sábado, 3 de junho de 2023

segunda-feira, 29 de maio de 2023

O dia em que a Mãe da Igreja completou a Praça de São Pedro


REDAÇÃO CENTRAL, 29 Mai. 23 / 07:00 am (ACI).- A Igreja celebra hoje, segunda-feira após Pentecostes, a memória da Bem-aventurada Virgem Maria, Mãe da Igreja, estabelecida pelo papa Francisco no início de 2018, invocação mariana cuja imagem completou a Praça de São Pedro em 1981.

Conforme recordado em artigo do site do Opus Dei, em um relato publicado por L’Osservatore Romano em 2011, o arquiteto Javier Cotelo contou sobre a construção do mosaico dedicado a Maria “Mater Ecclesiae”, que se encontra no topo da fachada do braço avançado do Palácio Apostólico e remete também à relação entre são João Paulo II e a Virgem Maria.

No texto, Cotelo admitiu que teve “o privilégio de viver de perto os antecedentes dessa decisão, que põe em evidência duas características” de João Paulo II, “a sua particular relação com os jovens e o seu sentido de agradecimento”.

Como relatou, na Semana Santa de 1980, João Paulo II recebeu em uma audiência milhares de jovens que participavam do Fórum UNIV, encontro internacional de universitários que frequentam Centros do Opus Dei em todo o mundo.

Naquela ocasião, “um dos jovens, chamado Julio Nieto, comentou ao papa que, depois de observar as imagens da Praça de São Pedro, tinha notado que faltava uma de Nossa Senhora e que, portanto, a praça estava incompleta”. Diante disso, João Paulo II respondeu: “Bem, muito bem! Temos que completar a praça”.

Javier Cotelo disse que “este diálogo chegou aos ouvidos de dom Álvaro del Portillo, sucessor de são Josemaria Escrivá à frente do Opus Dei”, o qual, “movido pelo desejo de pôr em prática, sem demora, o que considerava um desejo do Santo Padre, pediu-me para pensar num lugar e numa solução para colocar, na praça, uma imagem de Nossa Senhora, acrescentando que se poderia pôr sob a invocação de Mater Ecclesiae”.

“Após várias semanas e depois de várias visitas à praça para encontrar alternativas, apresentei a dom Álvaro uma possível solução, com as correspondentes fotomontagens e desenhos: substituir uma janela, na esquina do edifício que há entre o Cortile de São Dâmaso e a praça, por um mosaico de Nossa Senhora”.

Este projeto foi enviado ao papa em 27 de junho de 1980, mas se passaram vários meses sem respostas. Por isso, “voltou-se a enviar ao Santo Padre uma cópia do material, através do então secretário do papa, cardeal Stanislaw Dziwisz”.

O arquiteto recordou que meses depois João Paulo II sofreu o atentado na Praça de São Pedro, ao qual sobreviveu, “como ele próprio dizia, graças à proteção de Maria Santíssima”.

“Em sinal de agradecimento, quis que se colocasse uma imagem de Nossa Senhora na Praça de São Pedro. Devido a esse encargo do Romano Pontífice, aquela proposta de dom Álvaro foi submetida à apreciação das autoridades competentes do Vaticano e foi escolhido esse lugar como sede da Mater Ecclesiae”, recordou.

Segundo o arquiteto, o mosaico é “inspirado na Madonna della colonna que procedia da basílica constantiniana” e foi instalado no dia 7 de dezembro de 1981, tendo sido abençoado pelo papa João Paulo II no dia seguinte, após a oração do Ângelus.

Naquela ocasião, o papa manifestou o desejo de “que todos os que venham a esta Praça de São Pedro, elevem o olhar para Ela para Lhe dirigir, com sentimento de filial confiança, a sua própria saudação e a sua própria oração”.

“Muitas vezes pensei neste acontecimento como uma pequena demonstração da relação especial de João Paulo II com os jovens; não deixa de ser surpreendente que aquele ‘temos que completar a praça’ que o papa tinha dito a um universitário um ano e meio antes, se tornasse então realidade”, afirmou Javier Cotelo em seu artigo.

O arquiteto lembrou ainda que em 11 de dezembro daquele mesmo ano, o papa convidou dom Álvaro Del Portillo para concelebrar a Missa em sua capela privada e tomar o café da manhã.“Desejava comunicar-lhe a alegria que lhe tinha provocado benzer a imagem da praça e agradecer-lhe a ideia para a sua colocação”, relatou.

Segundo Cotelo, o papa teve ainda o pormenor de enviar a dom Álvaro, “alguns dias depois, a cartolina com o desenho, a negro, do mosaico que se utilizou para testar a colocação das peças de cor”. Este desenho "encontra-se atualmente na sede central da prelazia do Opus Dei”, disse.

quinta-feira, 4 de maio de 2023

Deus tem um plano a teu respeito

 
 
É difícil desejar a santidade e ter que conviver com os constantes reveses e derrocadas da alma no caminho para Deus. Devemos reconhecer o nosso nada, com certeza, mas nossa humanidade as vezes desanima. Vejamos o que nos diz o Pe. Pierre Charles, SJ, a respeito desse assunto:

"Deus tem um plano a teu respeito, não rígido e cego, mas flexível como a sua graça e sinuoso como a tua inconstância; ele te espera ainda na encruzilhada dos teus caminhos, e tu podes sempre subir com ele para a luz da Ressurreição. Faltaste-lhe? São Paulo também fez o mesmo. Chamava-se então Saulo de Tarso; mas a divina misericórdia em seus planos tirou-o do erro e do pecado para transformá-lo num vaso de eleição, e é por meio desse Apóstolo dos Gentios que veio até nós a fé. Será ele um diminuído nesse plano de misericórdia?

Pecastes gravemente, publicamente e vos tornastes um objeto de escândalo? A Igreja latina crê que a Madalena não foi menos culpada, e entretanto é a única santa em cuja festa se recita o Credo na missa, o que a Igreja não faz para as Virgens nem para os Pontífices, porque a sua fé em Cristo Redentor a salvou, e porque conquistou a admiração do coração de Deus. No plano da misericórdia  não é esta penitente elevada ao plano da inocência?

Continuemos a ladainha; veremos que todos os santos foram marcados com este selo divino: São Pedro, que só receberá o rebanho depois de haver renegado o Pastor; Santo Agostinho em quem brilhará a graça preveniente (que antecede) e a solicitude do Pastor pela ovelha extraviada; São Francisco de Assis, Santo Inácio de Loiola, e todos os que voltaram, como o pródigo, não para serem admitidos entre os servos, mas para revestirem a túnica principal - stolam primam.

Aqueles que Deus ressuscita, cura-os não somente da morte, mas também da enfermidade que os fez morrer. Lázaro saído do túmulo não trazia a cor nem o cheiro de cadáver. Estava sentado à mesa, ceava, e os judeus vinham de Jerusalém para ver esse morto restituído à vida, e mais que à vida, à santidade.

"Ó Deus, que de modo admirável criastes a natureza humana, e de modo mais admirável ainda a reformastes", dizem os sacerdotes na missa...

A ilusão do irreparável deve ser banida de nossas almas. O próprio bom ladrão foi o primeiro a forçar as portas do céu e a exercer uma função eterna na Igreja. O impulso do arrependimento pode ser forte como a morte: saber-se perdoado é uma persuasão repleta de germes de virtude, e os que foram preservados como os que foram reparados devem, uns e outros, agradecer a Deus a graça de escol (o que é considerado melhor) que receberam".

Instituto Santa Família

quarta-feira, 12 de abril de 2023

Dificuldades no casamento: unidade pessoal

Fighting Couple" Imagens – Procure 96 fotos, vetores e vídeos | Adobe Stock

O presente mais precioso que o casamento me trouxe foi esse impacto constante de algo muito próximo e íntimo, ao mesmo tempo, incomparavelmente alheio,  resistente - numa só palavra, real (3), afirma C. S. Lewis.  Pode chegar o momento em que a relação matrimonial se turve e endureça. Diversas circunstâncias podem influenciar com maior ou menor intensidade e extensão. Às vezes uma pequena gota - que talvez faça derramar o copo - desencadeia a tempestade: "Um casal que começa a brigar, a discutir... O marido e a mulher não têm razão nunca para brigar. O inimigo é a soberba (4).

Unidade pessoal equivale aqui a autenticidade da vida; integridade de vida intelectual, volitiva emocional e biográfica. Diante de qualquer dificuldade na relação matrimonial, é preciso afastar a tentação de romper com o que somos, com o que quisemos ser. Refazer a vida, sim, mas com os nossos próprios materiais, não com os de outras pessoas. O compromisso matrimonial transformou-nos de modo radical e já não seria nem imaginável a nossa vida sem ela ou sem ele.

Assim deve ser sempre. Com visão ampla, magnânima, com generosidade de espírito. Não importa fazer um pouco de teatro no casamento, e forçar a própria entrega quando o sentimento não acompanha. Como dizia São Josemaria Escrivá, referindo-o a Deus, temos o melhor espectador possível, para essa humilde atuação: nossa mulher, nosso marido; e o sentimento sempre volta se soubermos chamar.

Fortalecer o amor significa torná-lo atual. Escolher todos os dias as pessoas a que amamos: eu o(a) amei hoje? Ele(a) o percebeu? E depois voltar a nós mesmos; só há uma pessoa que pode ajudar a melhorar a relação: eu mesmo. Sou eu que preciso mudar, e, então, com a nova visão que a minha mudança me concede, ajudar a ele(a) a mudar também. Quem deve de dar o primeiro passo? A resposta não é nova: aquele que vê o problema, ou seja, eu mesmo.

Quando se trata de renovar o amor, há uma  virtude e uma conduta que aparecem necessariamente: a humildade e o perdão. Humildade para reconhecer os próprios erros, humildade para pedir ajuda quando necessário, humildade para pedir perdão, humildade para conceber este perdão, humildade para ser perdoado. E que seja um perdão humilde, não altivo, generoso, compreensivo e oportuno, que saiba dizer sem palavras: "eu preciso de você para ser eu mesmo", como descreveu Jutta Burggraf. (5).

Javier Vidal-Quadras

[3] C. S. Lewis, A anatomia de uma dor
[4] São Josemaria, Anotações de uma reunião familiar, 1/06/1974
[5] J. Burggraf, "Aprender a perdonar". Artigo publicado na revista
Retos del futuro en educación. Madri 2004.

quinta-feira, 6 de abril de 2023

Reflexões durante a Semana Santa

 


A verdadeira piedade deve impregnar toda a alma humana, e, portanto, também deve despertar e estimular a emoção. Mas a piedade não é só emoção, e nem mesmo é principalmente emoção. A piedade brota da inteligência, seriamente formada por um estudo catequético cuidadoso, por um conhecimento exato de nossa Fé, e, portanto, das verdades que devem reger nossa vida interior.

A piedade reside ainda na vontade. Devemos querer seriamente o bem que conhecemos. Não nos basta, por exemplo, saber que Deus é perfeito. Precisamos amar a perfeição de Deus, e, portanto, devemos desejar para nós algo dessa perfeição: é o anseio para a santidade.

Sem esta disposição, todo o “querer” não é senão ilusão e mentira. Podemos ter a maior ternura na contemplação das verdades e mistérios da Religião: se daí não tirarmos resoluções sérias, eficazes, de nada valerá nossa piedade.

É o que se deve dizer especialmente nos dias da Paixão de Nosso Senhor.

Não nos adianta apenas o acompanhar com ternura os vários episódios da Paixão: isto seria excelente, não porém suficiente. Devemos dar a Nosso Senhor, nestes dias, provas sinceras de nossa devoção e amor. Estas provas, nós as damos pelo propósito de emendar nossa vida, e de lutar com todas as forças pela Santa Igreja Católica.

A Igreja é o Corpo Místico de Cristo. Quando Nosso Senhor interpelou São Paulo, no caminho de Damasco, perguntou-lhe: “Saulo, Saulo, por que me persegues?”. Saulo perseguia a Igreja. Nosso Senhor lhe dizia que era a Ele mesmo que Saulo perseguia.

Se perseguir a Igreja é perseguir a Jesus Cristo, e se hoje também a Igreja é perseguida, hoje Cristo é perseguido. A Paixão de Cristo se repete de algum modo também em nossos dias.

Como se persegue a Igreja? Atentando contra os seus direitos ou trabalhando para dEla afastar as almas.

Todo o ato pelo qual se afasta da Igreja uma alma é um ato de perseguição a Cristo. Toda a alma é, na Igreja, um membro vivo. Arrancar uma alma à Igreja é arrancar um membro ao Corpo Místico de Cristo.

Se queremos, pois, apiedar-nos com a Paixão de Nosso Senhor Jesus Cristo, meditemos sobre o que Ele sofreu na mão dos judeus, mas não nos esqueçamos de tudo quanto ainda hoje se faz para ferir o Divino Coração.

A Igreja, sofredora, perseguida, vilipendiada, aí está a nossos olhos indiferentes ou cruéis. Ela está diante de nós como Cristo diante de Verônica. Condoamo-nos com os padecimentos dela. Com nosso carinho, consolemos a Santa Igreja de tudo quanto Ela sofre. Podemos estar certos de que, com isto, estaremos dando ao próprio Cristo uma consolação idêntica à que Lhe deu Verônica.

E nós? Importamo-nos com isto? Sofremos com isto? Rezamos por que estas almas se convertam? Fazemos penitências? Fazemos apostolado? Onde nosso conselho? Onde nossa argumentação? Onde nossa caridade? Onde nossa altiva e enérgica defesa das verdades que eles negam ou injuriam?

O Sagrado Coração sangra com isto. Sangra pela apostasia deles, e por nossa indiferença. Indiferença duplamente censurável porque é indiferença para com nosso próximo e sobretudo indiferença para com Deus.

Será bem exato que, para conservar a Fé, evitamos tudo que a pode por em risco? Evitamos as leituras que a podem ofender? Evitamos as companhias nas quais ela está exposta a risco? Procuramos os ambientes nos quais a Fé floresce e cria raízes? Ou, em troca de prazeres mundanos e passageiros, vivemos em ambientes em que a Fé murcha e ameaça cair em ruínas?

Todo o homem, pelo próprio fato do instinto de sociabilidade, tende a aceitar as opiniões dos outros. Em geral, hoje em dia, as opiniões dominantes são anticristãs.

Pensa-se contrariamente à Igreja em matéria de filosofia, de sociologia, de história, de ciências positivas, de arte, de tudo enfim. Os nossos amigos, seguem a corrente. Temos nós a coragem de discordar?

Ou contentamo-nos negligentemente em ir vivendo, aceitando tudo quanto o espírito do século nos inculca, e simplesmente porque ele no-lo inculca?

Quando o Divino Mestre gemeu, chorou, suou sangue durante a Paixão não O atormentavam apenas as dores físicas, nem sequer os sofrimentos ocasionados pelo ódio dos que no momento O perseguiam.

Atormentava-O ainda tudo quanto contra Ele e a Igreja faríamos nos séculos vindouros. Ele chorou pelo ódio de todos os maus, de todos os Arios, Nestórios, Luteros, mas chorou também porque via diante de si o cortejo interminável das almas tíbias, das almas indiferentes, que sem O perseguir não O amavam como deviam.

É a falange incontável dos que passaram a vida sem ódio e sem amor, os quais, segundo Dante, ficavam de fora do inferno porque nem no inferno havia para eles lugar adequado.

Eis a grande pergunta a que, com a graça de Deus, devemos dar resposta nos dias de recolhimento, de piedade e de expiação em que devemos entrar agora.

Texto extraído, com adaptações de "O Legionário" de Plínio Corrêa de Oliveira