
Cidade do Vaticano (Segunda-feira, 25-06-2018, Gaudium Press)
Para o Papa Francisco, quando se fala de vida humana é preciso
considerar a qualidade ética e espiritual da vida em todas as suas
fases: desde a concepção até a morte.
Mas não só a vida biológica: existe a
vida eterna, existe a vida que é família e comunidade, existe a vida
humana frágil e doente, ofendida, marginalizada, descartada. Tudo isso "é sempre vida humana", reiterou o Papa.
Homenagem
No início do seu discurso, o Pontífice
agradeceu publicamente o empenho e a dedicação do Cardeal Elio Sgreccia,
um dos maiores especialistas em bioética do mundo e presidente da
Pontifícia Academia para a Vida no passado. Hoje, este cargo é ocupado
pelo arcebispo Vincenzo Paglia.
Narcisismo: uma síndrome
Em suas palavras o Papa fez uma pergunta e criou uma metáfora para melhor ser entendido:
"Quando entregamos as crianças à
privação, os pobres à fome, os perseguidos à guerra, os idosos ao
abandono, não fazemos nós mesmos o trabalho ‘sujo' da morte?", foi a
pergunta que o Papa fez aos que o ouviam, mas que servia de
questionamento também para quem não estava na Sala.
Afirmou o Pontífice que, excluindo o outro do nosso horizonte, a vida se fecha em si mesma e se torna bem de consumo. Como Narciso, afirmou, nos tornamos homens e mulheres-espelho, que veem somente a si mesmos e nada mais. É por isso que é preciso ter uma visão global da bioética.
Para Francisco, existe a necessidade de a
bioética contemplar também um discernimento meticuloso das complexas
diferenças fundamentais da vida humana: do homem e da mulher, da
paternidade, da maternidade, a fraternidade, a doença, o envelhecimento,
a violência e guerra.
Bioética: defender com paixão embrião e os que já nasceram
Para Francisco, a sacralidade da vida
embrional deve ser defendida com a mesma paixão que a sacralidade da
vida dos pobres que já nasceram.
A bioética global, portanto, requer um
discernimento profundo e objetivo da valor da vida pessoal e
comunitária, que deve ser protegida e promovida também nas condições
mais difíceis.
Todavia, observou o Papa, a
regulamentação jurídica e a técnica não são suficientes para garantir o
respeito à dignidade da pessoa.
Mas Francisco alerta que a perspectiva
de uma globalização que tende a aumentar a aprofundar as desigualdades
pede uma resposta ética a favor da justiça.
Por isso, conclui o Pontífice, é que
torna-se importante estar atentos a fatores sociais e econômicos,
culturais e ambientais que determinam a qualidade de vida da pessoa
humana.
Vida humana: destino final, para além da morte
Por fim, é preciso se interrogar mais profundamente sobre o destino último da vida.
"A vida do homem, encantadora e frágil,
remete além de si mesma: nós somos infinitamente mais daquilo que
podemos fazer para nós mesmos."
A sabedoria cristã, concluiu o Papa,
deve reabrir com paixão e audácia o pensamento do destino do gênero
humano à vida de Deus, que prometeu abrir ao amor da vida além da morte.
(JSG)