A nota informativa, distribuída pela Sala de Imprensa do Vaticano, recorda que "a crônica cotidiana narra as dificuldades pelas quais a família passa atualmente" e observa que, com frequência, "as mudanças culturais não ajudam a entender o grande bem que a família é".

São João Paulo II menciona em sua encíclica Familiaris Consortio: "As relações entre os membros da comunidade familiar são inspiradas e guiadas pela lei da 'gratuidade', que, respeitando e favorecendo em todos e em cada um a dignidade pessoal como único título de valor, se torna acolhimento cordial, encontro e diálogo, disponibilidade desinteressada, serviço generoso e solidariedade profunda".

A este propósito, colocam-se algumas questões: "Como podemos dizer hoje, ao homem ferido e desiludido, que o amor entre um homem e uma mulher é algo muito bom? Como fazer com que os filhos experimentem que são um dom precioso? Como levar calor ao coração da sociedade ferida e cansada de tantas desilusões amorosas, e dizer-lhe ‘coragem, vamos recomeçar’? Como explicar que a família é o primeiro e mais significativo ambiente em que se experimenta a beleza da vida, a alegria do amor, a doação gratuita, a consolação do perdão dado e recebido, e onde se começa a encontrar o outro?".

O comunicado prossegue dizendo que a Igreja deve aprender de novo a explicar que a família é um dom enorme, bom e belo. "Ela é chamada a dizer que a gratuidade do amor, oferecida pelos esposos, aproxima todos os homens de Deus e é uma tarefa entusiasmante".

A Jornada Mundial das Comunicações Sociais, recorda o comunicado, é a única jornada mundial estabelecida pelo Concílio Vaticano II. É celebrada em muitos países, por recomendação dos bispos, no domingo anterior à festa de Pentecostes (17 de maio, no caso de 2015).  A mensagem do Santo Padre para a Jornada Mundial das Comunicações Sociais é publicada tradicionalmente na festividade de São Francisco de Sales, padroeiro dos jornalistas, em 24 de janeiro.

Por Zenit

segunda-feira, 29 de setembro de 2014

A armadura de batalha


"O príncipe Eugênio de Savóia (1663-1736), brilhante e vitorioso general de campo das forças católicas contra os exércitos invasores muçulmanos da Europa Central, estava diante de uma batalha grande e decisiva. Devo salientar que eram homens destemidos, e não como se costuma dizer em alemão: "irmãozinhos de reza", sempre com um livro de reza debaixo do braço, mas de resto sem muita iniciativa para enfrentar a vida. Não, não eram assim os homens de guerra, homens que enfrentaram pesadas batalhas. Assim entraram na história como heróis. Não eram tipos prepotentes, tinham o costume de dirigir-se à Mãe de Deus para pedir auxílio, no silêncio e a sós, antes de se pôr na frente da linha de batalha.

O príncipe Eugênio, o nobre cavalheiro... assim se canta na conhecida canção!... A história relata: quando os soldados o viam, enrolado no manto militar, com o capuz sobre a cabeça, em silêncio andando para lá e para cá, com o terço na mão, diziam entre si: 'amanhã vai começar encrenca...amanhã certamente teremos batalha grande e decisiva!' O Príncipe Eugênio era de baixa estatura. Por isso os subordinados chamaram-no de o Pequeno - o Capuchinho, e diziam: ' de novo com o capuz sobre a cabeça, puxando o rosário do bolso... está se armando algo... amanhã vai começar a batalha.'

O que isso tudo quer dizer? O rosário é uma armadura de batalha, com todo o significado desta expressão. O Príncipe Eugênio se prepara para o grande golpe contra o inimigo. Com que se prepara? Prepara-se com a reza do terço! Sempre ganhou as batalhas. De fato foi um grande general do Rosário... O pequeno capuchinho tinha o capuz sobre a cabeça e o rosário na mão.

Conta-se também que o notável e santo sacerdote Clemente Maria Hofbauer, redentorista (1751-1820), tinha o costume de dizer, quando chamado ao leito de morte de um pecador endurecido, que não queria saber de conversão: 'se eu tiver tempo para ainda rezar o terço, ganharei qualquer batalha, levarei qualquer pecador de volta para Deus'. 

Apliquemos tudo isso para a nossa situação: agora sou eu o pequeno capuchinho... A minha esposa foi abençoada com um novo filho e espera o seu nascimento, e estou preocupado... Fazer o que agora? O general do Rosário faria o quê? Conhecemos a resposta...Ou os meus filhos estão diante dos exames e provas... Ou mesmo estou procurando um novo emprego, estou em grandes apuros financeiros... preciso construir uma casa... O que faz a essa altura o General do Rosário? Seguremos o rosário nas mãos. Ele é o nosso breviário de família e, ao mesmo tempo, a armadura de luta em todas as situações.

O rosário é de fato uma armadura de batalha. A armadura de batalha, o equipamento 'bélico-espiritual'... O que o rosário significa para nós? Eis uma grande verdade que queria dizer-lhes: para nós o rosário é uma grande armadura para as batalhas espirituais.

Vejam o valor do rosário. De fato é uma armadura! Com esta também ganharemos qualquer batalha, só é preciso rezá-lo!"

O texto acima, de autoria do Pe. José Kentenich, extraído do livro "O Rosário", é um  trecho de palestras que foram proferidas pelo sacerdote alemão para famílias norte americanas. Com muita convicção, Pe. Kentenich apresenta uma série de situações concretas, onde a oração do terço se mostra uma arma poderosa contra o mal e os perigos. Quem já fez a experiência de rezá-lo com perseverança, fé e devoção tem outras tantas histórias de prodígios alcançados pela sua recitação.

O rosário é, embora sendo tão singelo, o grande meio para fazer de nós grandes espíritos, vigorosos lutadores e destemidos vencedores.

domingo, 21 de setembro de 2014

Bíblia aberta, cartilha de oração!


A Bíblia tem autores. Ela não caiu do céu pronta e não foi um livro que o Anjo lançou do céu, como alguns dizem
Por Pe. Reginaldo Manzotti
 A Palavra de Deus é fundamental e muitas vezes a vemos como algo passivo diante de nós. Mas é o contrário. Na vida espiritual, Ela tem um movimento ativo, pois vem de Deus, é absorvida pelo nosso coração e produz a mudança. A Palavra de Deus transforma de forma ativa, renovadora e santificadora.
Conhecer a Palavra é conhecer o próprio Cristo. E é importante ressaltar que o autor da Bíblia é Deus. Através dela, Deus revela divinamente os seus pensamentos, com a assistência do Espírito Santo.

Sim, a Bíblia tem autores. Ela não “caiu do céu pronta” e não foi um livro que o Anjo lançou do céu, como alguns dizem. Pessoas inspiradas pelo Espírito Santo escreveram-na.
O Espírito Santo inspirou a redação, dando aos escritores faculdades e capacidades para que pudessem transcrever aquilo que era da vontade de Deus. Assim, os livros inspirados por Ele, escritos por homens, numa linguagem humana, trazem a Verdade.

A Palavra de Deus é viva e, por isso, Ela age como fermento. Ela não é estática. Sempre que lemos descobrimos novos significados, embora o conteúdo seja sempre o mesmo.
A Palavra de Deus é também dinâmica. Quando comparada à realidade, faz emergir alguns pontos que talvez não tenham sido lembrados anteriormente. Por exemplo, em tempos de guerra, quando a Palavra fala de paz, ela tem um diferente significado. Na atualidade, diante de tantos casos de corrupção, quando a Palavra que fala de solidariedade, igualdade e honestidade tem um peso muito maior. Por isso mesmo, a leitura da Bíblia precisa ser estudada, meditada e entendida.

É importante entender a Palavra de Deus partindo do princípio que aquilo que estamos lendo é o Pai falando aos homens, com uma linguagem própria para eles. Lembre-se: a Bíblia não é um romance, uma novela ou uma notícia de jornal. É importante saber de alguns aspectos para entendê-la melhor. Estudar sobre quando e onde aconteceu aquela passagem; quem são os personagens narrados; qual deles é o principal e quais são os secundários. Essa é uma forma de nos debruçarmos sobre a Palavra de Deus numa atitude de entendimento e oração.

São Jerônimo, o grande tradutor da Bíblia do grego para o latim, afirmou: “Desconhecer a Sagrada Escritura é ignorar o próprio Cristo”. Madre Teresa de Calcutá também disse: “A Palavra de Deus é Deus que nos fala, para que nós calemos a nossa voz e escutemos a sua lei”. E São Francisco nos ensinou: “Pregue sempre o Evangelho e quando for necessário use palavras”.

Um dos trechos que revela o quanto a Palavra de Deus é importante para a nossa vida está na Segunda Carta a Timóteo: “Toda Escritura é inspirada por Deus e é útil para ensinar, para refutar, para corrigir, para educar na justiça, a fim de que o homem de Deus seja perfeito, preparado para toda boa obra”. (2Tm 3, 16-17)
Termino este artigo lembrando as palavras de Santo Isidoro: “Quando rezamos falamos com Deus, quando lemos a Sagrada Escritura, Deus fala conosco”. Por isso, lembre-se sempre: Bíblia aberta, cartilha de oração! Evangelizar é preciso!

Padre Reginaldo Manzotti é coordenador da Associação Evangelizar é Preciso – Obra sem fins lucrativos, benfeitora nacional, que utiliza dos meios de comunicação para evangelização – e pároco reitor do Santuário Nossa Senhora de Guadalupe, em Curitiba (PR). Apresenta diariamente programas de rádio e TV que são retransmitidos e exibidos em parceria com milhares de emissoras no país e algumas no exterior.

sexta-feira, 12 de setembro de 2014

"Padre, o que você acha da comunhão aos divorciados que voltaram a casar?"


Um sacerdote responde às dúvidas e perguntas de alguns paroquianos sobre o tema de grande atualidade, à luz do Magistério da Igreja
Por Pe. Antonio Grappone
ROMA, 11 de Setembro de 2014 (Zenit.org)

O divorciados recasados não podem receber a comunhão porque são mais pecadores do que os outros?
Não, o problema é a dimensão pública: o divorciado recasado vive publicamente em contradição com o sacramento do matrimônio. Todos os sacramentos, e a Comunhão em especial, manifestam (tornam pública) a plena adesão à Cristo e à Igreja; o divorciado recasado de fato nega publicamente esta comunhão, independentemente das intenções subjetivas que tenha, porque vive em contradição com o sacramento que ele mesmo, livremente, celebrou: esta contradição depende exclusivamente dos seus comportamentos e não de qualquer ação disciplinar da Igreja. Conceder os sacramentos nestas condições resultaria uma negação da missão salvífica da Igreja, que é necessariamente pública, que é necessariamente pública. Porém, isso não exclui de nenhuma forma os divorciados recasados de todos aqueles atos que não envolvam um compromisso público na comunidade cristã, nem constitui um juízo sobre o estado de sua alma.

Portanto, o sacerdote não pode absolver um divorciado recasado que se confessa?
Com certeza deve absolve-lo se o penitente decidiu viver com o novo “cônjuge” como irmão e irmã, não mais como marido e mulher, e isso também com eventuais quedas por fraqueza, porque é a intenção que conta. Além do mais deve ser absolvido também se manifesta sinais de autêntico arrependimento com relação ao segundo casamento, embora ainda não se sinta capaz de tomar a decisão acima, porque está abrindo-se à graça e, portanto, deve ser apoiado. O papel do confessor é importante: por um lado deve avaliar a força do arrependimento, por outro, com sua caridade e uma palavra esclarecedora, pode levar o pecador ao arrependimento. Os santos confessores são capazes de absolver quase sempre, não porque sejam “laxistas”, mas porque sabem suscitar a dor pelos pecados.

Os divorciados que voltaram a casar nunca mais poderão receber a comunhão?
Podem recebe-la se receberam a absolvição sacramental, como nos casos mencionados anteriormente, especialmente quando decidiram viver como irmão e irmã, por amor a Cristo, o que é desejável e totalmente possível com a ajuda da graça. Neste caso, longe de ser raro ou impossível, a sua própria relação se tranquiliza e se tornam um exemplo edificante para os próprios filhos. Para evitar criar confusão entre o povo de Deus, é importante que eles frequentem os sacramentos nas
comunidades onde a situação de divorciados recasados não seja conhecida.

O sacerdote pode negar a Comunhão a quem se apresenta publicamente para recebê-la?
Não. Só se nega a Comunhão quando haja um julgamento público que exclui a possibilidade de receber os sacramentos (excomunhão, interdito), e o sacerdote tem certeza de que não tenha sido revogada, ou também quando aquele que se apresenta para receber o faz abertamente para ridicularizar ou como desafio da comunidade cristã. Aproximar-se ou não da Eucaristia, na verdade, depende da consciência de quem comunga: um divorciado casado de novo que não se arrependeu deveria avaliar por ele mesmo a inadequação de receber os sacramentos. O sacerdote não deveria tomar o lugar da consciência dos fieis; não sabe se houve um arrependimento sério (contrição) e de qualquer forma deve evitar ferir publicamente um pessoa, uma vez que resultaria em um dano espiritual maior.

Então, o que pode fazer um sacerdote para evitar que um divorciado recasado não arrependido receba a comunhão?
De momento, nada. Se conhece a pessoa pode, na forma adequada e oportuna, instruí-lo sobre a disciplina da Igreja, que é exercício de misericórdia também quando tem que dizer não.

Que sentido faz a comunhão de um divorciado recasado não arrependido?
Não faz sentido, e é espiritualmente prejudicial. Recebemos os sacramentos para viver como filhos de Deus, na santidade, ou, pelo menos, para irmos naquela direção; não se trata de um direito subjetivo, nem serve para nos confirmar em nossas escolhas, como uma espécie de atestado de boa conduta ("o que faço de errado?"), e muito menos para atender às necessidades "místicas." Tal atitude desvaloriza os sacramentos, reduzindo a vida cristã à dimensão das misérias humanas e nada mais, e os sacramentos a um "consolo" só psicológico que cobre as feridas sem curá-las: um pietismo ilusório que termina roubando a esperança de uma vida nova.

Então, por que se criou o debate sobre a comunhão para os divorciados recasados?
Porque existem problemas reais. A causa principal deve ser reconhecida no fato incontestável de que estamos celebrando muitos matrimônio nulos: “cerimônias” na igreja, não um verdadeiro sacramento, porque os esposos, que são os celebrantes, muitas vezes, no atual contexto cultural, não amadureceram a consciência mínima do que seja o matrimônio. Bento XVI, em 2011,  apontou este problema, mas até agora foi ignorado. Assim, muitas vezes, tem-se a situação paradoxal de quem se casou na Igreja de forma só aparente e, em seguida, realizou um matrimônio civil, dessa vez sim com as intenções certas, mas, obviamente, sem a forma canônica, portanto, permanecendo excluído dos sacramentos. O recurso aos tribunais eclesiásticos hoje é a única solução, mas não deveria ser o caminho normal, o caminho da maioria! De fato, nesse caso só a lei eclesiástica impede de receber os sacramentos. A forma canônica é uma obrigação introduzida pelo Concílio de Trento para evitar os abusos de então, hoje, porém, não raro, a lei acaba estando em desacordo com a realidade. Por isso é urgente repensar toda a questão.

sexta-feira, 5 de setembro de 2014

O sim de Deus é irrevogável


"Queridos irmãos e irmãs, a nossa vida e o nosso caminho cristão são marcados muitas vezes pela dificuldade, incompreensão e sofrimento. Todos nós sabemos. No relacionamento fiel com o Senhor, em nossa oração constante, cotidiana, podemos também nós, concretamente, sentir a consolação que vem de Deus. E isso reforça a nossa fé, pois nos faz experimentar de modo concreto o “sim” de Deus ao homem, a nós, a mim, em Cristo; faz sentir a fidelidade do Seu amor, que chega até a doação de Seu Filho sobre a Cruz. Afirma São Paulo: “O Filho de Deus, Jesus Cristo, que nós, Silvano, Timóteo e eu, vos temos anunciado não foi ‘sim’ e depois ‘não’, mas sempre foi ‘sim’. Porque todas as promessas de Deus são ‘sim’ em Jesus. Por isso, é por ele que nós dizemos ‘Amém’ à glória de Deus” (2Cor 1,19-20). O “sim” de Deus não é reduzido pela metade, não está entre o “sim” e o “não”, mas é um simples e seguro “sim”. E a este “sim” nós respondemos com o nosso “sim”, com o nosso “amém” e, assim, estamos seguros no “sim” de Deus.

A fé não é primariamente uma ação humana, mas dom gratuito de Deus, que se enraíza na sua fidelidade, no seu “sim”, que nos faz compreender como viver a nossa existência amando-O, e os irmãos. Toda a história de salvação é um progressivo revelar-se desta fidelidade de Deus, apesar das nossas infidelidades e nossas negações, na certeza de que “os dons e o chamado de Deus são irrevogáveis”, como declara o Apóstolo na Carta aos Romanos (11,29).

Sobre o “sim” fiel de Deus, é unido o “amém” da Igreja que ressoa em cada ação da liturgia: “Amém” é a resposta da fé que conclui sempre a nossa oração pessoal e comunitária. E que expressa o nosso “sim” à iniciativa de Deus. Geralmente, respondemos por hábito com o nosso “Amém” na oração, sem compreender seu significado profundo. Este termo deriva do ‘aman’ que, em hebraico e em aramaico, significa “estabilizar”, “consolidar” e, consequentemente, “estar certo”, “dizer a verdade”. Se olharmos na Sagrada Escritura, vemos que este “amém” é dito no fim dos Salmos de benção e louvor, como por exemplo, no Salmo 41: “Vós, porém, me conservareis incólume, e na vossa presença me poreis para sempre. Bendito seja o Senhor, Deus de Israel, de eternidade em eternidade! Assim seja! Amém!” (vv. 13-14). Ou expressa adesão a Deus, no momento em que o povo de Israel retorna cheio de alegria do exílio babilônico e diz o seu “sim”, o seu “amém” a Deus e a sua Lei. No Livro de Neemias se narra que, depois deste retorno, “Esdras abriu o livro (da Lei) à vista do povo todo; ele estava, com efeito, elevado acima da multidão. Quando o escriba abriu o livro, todo povo levantou-se. Esdras bendisse o Senhor, o grande Deus; ao que todo o povo respondeu levantando as mãos: ‘Amém! Amém!’”(Nee 8,5-6).

Queridos amigos, a oração é o encontro com uma Pessoa viva a se escutar e com quem dialogar; é o encontro com Deus que renova sua fidelidade inabalável, o seu “sim” ao homem, a cada um de nós, para doar-nos a sua consolação em meio às tempestades da vida e nos fazer viver, unidos a Ele, uma existência plena de alegria e de bem, que encontrará o seu cumprimento na vida eterna".

Palavras do Papa Emérito Bento XVI em maio de 2012 por Zenit

sexta-feira, 29 de agosto de 2014

Oração e trabalho


http://www.stpeterslist.com/wp-content/uploads/2012/12/Angelus-640x531.jpg

"Não há verdadeira oração, se também a mão não estiver de acordo. Oração, portanto, e trabalho. Trabalho que procede da oração.
A semente, para produzir frutos, em primeiro lugar deve ser boa, viva e vital; depois deve ser enterrada numa profundidade conveniente, para que as raízes possam absorver o alimento; e por cima se coloca terra boa, adubo e água...
O significado é claro: devemos viver e ser fontes de vida pela nossa santidade; ser profundamente humildes.
Se falam contra nós, se somos caluniados, se sofremos, até mesmo por causa de pessoas mais consideradas, esperemos na oração e doação generosa a intervenção de Deus...Nada nos deve parar...e esperemos! Até que o Senhor faça chegar a hora. O prêmio virá na vida futura, o paraíso, que é lindo e eterno".

Pe. Tiago Alberione  _ do livro "Pensamentos"

Quando recebemos o Sacramento do Batismo, abrem-se as portas das graças que poderão nos conduzir à santidade. A busca pela santidade não é facultativa, não é opcional, mas uma ordem a todo batizado: "Sede santos como o Pai é Santo". ( Mt 5,48)

Pe. Alberione, no seu pensamento acima, vem afirmar que a santidade só é possível com oração transformada em ação, e ação que procede da oração. Sim, porque entre a oração que vai se transformar em ação, podemos nos desvirtuar e acreditar que somos o máximo, que podemos muito bem conduzir nosso trajeto para a santidade. Quanta ilusão e insensatez...Somos servos inúteis, apenas cumprimos o nosso dever! (Lc 17,10) 

Utilizando a alegoria do semeador, Pe. Alberione quer dizer que precisamos passar por várias situações, nem sempre agradáveis, até que nossa oração se torne obra, e boa obra. Mesmo que incompreendida, se ela procede do nosso anseio pela santidade, já valeu. O fruto, os méritos, esses são de Deus. A nós cabe rezar e trabalhar, e que nada nos detenha, que nada impeça a vocação que foi escolhida para nós. Vale muito à pena. Vale à pena desde agora, porque Deus trabalha para quem trabalha por Ele, como diz o banner logo ali ao lado.

Esperemos tudo de Deus, mas operemos como se tudo dependesse de nós! Essa é a fórmula.